The Luckiest

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Perdas Junho 30, 2008

Arquivado em: Uncategorized — Eve @ 4:48 am
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Aya pensava consigo mesmo que todos deveriam ter alguma perda em suas vidas. E que isso os fazia pensar diferente. FIcou pensando sobre mudar, depois da conversa com Yoshiki. Percebia que o primo, apesar das quedas, sempre manteve-se firme no que acreditava. E aquela frase “será que vale a pena?” ficou ecoando na cabeça.

Não queria revirar-se. Haveria algum momento que teria que fazer isso, limpar o pó de memórias antigas. Mas ainda sentia que não era hora. Quando o tempo não cura, o que então iria curar? Não se sentia mais ferida por coisas antigas, mas mesmo assim não gostava de lembrar. Começou a pensar então no sofrimento alheio.

Yoshiki, por exemplo. Lembra que o primo entrou em depressão pós-Alice. Ela era seu mundo, e apesar de terem ficado pouco tempo juntos, Yoshiki sempre diz que aprendeu muito com ela. Alice tinha muitos problemas na vida, e dizem que só os maus momentos é que nos fazem aprender sobre a vida. Talvez fosse o caso de Alice. Yoshiki gostava de seu ponto de vista, mas depois de algum tempo, depois de superar isso, conseguiu ver com os próprios olhos que não era bem assim. Percebeu que Alice tinha a visão do que ele julgava errado. Por causa de seus problemas, tendia a ver tudo com pessimismo, como se o mundo não tivesse mais jeito. Yoshiki partilhou dessa visão enquanto estava com ela, e um tempo depois. Mas percebeu que pensar assim, não era seu jeito de pensar. Isso o ajudou a superar a perda.

Depois de Alice, vieram outras. E veio Marie. Aya acreditava que Yoshiki nunca superaria a dor que Alice lhe causou. Nem mesmo Yoshiki acreditava. Mas quando Marie veio, depois de tanto tempo, as coisas mudaram. Era a primeira vez que Yoshiki voltou a acreditar que poderia ser feliz. E realmente foi, por quatro anos. Ninguém sabia o que aconteceria daqui pra frente, mas Yoshiki estava sofrendo novamente. Já sabia o caminho da dor, mas mesmo assim, percorria a mesma trilha. O buraco parecia maior agora, porque com Marie era feliz em tempo integral, com Alice, era quase sempre infeliz. Com Marie, seus planos davam certo, não apenas quando dependia dele. No começo do namoro, Yoshiki tinha medo, e era cauteloso com Marie. Acreditava que nada superaria o que sentia por Alice. Mas viu que era bobagem, porque com Marie aprendeu a sorrir de verdade, a ser ele mesmo. Aprendeu a deixar a dor, embora a dor fosse inspiradora. Mas sabe da importância de Alice em sua vida. Talvez, se não tivesse conhecido o outro lado do amor, talvez nunca teria se dado tanto à Marie. Talvez nunca tivesse se esforçado tanto em momentos que foram precisos.

Aya pensou nisso, e tirou algo positivo da perda. Claro, ninguém gosta de sofrer, mas todos sofrem, e se pelo menos pode-se aprender algo da dor, que seja algo de bom.

Pensou em Danny. Antes de conhecê-lo, Danny havia namorado uma garota. Isso causava-lhe um leve mal estar. Aya nem citava seu nome. Não era um ciúmes bobo de ex namorada, aliás, não era ciúmes. Aya tinha sim, raiva, assim como tinha de Alice. Raiva por ter feito Danny sofrer. Danny e essa garota que ainda não citaremos o nome, namoraram por algum tempo. Eram novos, eram problemáticos, estavam conhecendo a vida. E nesse tempo, sofreram. Danny parecia ter sofrido mais, porque não se desvencilhava da perda. Talvez aquele ditado, “pisa que eles correm atrás”, realmente é verdade, pensou Aya. Mas Danny parecia bem. Já haviam conversado longamente sobre esse assunto, embora fosse difícil. Eram sinceros um com o outro. Isso por si só já fazia bem à Aya, que nunca conseguia ser 100% sincera com outros, ou consigo mesma quando falava de dores passadas, ou de outros sentimentos relacionados a outros tempos. Isso também fazia diferença com Danny. Era muito feliz. Por isso era hora de largar restos de outros tempos, era hora de virar a página.

 

Danny se manteve fechado por muito tempo, desde então. Não se lembrava mais como era desde que havia trancado seu coração. No fundo, lembrava-se, e tinha esperança de que pudesse entregar a chave novamente para a ex namorada, ou alguém que o amasse, alguém que ele pudesse amar. Ele não sabia se era falta dela, ou falta de alguém. Na verdade, sabia que o problema estava nele: não sabia se poderia amar tudo o que havia amado novamente, daquele jeito, naquela intensidade. Aquilo tudo era ele, e se não pudesse ser ele novamente, então não queria. E batera o pé no erro, insistindo no antigo amor.

Mas conheceu Aya, e percebeu que não valia a pena tantas defesas, tantas muralhas. Derrubou-as, talvez ainda não por completo. Algumas coisas levam tempo, talvez mais do que tempo. Aya odiava perceber que aprendia mais com erros e decepções, e também a maioria das pessoas que conhecia. Por que não aprender com os acertos, com sorrisos, com momentos felizes, com momentos epifânicos? Era preciso perder para perceber o que se tinha? Era o velho papo de “intrínseco ao ser humano”? Aya detestava teorizar tudo, mas quando percebia, já tinha uma teoria pronta na cabeça, pra tudo, das coisas mais bestas às mais importantes. Seu lado cético racionalizava tudo, mas cada vez mais percebia que algumas coisas não são feitas para se usar a razão. Existiam coisas que ninguém explicava, e que ninguém precisava se perguntar por quê.

 

NP: Anthem – Kamelot

 

 

O Verão é mesmo o Inferno Junho 26, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 7:09 pm
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Aya também ficara atônita ao saber de Marie. Aquela não poderia ser a doce e gentil Marie, que havia conhecido. Yoshiki e Marie viveram juntos por quatro anos, quatro intensos anos. Aya também achava que seria pra sempre. Nunca se intrometeu nas escolhas do primo, da forma como ele se intrometia nas suas, guardava sua opinião pra si.

Yoshiki namorou uma vez uma garota, quando era mais novo, chamada Alice. Era a primeira vez que Yoshiki se apaixonara. Aya ainda não entendia muito bem, tinha apenas 13 anos, sempre diz que amadureceu tarde para esse lado da vida.

Yoshiki namorou Alice, no total, por um ano. No total porque era idas e vindas que parecia não ter fim. Foi uma época sofrida, em que Yoshiki mergulhava de cabeça em suas paixões. Digamos que ainda mergulha, mas primeiro vê onde vai cair. Quando se é passional é difícil mudar, não importa quantas quedas.

Yoshiki era extremamente infeliz, mas amava Alice. Ela não sabia muito bem o que queria da vida, e enquanto isso, ficava com Yoshiki. Gostava dele também, sejamos justos. Mas sua vida era complicada demais para ser partilhada com alguém. E Yoshiki sofria. Para Aya era tudo muito simples: era só colocar um fim naquilo tudo, naquele sofrimento.

- Por que não termina com ela?

- Eu não posso terminar com ela. Aya, eu preciso dela, apesar de tudo. Sei que ela me faz sofrer, sei que me dou demais, mas eu a amo, não posso deixá-la assim.

- Mas não faz sentido… Acho que ela não te merece. Veja, ela não te liga, não corre atrás. E você não pára de pensar nela por um minuto.

- Ela não corre atrás porque… Bem, ela tem seus motivos. Ela é frágil, entende?

- Ela não corre atrás porque não precisa, você tá sempre atrás dela mesmo!

- Não é bem assim. Ela tem problemas… Mas ela não consegue me dizer muito bem o que é.

- Yoshiki, acho que é furada.

E foi a única vez em que Aya interferiu na vida de Yoshiki. Ainda não compreendia muito bem o jogo do amor, e fez o que achava melhor para o primo. Quando acontecia de Alice ligar, Aya desligava, entre outras ‘travessuras’. Achava que assim colocava o primo numa redoma, protegido da má Alice. Detestava-a.  Quem a ajudava era Sarah. A amiga ajudava a interceptar os telefones, até mesmo cartas, e-mails. Fazia as coisas darem errado, até Aya perceber que era errado intrometer-se assim. Mas Aya nunca se perguntou porque a amiga ajudava, além do fato de que amigos sempre se ajudam.

Sarah estava apaixonada por Yoshiki. Pensava nele dia e noite. Mas não contou a Aya, não por achar que não entenderia, mas para Sarah, a paixão platônica bastava. Yoshiki não precisava saber, ou sentir. Bastava estar perto de vez em quando, conversar, receber um sorriso. Sim, almejava mais às vezes. Mas percebia que Yoshiki era cegamente apaixonado por Alice.

- Parece doença. – disse Sarah.

- O Yoshiki está fazendo papel de bobo. Não vou mais me meter… Ele que se resolva.

- Coitado… A Alice vai fazer ele de gato e sapato.

- Por falta de aviso que não foi. Homem parece que gosta de sofrer. Não tem aquele ditado? “Pisa que eles correm atrás”? Acho que é verdade…

- Mas o Yoshiki deve saber o que faz. Por que se intromete tanto assim? Às vezes, acho que você o considera mais do que um primo…

- Como assim?

- Parece ciúmes…

- Não é isso. Só me importo o suficiente pra não quer vê-lo mal.

- Tem certeza que não é ciúmes? – provocava Sarah.

- Claro que não, de onde tirou isso?

- Ah, depois que ele conheceu Alice, vocês passaram a sair menos, se falam menos…

- Saímos bem menos mesmo. Mas continuamos nos falando.

- Então está bem…

Aya lembrava-se que o auge da “moléstia” de Yoshiki também fora no Verão. Lembra porque era férias, por isso tinha tempo de interceptar Alice, com ajuda de Sarah. Era até divertido, pensou. Mas Yoshiki não sabia até hoje. Será que ele ficaria bravo, depois de tanto tempo? Pensou em contar, mas não queria falar em coisas passadas, principalmente se tratando de Alice. Não era tabu, mas Aya evitava. Yoshiki não podia evitar um ar de tristeza ao falar dela. Um amor grande só se supera com um outro maior, é o que dizem. Uma grande tristeza só se supera com uma tristeza… maior ainda? Aya não queria mesurar nada. Só queria ver o primo bem. Mas, apesar de já ter enfrentado muitos momentos assim, ainda não sabia uma forma de confortar o primo.

Yoshiki e Aya tinham em comum a fragilidade. Aya sempre dizia que Yoshiki era frágil como um cristal, Yoshiki sempre achava Aya delicada como uma boneca de porcelana, mas ambos se julgavam fortes. Sabiam que não eram. Compartilhavam do mesmo mal: a de serem extremamente românticos.

- Não gostaria de ser tão passional às vezes. Parece bom em alguns momentos, mas em outros, penso se vale a pena.

- E isso é questão de escolha, Yoshiki? Não somos assim porque queremos. Somos assim porque… somos. Há coisas que não se mudam. Eu já tentei, e na verdade, eu consegui, mas não gosto. Finjo ser outra pessoa.

- Conseguiu? Quando?

- Ah, bem…

- Já sei. Com Phillip?

- Por aí. E pior que era Verão também…

- O quê?

- Nada, não.

 

NP: Talking To A Brick Wall – The Cooper Temple Clause

The Blower’s Daughter – Damien Rice

Zodiac Virtues – Diablo Swing Orchestra

Sand & Mercury – The Gathering

 

Yoshiki & Marie Junho 26, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 12:37 am
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Yoshiki e Marie não se viam há algum tempo, mas sempre tinham notícias um do outro. Marie havia aceitado a proposta de uma agência para uma campanha de próximo Outono-Inverno. Com isso, voltara para o mundo do glamour, e consequentemente conseguido outras propostas. Pela primeira vez, Yoshiki estranhou ao ver um anúncio de uma marca e ver Marie nele. Foi estranho porque foi a primeira vez, depois de muito tempo, que não acompanhou a sessão de fotos, que não estava lá. Estava feliz porque via Marie bem, mas sentia sua falta no dia-a-dia, e em todas as coisas.

Marcaram um jantar para colocar o assunto em dia. Marie era outra pessoa, diferente daquela de alguns meses atrás. Yoshiki gostou de vê-la bem, mas ao mesmo tempo sentiu-se mal, pois de certa forma, sentiu-se culpado por aquele estado em que se encontrava. Bastou a distância, para que ela voltasse a ser a Marie de antes. Pelo menos visualmente.

- Você está muito bem. Gostei das novas fotos.

- Eu deveria ter mandado o book. As fotos ficaram lindas, mesmo. Eu realmente gostei. Pude opinar nas fotos.

- Talvez por isso tenha saído tão bonita.

- Talvez. E você, como anda?

- Na mesma, produzindo. Talvez eu viaje para os EUA, para contatar algumas das bandas que produzo. De vez em quando é bom. Não gostaria de vir junto?

- Não posso. Minha próxima sessão de fotos será na França. Mamãe irá comigo, está louca para voltar para sua cidade. Tenho até medo que resolva ficar por lá. Diz que vai arrumar um marido! – riu.

- Mas eu nem lhe disse quando.

- Bem, minha agenda está bem lotada. Voltei à ativa com tudo.

- Deveria ir com calma. Como está fisicamente?

- Ir com calma? Eu estou bem. Sabe que gosto desse ritmo.

- Sim, eu sei. É que talvez fosse melhor voltar com calma antes de cair de cabeça.

- Yoshiki, eu sei me cuidar.

- Sabe?

Havia uma tensão entre os dois. Yoshiki parecia não reconhecer Marie em algumas coisas. Sua postura, a forma como falava, parecia distante. Às vezes não olhava em seus olhos enquanto conversava, com aqueles olhos de esmeralda.

- Você parece estressado. Talvez seja bom viajar pra descansar.

- Eu vou a negócios. É muito corrido, você sabe.

- É, eu bem sei…

- O que quer dizer?

- Nunca teve tempo pra mim nas viagens.

- Isso não é verdade! Sempre passeávamos, eu tinha pouco tempo, mas dedicava a você, sempre.

- Obrigada pelas migalhas.

- Marie, nunca se queixou!

- Porque eu achava que não podia te incomodar com coisas tão… bobas, como meus sentimentos. Mas tenho percebido que me sacrifiquei demais por você.

Yoshiki estava atônito. Não, aquela não era sua Marie. O que dizia não era verdade. Sabia que tinha uma vida corrida, mas sempre gabou-se de poder trabalhar a hora que quisesse, exatamente para dar importância à sua vida. E sua vida era em grande parte, Marie. Foi assim desde o início, até o último dia em que ela decidiu ir embora. Sentia-se tremendamente injustiçado.

- Não sei como pode dizer isso, Marie…

- Bem, vou pegar um drink.

- O quê? Você não bebe…

Antes mesmo de Yoshiki terminar sua frase, Marie estava no bar do restaurante. Yoshiki a olhava e via outra pessoa. Não era Marie ali. Como, em alguns meses apenas, ela poderia ter mudado tanto? Antes de se encontrarem, conversavam sempre ao telefone, e Marie sempre soou bem, mas nunca se aprofundava no que dizia. Yoshiki começou a raciocinar, e chegou à conclusão que havia deixado passar muitas coisas para que Marie não se sentisse pressionada. E talvez isso resultasse numa falsa impressão de abandono.

Um homem estava conversando com Marie. Os dois pareciam se conhecer. Talvez até demais. Yoshiki continuou a observar atentamente. Indignou-se por Marie não dar logo por encerrada a conversa com aquele sujeito, já que estava à sua espera. Remexia-se na cadeira. Mas Marie nem sequer olhava, continuava a conversar com o sujeito. Nem sequer havia apontado para Yoshiki, querendo dizer que estava acompanhada. Yoshiki então notou que Marie não estava usando aliança. Não haviam se casado oficialmente, mas é óbvio que tinham um compromisso, que era mais do que um simples namoro.

Yoshiki começou a se irritar com a espera. Marie não parecia se importar em fazê-lo esperar, parecia mesmo mais interessada na conversa. Então, o sujeito passa levemente a mão em seu cabelo. Marie não o afasta, apenas se desvencilha com um leve movimento. Aquilo bastou. Yoshiki levantou-se e foi embora, sem olhar para trás. Marie, ao ver que Yoshiki tinha ido, desculpe-se com a então companhia e foi atrás.

- Yoshiki! Espere! Aonde vai?

- Onde acha que vou?

- Yoshiki, não seja imaturo.

- Marie, acho que já tem companhia para a noite. Não era o que eu havia planejado, mas vá lá, divirta-se. Acontece que hoje encontrei a Marie errada, me desculpe.

- Sou a mesma Marie que conheceu.

- Não é. Tome, fique com o troco.

Yoshiki jogou algumas notas de dinheiro em Marie e entrou em seu carro.

 

NP: Bird Girl – Antony And The Johnsons

 

Verão Junho 25, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 10:55 pm
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Fazia um calor terrível, como diria Aya. Porque a maioria das pessoas gostava do verão, do calor, do sol, de ir pra praia e coisas assim. Aya não gostava, mas estava feliz porque as férias se aproximavam. Estava muito cansada com os estudos e o estágio. Infelizmente só teria férias da faculdade, o estágio não daria trégua.

- Podíamos viajar pra algum lugar. Pra Campos, fugir do calor.

- Meu problema é o estágio, Danny…

- Ah, é verdade… Puxa. Queria ficar um pouco com você, só nós.

- Eu sei. Eu também gostaria, você sabe. Mas não posso pegar férias no trabalho ainda.

- Eu sei… Faz tempo que não viajo.

- Eu também não. Mais um motivo pra eu querer, mas realmente não posso. Tenha paciência, Danny.

- Quando você pode, eu não posso. É muito chato isso, às vezes parece que a vida não ajuda a gente. Que adianta termos timing mas nossas vidas não?

- Porque tem coisas que não depende de nós… Não é?

- Às vezes dá vontade de ser adolescente, de ser inconsequente.

- Eu sei. É engraçado como é assim pra mim também. Não me importo com o amanhã, quero viver o hoje com você.

- Devíamos morar juntos. Mas falando sério. O que acha? Podíamos procurar algum lugar aqui perto, assim não ficaria ruim pra ninguém. Seu estágio não ficaria longe, nem o meu. Pra ir às aulas, iríamos juntos. Seria mais fácil passar tempo juntos, não apenas roubando alguns segundos durante a semana, ou esperando o fim de semana chegar. Moramos muito longeum do outro… isso atrasa as nossas vidas.

- Eu sei.

- E então? Que me diz?

- Ah, não sei… Ainda não ganhamos muito. Ganhamos o suficiente, sim. Mas e se eu perder o estágio? Ou você? Não temos segurança financeira ainda, Danny. Nenhum dos dois está ameaçado de perder o estágio agora, mas e se acontecer? Iríamos voltar pra casa dos nossos pais?

- Mas isso é um risco que todo mundo corre, não só com estágio, mas com o emprego.

- Eu sei, mas não somos formados ainda. Isso dificulta um pouco as coisas.

- Yoshiki e Marie não foram morar juntos quando eram bem novos?

- Ah, Yoshiki é um caso a parte… Ele se sustenta sozinho há muito tempo.

- É uma droga depender de dinheiro. Quem diz que sonhos não podem ser comprados, mente… Pra tudo precisamos dessa droga da papel…

- Infelizmente, ou felizmente, é assim que o mundo funciona. Sei que dá vontade de jogar tudo pra cima… Mas a gente sabe que não dá pra fazer as coisas assim.

- Eu sei. É ruim ter que ser racional… Tem medo de se arrepender?

- Claro que não. Aliás, quando estou com você, tenho certeza de tudo. É bom isso. Sempre me passa confiança, de que posso acreditar, de que posso derrubar muros. Perdi todas as minhas defesas…

- É assim comigo também. Por isso gostaria de passar mais tempo com você.

- Bom, mas as férias vêm aí, vamos aproveitar pra colocar algumas coisas em dia!

- Ver filmes e seriados, jogar video-game, ouvir música juntos? Eu topo!

Eram coisas simples, mas que Aya gostava de fazer com Danny. Divertiam-se muito juntos, gostava de passar seu tempo com ele. Quando não estava na aula ou no estágio, estava com ele. Seus pais sempre reclamavam que nunca mais parou em casa. Seu irmão mais novo também reclamava. Josh adorava ‘alugar’ Aya para jogar video game, ou mesmo só conversar. Tinha 15 anos. O do meio, Chris, tinha 20. Era a ovelha negra da família, como todo bom irmão do meio. Era o que não ia bem na escola, no colégio, e agora na faculdade. Era o que não passava as noites em casa, era o que não dava nenhuma explicação. Era o que desaparecia e achava normal. O filho mais problemático. Aya e Chris costumavam se dar bem, mas Chris se afastou da família nos últimos anos, em geral, incluindo Aya. Odiava o fardo de nunca ser como a irmã “perfeita”. Não via a hora de sair de casa. Os pais achavam que a rebeldia passaria com o fim da adolescência, mas só vinha piorando.

- E o Chris, andou aprontando muito?

- Ah Danny… Esse fim de semana pegou o carro do meu pai e foi viajar, sem avisar. Apareceu no domingo, quando minha mãe já tava com o telefone na mão ligando pra polícia. Ele não toma jeito…

- Já conversou com ele? Deveria tentar.

- Eu já tentei, mas não consigo mais atingi-lo, não sei onde encontra-lo… Entende? Ele se mantém afastado. Tenho medo que esteja com algum problema, na verdade.

- Acho que não. Deve ser uma fase. Já faz um ano que estamos juntos, mas nunca o conheci. Ele nunca está na sua casa.

- Isso é verdade. Gostaria que se conhecessem. Talvez conseguisse conversar com ele.

- Marca um jantar, ou um almoço. Avisa ele.

- Duvido que iria… mas, podemos tentar, né? Boa idéia, Danny.

E assim foi marcado um jantar. Ainda escolheram o lugar preferido de Chris: uma churrascaria. Danny não disse que não ia, mas também não confirmou, mas Aya estava confiante de que iria aparecer.

- Não acho que ele venha… sabe como é seu irmão. Vamos pedir as bebidas. – disse Allan, pai de Aya.

- Calma, pai. Nem atrasado ele está.

- Ele disse que viria? – perguntou Sophia, a mãe de Aya.

- Ele não disse que não viria. Disse que pensaria. Acho que pra ele isso é um sim.

- Chris não vem, ele anda muito chato. – disse Josh.

- Calma, pessoal, não desistam. Afinal, quero conhecer o único que ainda não conheço da família! Pensamento positivo! – tentou animar Danny.

- Ah Daniel, nosso filho anda muito problemático. Se todos os garotos fossem como você, o mundo seria mais fácil! – disse Sophia.

- Ih, puxa-saco… – murmurou Aya.

S: O que foi, filha?

Aya: Nada, mãe. Bom, se quiserem, peçam as bebidas, então. Mas se Chris chegar e verem que nem esperaram por ele, por pensar que ele não viriam, vai ficar bravo.

S: É, acho que tem razão. Vamos dar uma chance ele. Mas por que não liga?

Aya: Mãe, paciência. Espera um pouco.

Esperaram por mais uns 10 minutos. Aya não falava muito com ninguém, não tirava os olhos da porta. Esperava ver Chris a qualquer momento. Sabia que os pais não conseguiriam fazer Chris vir por nada nesse mundo, mas tinha esperança que seu irmão ainda a considerava. Danny conversava com Josh, que ria de suas piadas sem graça. Danny se divertia também, pelo menos descontraíam o ambiente. Os pais de Aya conversavam baixo entre si achando que Chris não viria. Yoshiki também foi convidado pra ocasião, mas também estava atrasado.

Aya: Vou ligar pro Yoshiki. Do jeito que ele é cabeçudo, pode ter esquecido da gente.

S: Seu primo nunca foi um exemplo de pontualidade. Mas não esquece dos compromissos que tem com você.

Aya: Bem, isso é verdade. Não vou ligar, nesse caso. Vamos esperar.

Mais cinco minutos. Cada minuto parecia uma eternidade. Os garçons já faziam pressão, esperando ao lado para que a qualquer momento fizessem o pedido. Aya vê Yoshiki entrando, e se anima com a chegada do primo. Mas vê que ele parece conversar com alguém, e logo pensou que tinha trazido alguém junto, talvez até mesmo Marie. Mas para a supresa de todos, Chris entra junto com ele, dando risada. Fica um pouco sisudo ao avistar a família, não porque não gostava dela, mas como proteção. Quando se é a ovelha negra da família, não se pode dar brechas.

Aya: Eu não disse que ele viria? – vangloriou-se Aya.

Y: Desculpem o atraso, pessoal. Mas olha quem eu encontrei no caminho pra cá. Daí dei uma carona pro perdido.

C: Também me atrasei um pouco, porque na verdade o perdido aqui é o Yoshiki. Não sabia chegar aqui, e ainda insistia que eu estava errado!

Os pais de Aya estavam felizes pela presença de Chris, que foi devidamente apresentado a Danny. Chris sentou ao lado de Aya e em frente a Yoshiki, o lugar onde se sentia mais confortável na mesa. Estava um pouco desconcertado, como se não fosse sua própria família, com quem convivera por 20 anos. Era estranho como as coisas mudavam de uma hora pra outra, pensou. Olhou para Josh, e ele não era mais aquele pivete 5 anos mais novo que ele, que sempre quebrava suas coisas. Já tinha alguns pêlos de barba. Aya não mudara muito, parecia que tinha sempre a mesma cara. Agora tinha Danny, que parecia que era O cara para Aya. Já tinha ouvido falar dele, e tinha ficado feliz por ver que ele não era um qualquer, e Aya parecia feliz. Gostava do seu primo Yoshiki, ele era divertido, e parecia que também tinha sido a ovelha negra da família. Seus pais… Ainda tinha a mesma opinião sobre os pais. Eram uns chatos.

S: Obrigada, Yoshiki, por trazer Chris pra cá.

Y: Deve agradecer à Aya. Eu não fiz nada demais. Pelo menos ele parece estar se divertindo. Deviam conversar mais com ele.

Allan: Ele não conversa conosco. É difícil, Yoshiki. Mas obrigado pelo apoio. Talvez seja mais fácil que você converse com ele.

Y: Sim, viemos conversando. Ele ainda é o mesmo Chris, só um pouco confuso. Disse que não está gostando da faculdade. Talvez devessem ouvi-lo sobre o que ele tem a dizer sobre isso.

Allan: Como ele pode não gostar de Engenharia?

Y: Tio, não me leve a mal, mas… Acho que ele nunca quis. Deveria deixa-lo fazer o que ele gosta. Sabe que as coisas não funcionam assim.

S: Eu também sempre achei isso.

Allan: Mas você sempre apoio que ele fizesse Engenharia!

S: Ah, achava que ele seria feliz. Mas se não está, deveríamos ouvi-lo, Allan.

Allan: Conversamos mais tarde. Vamos comer, é pra isso que viemos, não?

A noite seguiu agradável, para todos, aparentemente. Aya se bastou com a presença de Chris. Yoshiki estava feliz de ver Aya contente, e seus tios também. Danny, Yoshiki e Chris conversavam bastante entre si, e tinham marcado jam sessions no estúdio de Yoshiki. Aya se animara com isso, talvez assim pudesse se reaproximar de Chris. Josh se divertiu com as batata fritas sem o controle da mãe, e com as piadas de Danny. Os pais de Aya estavam felizes também por ver a família unida, e estavam esperançosos. E Chris… estava feliz. Sentira que parara no tempo com a família. E viu que eles não eram assim tão chatos. Ainda havia uma coisa que o incomodava, mas tentava ignorar. Gostava deles, e queria se aproximar, sem dar o braço a torcer. Era um tanto orgulhoso.

Afinal de contas, o Verão não era tão ruim assim.

 

NP: Seize The Light – Yoshiki

Lilium Cruentus – Pain Of Salvation

DVORÁK’s Symphony N°9 – Allegro con fuoco (infelizmente não sei a orquestra que interpreta)

 

 

Novos rumos Junho 25, 2008

Arquivado em: Primavera — Eve @ 6:32 pm
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Yoshiki e Aya acabaram dormindo no sofá. Ficaram conversando até caírem no sono, enquanto alguns DVDs de música tocavam. Marie saiu do quarto e os encontrou na sala. Sentiu aquele ciúmes ao ver os dois dormindo. Mas não era o ciúmes de antigamente. Sentia um ciúmes por achar que havia perdido Yoshiki. Ainda o amava, apesar de não terem a melhor relação no último ano.

Marie tinha tomado uma decisão. Havia arrumado as malas, e iria morar com a mãe. Não sabia se definitivamente, ou se seria só algum tempo. Percebia o quanto prendia Yoshiki, e isso a fazia infeliz. Não conseguia mais ser forte com ele, precisava encontrar essa força sozinha. O tratamento não ajudava muito, na verdade. Achava que tinha que andar com as próprias pernas novamente, e só conseguiria sozinha. Quem sabe pudesse voltar para Yoshiki bem.

Não quis acordá-los. Sempre dizia que Aya parecia um anjo dormindo, e Yoshiki parecia bem também. Nem havia saído ainda, mas já sentia falta deles. Subiu para arrumar o restante das malas.

Yoshiki ouviu os passos de Marie na escada e levantou com cuidado para não acordar Aya. Encontrou Marie de pé, fazendo as malas.

- Marie? O que está fazendo?

Marie não se virou, continuou fazendo as malas.

- Yoshiki, tomei uma decisão. Eu vou embora.

- Embora? Pra onde?

- Vou ficar com a minha mãe. Pelo menos por enquanto. E tomei outra decisão. Vou voltar a trabalhar. Lembra daquela agência que ligou? Eles ainda me querem para um projeto. Talvez seja minha última chance de voltar ao mercado.

Marie era modelo. Marie era realmente linda: tinha cabelos castanhos bem lisos e compridos, a pele bem clara, olhos verdes como a esmeralda. Era magra por genética, não precisava fazer muitos esforços para se manter no peso exigido. Apesar de todo o glamour em que sempre viveu, era bem simples. Queria coisas simples, gostava de coisas simples. E foi essa simplicidade que chamara atenção de Yoshiki. Não era fútil como outras desse mundo. Gostava de música clássica, gostava de ler, e adorava falar francês, que aprendera com sua avó e sua mãe.

- E… Como nós ficaremos?

- Não sei, Yoshiki. Mas sinto que preciso deixar isso tudo pra trás. Preciso seguir em frente, e você também. E nesse momento, não consigo isso com você, nem você comigo.

- Marie, claro que conseguiríamos isso juntos. Bastava você querer.

- Não Yoshiki, não é simples assim. Eu preciso ir embora. Me desculpe por ser tão fraca… Minha fraqueza não pode mais atingi-lo. Eu mandarei notícias, está bem? Virei visitá-lo também, e claro, pode me visitar. Não quero perder contato com você, mon chérie.

Yoshiki não sabia o que dizer. Via Marie escapar por seus dedos, mas sabia que estava certa.

A separação, em qualquer forma que seja, sempre é dolorosa. Yoshiki observou Marie entrando no táxi, e teve a impressão de que já estava um pouco melhor. Pelo menos estava buscando melhorar. Se para isso precisava se afastar dele, que fosse. A amava demais, só queria vê-la feliz, ainda que fosse em outro lugar, com outra pessoa. Mas sentia que havia falhado, que não havia feito o suficiente. Sentia que ainda não poderia deixa-la ir. Queria ter tentado mais. Sentiu-se mais culpado pela idéia da internação. 

Mas não chorou. Sentia que não era o fim, que era apenas um recomeço. Sentiu-se feliz ao ver Marie sorrindo ao despedir-se. Voltou para a sala assim que Marie foi embora, e sentou-se ao lado de Aya, que acabara de acordar.

- Nossa, dormimos tarde ontem.

- É… apagamos, na verdade. Nem lembro que horas eram. Dormiu bem?

- Sim, apesar de ter dormido meio torta…

- É, eu também.

 

NP: The Night Is Young – The Bathers [feat. Liz Fraser]

Lost In Space (epic version) – Avantasia 

 

Enough? Junho 25, 2008

Arquivado em: Primavera — Eve @ 5:54 am
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- Sinto saudades de dizer que amo alguém.

- Não diz isso a Marie?

- Digo, mas às vezes, não sei mais se é verdade.

- Mudou o que sentia por ela?

- Sabe, o amor não se molda sozinho. É preciso que duas pessoas queiram. Lembra de como achávamos que o amor de uma única pessoa, sendo grande, era suficiente para duas pessoas. Talvez seja, e talvez meu amor não seja assim tão grande. Ou talvez isso não seja verdade. Em que acreditar?

- Acho que já aprendemos que apenas o amor de uma pessoa pode até fazer milagres, mas não sobrevive sozinho.

- Engraçado, como somos tão calejados… Não queria que soubesse tanto da dor quanto eu.

- Digo o mesmo… Nunca aguentei ver você triste.

- É como eu disse. Tenho me sentido triste o tempo todo. Não gosto mais de mim. Como posso gostar de alguém? Sinto vontade de sumir… Se não fosse por algumas pessoas… Na verdade, elas são realmente muito poucas, sabe. Minha mãe vive bem sozinha, sempre viveu. Sentiria minha falta, sim. Mas ela entenderia. Não sei o que aconteceria a Marie. Talvez aprendesse a ser mais forte, talvez conseguisse acordar. E você, Aya?

- Como assim? O que tem eu?

- Would you miss me?

- Que tonto. Sabe que sim.

- Aya, sabe, eu não vou por você. Eu não consigo ir por sua causa.

- E eu também não o deixaria ir. Sei que soa um tanto egoísta…

- Não soa, sabe por quê? Porque eu sei que sou seu. Acho que meu castigo foi ser seu primo.

- Como assim?

- Se não fôssemos praticamente irmãos… Eu me apaixonaria por você. E talvez isso bastasse, e talvez eu fosse feliz desde criança. E não precisaria sofrer tanto.

- Você não sabe. Damos certo assim. Mas talvez déssemos muito errado como namorados… É até estranho falar assim.

- Talvez. Não podemos dizer, né? Obrigado, Aya. Você sempre me faz muito bem… Hoje vi o quanto é feliz com Danny. Não tinha esse sorriso antes, sabia? Eu vi que ele é especial pra você. Senti uma ponta de inveja… Gostaria de me sentir assim novamente, feliz, verdadeiro. Completo.

- Yoshiki, sei que tem sido difícil. Mas eu ainda acredito que é uma má fase, e que vai passar. Acho que não ajudei muito, andei afastada de vocês, mas a verdade é que eu não sabia me aproximar. Me sentia… culpada. Eu odeio lembrar de quando vi você desabando. Odeio lembrar da Marie machucada. Odeio lembrar da sensação de desnorteamento. Odeio aquele dia, assim como vocês.

- Sei que foi traumatizante pra você também. Mas você é forte… E eu preciso de força, Aya. Estava pensando em…

Yoshiki engoliu em seco. Tinha algo duro pra dizer. Aya entendeu e apenas esperou Yoshiki decidir quando diria.

- Eu pensei em… internar a Marie.

- Internar? Em algum hospital?

- Uma instituição. Nem parece clínica. O psiquiatra dela me recomendou. Talvez seja o melhor pra todos.

- Eu odeio esses lugares…

- Eu também não gosto. Mas me vejo sem opção.

- Como pode achar que isso faria bem à ela? Acho que só pioraria a situação dela. Você vai perdê-la de vez.

- Não sei, Aya. Tenho medo também. Mas já tentamos de tudo. Eu preciso retomar minha vida também, entende?

- Eu não apoio.

Yoshiki ficou desconcertado com a censura de Aya. Aya não se conformava com a idéia do primo, achava que era a pior decisão a ser tomada. Ficaram em silêncio por um tempo, até Yoshiki chegar à conclusão que provavelmente a prima estava certa, e que estava sendo egoísta. Aya entendeu que Yoshiki deveria estar desesperado para tomar tal decisão, e o perdôou. As coisas estavam muito erradas, não poderia ficar pior.

 

NP: How You Remind Me – Nickelback

I Turn To You – Christina Aguilera

Signs Of Life – Journey

Spancil Hill - The Corrs

 

Revelações Junho 25, 2008

Arquivado em: Primavera — Eve @ 5:18 am
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- Hey, isso é muito bom! – exclamou Danny.

- Isso soa bem NWOHBM, bem Iron Maiden! – empolgou-se Aya.

- É por isso que queria mostrar a vocês. Sabia que iam gostar. O que acha, Marie?

- Sabe que não gosto esse tipo de música…

- Está produzindo esses caras? – perguntou Danny. Eles são bons.

- Ainda não respondi. Me mandaram essa demo, estou pensando. O que acham? Mais uma banda de metal, ou têm futuro?

- Precisaria ouvir mais, mas eu acredito que eles têm potencial. Têm bons instrumentistas.

- Também achei isso, Aya. Mas precisava da opinão de profissionais, né?

Aya e Danny riram.

- Cara, se for produzir esses caras, me chama pra ver quando eles forem gravar. Achei muito legal uma banda nova assim. – Disse Danny.

- Claro. Vou falar com o tal do produtor. Quando acertar tudo, aviso vocês. Obrigado pela opinião de vocês. Bom, vamos ver se esses sanduíches estão bons!

- Yoshiki, poderia ter me avisado que eles viriam. Nem preparei nada.

- Eu avisei de última hora. Mas com certeza eles não se importam.

- Não mesmo. E os sanduíches estão bons. – disse Danny.

- A gente podia ver um filme. – sugeriu Aya.

- Boa idéia. Yoshiki comprou alguns DVDs novos. – respondeu Marie.

- Ah, estava pensando em ir ao cinema.

- Vamos, Marie? Faz tanto tempo que não saimos.

- Não sei… Não me sinto bem.

- O que tem, Marie? – perguntou Aya.

- Eu… só não me sinto bem pra sair. Preferia ficar em casa.

- Marie, vamos. Podemos ver o filme, comer naquele restaurante que adora depois.

- Yoshiki, acabamos de comer. Já disse, não me sinto bem. Vocês podem ir se quiserem…

- Tudo bem, Marie. Podemos ver um DVD aqui mesmo. – disse Danny.

Marie levantou-se e saiu da sala.

- Marie… – chamou Yoshiki.

Marie subiu para o quarto. Yoshiki foi atrás de Marie. Aya e Danny ficaram desconcertados, era uma situação muito delicada. Era possível ouvir apenas Yoshiki, pedindo para Marie abrir a porta do quarto, enquanto ela apenas soluçava lá dentro. Depois de um tempo, Yoshiki voltou para baixo.

- Desculpe, Yoshiki. Não devia ter comentado. – disse Aya.

- Sabe que não é sua culpa. Queria mesmo que estimulasse Marie a sair de casa um pouco. Eu também não aguento ficar trancafiado aqui por causa dela… mas não se o que fazer.

- O que o psicólogo tem dito?

- Que ela nunca se recuperou daquele dia… que o trauma foi grande, desde o ataque, até a perda do bebê… que nunca existiu.

- Ainda hoje ela acha que estava grávida? Mesmo vendo exames?

- Ela nega. Ela diz que sabe o que sentia, e só ela sabia. Isso dificulta mais as coisas. Não sei o que fazer. Se é melhor aceitar a visão dela, ou se é melhor fazê-la encarar a realidade.

Aya sentia-se triste por ver Yoshiki tão derrotado. Sentia-se impotente. Yoshiki sempre a ajudou, e queria poder retribuir. Odiava vê-lo sofrer tanto, justo ele, uma das pessoas que mais importava em seu mundo. Preferia que a dor que sentia passasse pra ela mesma. Era mais fácil lidar com sua dor do que com a dos outros.

- Bom, mas vamos ver um filme então. Não quero ficar pensando nisso. Que tal um filme romântico?

- Ih, aí depende. Sem mela-cueca, hein? – descontraiu Danny.

- Cara, existe filme romântico não mela-cueca? Bom, esse tem cara de ser muito. Mas também parece bom. “PS Eu te amo”.

- Ah, queria ver esse faz tempo!! Vamos ver esse! – disse Aya.

Yoshiki tinha uma casa bem confortável. Foram para uma sala onde havia um projetor, e sofás confortáveis, mas preferiram jogar-se nos puffs no chão. O filme era realmente muito melancólico: Aya já deixara escapar lágrimas nas primeiras cenas. Yoshiki olhou para a prima enxugando as lágrimas, e pensou consigo mesmo, “ela não muda…”. O engraçado é que Danny também se emocionava durante o filme. Yoshiki pensou em tirar um sarro, mas achou aquilo interessante. Percebeu o quanto Danny era sensível também, assim como Aya. E como era difícil encontrar pessoas que conseguiar expôr fraquezas assim. Yoshiki sentia-se travado. Sentia-se sempre transbordando, mas nunca conseguia explodir. Não sabia a que atribuir isso. Eram muitas coisas do passado, e do presente, que interferiam em seu futuro. Sem que percebesse, observou Aya e Danny juntos. Sentia falta de ser feliz assim também. Sentia-se mais velho do que realmente era. Sentia que envelhecera tanto no último ano, sentia-se estagnado. Eram tantas coisas pra sentir, que não sentia mais a si próprio.

O filme acabou com muitas lágrimas. Mas com sorrisos de ter visto a um bom filme. Danny despediu-se de Yoshiki e Aya, porque enfretaria um plantão no hospital onde fazia residência. Ainda não estava na hora, mas foi voluntariamente para saber como era a rotina de um hospital, e hoje era o grande dia. Yoshiki chamou um táxi para Danny.

- Acho que vou pegar um também, está tarde. – disse Aya.

- Então fica aqui hoje. Avise a sua mãe. Já está muito tarde.

Aya iria dizer que era melhor voltar pra casa, mas percebeu que o primo estava realmente abatido. Sentia que ele não queria ficar sozinho. Ligou para a mãe, que concordou sem problemas, afinal era Yoshiki. Aliás, essa era a desculpa que Aya sempre dava quando passava a noite fora com Danny. Avisava que ia dormir na casa do primo, e a mãe nunca desconfiava, já que confiava em Yoshiki de olhos fechados.

- Que bom que resolveu ficar. Acho que preciso conversar com alguém. E que bom que esse alguém é você… Se importa? – perguntou Yoshiki, acendendo um cigarro.

- Sabe que me importo. Mas, vou fazer o quê?

- Não se importava há alguns anos.

- Enfim…

- Aya, eu quero parar.

- Parar o quê?

- Isso tudo. Você viu.

- Sim, mas seja específico.

- Isso está… me matando. Por dentro e por fora. Eu nunca mais fui o mesmo há um ano. Minha vida virou um inferno. Acordo todos os dias no meio da noite pra saber se Marie está bem, não consigo dormir. Tenho tomado calmantes, coisas pra me manter acordado, tenho feito uma bagunça com a minha saúde. Há dias que não vejo o sol. E é assim sempre. Perdi contato com muita gente. Só tenho trabalhado. Às vezes não posso receber meus clientes em casa. Me sinto triste ou revoltado todos os dias. Voltei a ser triste o tempo todo…

Aya não sabia o que dizer, enquanto Yoshiki a encarava por alguma resposta. Mas os dois não precisavam de respostas. Bastava um olhar. Aya não precisava dizer que sentia muito. Yoshiki sabia. Os dois sempre se espantavam com a ligação que tinham. Um sabia o que o outro sentia, sem dizer uma palavra. Abraçaram-se longamente enquanto Yoshiki finalmente conseguia desafogar.

 

NP: All Through The Night – Cyndi Lauper

Pressure – Anathema

Ask The Lonely – Journey

Cry With a Smile – After Forever

Run For a Fall – Epica

 

 

Scars Junho 25, 2008

Arquivado em: Primavera — Eve @ 3:55 am
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- Aya? É o Yoshiki.

- Claro que eu sabia que era você.

- Não quer vir aqui em casa? Queria que desse umas opiniões sobre um trabalho. Marie quer vê-la também.

- Ah, ótimo… Estou com saudades de vocês também. Vou, sim. Importa se eu for com o Danny?

- Aquele magrelo?

- Yoshiki…

- Just kidding. Claro, pode vir, não precisa nem pedir. Um beijo, até daqui a pouco então.

Fazia um pouco mais de um ano daquele triste incidente. Yoshiki estava melhor, já Marie, ninguém sabia. Fazia tratamento psicológico, e era difícil entender o que realmente se passava com ela. Yoshiki não saia de perto, estava sempre a vigiando. Tinha medo desde aquele dia no hospital. Isso a irritava, pois, na sua versão, nunca tentou se matar.

- Aya! Danny, entrem!

Yoshiki abraçou Aya fortemente, praticamente entrangulando-a. Os dois riram. Eram muito amigos, sentiam falta um do outro quando não estavam perto. Haviam morado juntos quando eram mais novos, quando a mãe de Yoshiki decidira ir para outro país. O pai de Yoshiki havia morrido quando ele tinha sete anos, então Yoshiki cresceu com Aya por muitos anos. Mesmo depois que a mãe de Yoshiki voltara, estavam sempre juntos, estudaram juntos no mesmo colégio, e mesmo com a diferença de idade, estavam sempre perto. As famílias também eram bem próximas. A mãe de Yoshiki era irmã do pai de Aya. Também se davam bem, na família de seis filhos.

Danny até sentia uma ponta de ciúmes. Mas procurava entender a relação fraternal dos dois, no fundo ficava feliz que Aya tinha um alguém como Yoshiki.

- E Marie, onde está?

- No quarto, descansando.

- Como ela está?

- Hoje ela está bem… Eu acho.

- Como estão as coisas?

- Um pouco mais fáceis, Aya. Há dias que são difíceis. Mas ela tem melhorado.

- Sabe que pode contar comigo, pro que precisar, não sabe?

- Claro. Bom, mas vamos falar de trabalho. Venham, quero a opinião dos dois sobre esse trabalho novo. Danny, você toca guitarra, não toca?

- Piano.

- Ah é, guitarra era o outro namorado da Aya…

- Yoshiki? – reclamou Aya.

- Danny, só estou brincando. Você é o único deles que eu gostei, só por isso eu brinco com você.

- Ahn… Tudo bem, eu não ligo não. – disse Danny, descontraído, enquanto Aya olhava pra Yoshiki com um olhar de reprovação. Ele respondia com um olhar de ‘o que foi?’

- Yoshiki? – era Marie, descendo as escadas.

- Marie!! – disse Aya, correndo para abraçá-la.

- Como vai, Aya? Faz tanto tempo que não nos vemos.

- Eu sei. Olá, Daniel.

- Olá Marie, tudo bem?

- Querida, venha, vamos ouvir aquele novo projeto do Gus.

- Eu vou fazer algo para comermos, e já vou.

- Hum… está bem.

Enquanto Marie seguiu para a cozinha, Yoshiki pediu para que Aya fosse junto. Não gostava de deixar Marie sozinha. Aya achou desnecessário, mas mesmo assim fez o que o primo pedia. Enquanto isso, Yoshiki entrou no estúdio que tinha em casa com Danny.

- Eu ajudo, Marie. Que faremos de lanche?

- Ah, obrigada Aya. Hum, podemos fazer sanduíches? Não me sinto disposta a cozinhar. Yoshiki nem me avisou que viriam, senão teria preparado alguma coisa.

- Não se incomode. Eu e o Danny trouxemos essas tortas de morango.

- Hum, estão com uma cara ótima. Vou guardar pra sobremesa.

Depois de guardar a torta, Marie pegou o pão de forma e uma faca para cortá-los ao meio. Aya se incomodou ao ver Marie com a faca, e pediu para cortar os pães.

- Deixe que corto. É que não sei onde estão os ingredientes, assim você vai adiantando.

- Está bem… Mas… Sabe Aya, eu não vou me matar com essa faca de cozinha, se é o que está pensando.

- Marie, por que diz isso?

- Nada, nada. Vou pegar os ingredientes, então.

Aya se sentia incomodada por Marie desde aquele dia. As coisas nunca mais foram a mesma. Na verdade, Marie nunca mais foi a mesma. Todos foram transformados depois daquele dia, mas Marie parecia não seguir em frente. Estava sempre apática, alheia ao mundo. Estava sem trabalhar, ficava ociosa em casa. Yoshiki acabou recluindo-se mais por causa de Marie. Deixava-a sozinha o mínimo possível. Isso o prejudicou de certa forma, perdera alguns contatos por faltar em reuniões, mas ia se virando. Ainda sentia revolta por tudo que acontecera. Acompanhava o caso de perto, sem que Marie soubesse de detalhes. O criminoso foi considerado culpado, porém com desequilíbrio mental. Yoshiki não aceitava isso. Queria que o criminoso pagasse na cadeia.

Houve um dia em que Aya fora visitá-los. Entrou sem bater, visto que a porta estava aberta. Achou que Yoshiki gostaria da surpresa. Aya entrou de mansinho, e viu Yoshiki tocando piano. Observou de longe, gostava do primo tocando. De repente, Yoshiki se transformou. Marretava as teclas do piano com agressividade, caía em desespero. Chorava com as mãos na cabeça, sem saber o que fazer. Aya segurou-se, e resolveu ir embora. Já tinha visto o primo em outras situações parecidas, mas preferiu deixá-lo.

—–

- Quer dizer então que o outro cara tocava guitarra? Eu não sabia disso.

- Eu estava brincando, Danny. Se tocava, eu nem sei. Não fazia muita questão de saber… Nunca gostei de nenhum deles. Até tentei, pela Aya, mas… Você tem sorte.

- Humm…

- Brincando de novo. Falando sério, nunca realmente achei que eles fossem os caras certos pra ela. Bem, quem sou eu pra decidir, você deve estar pensando… Mas eu a conheço bem, e sempre achei que ela merecia coisa melhor.

- Eu sou a coisa melhor, então? – brincou Danny.

- Ná vá ficar se achando.

Yoshiki brincava, mas sempre se preocupou com Aya. Até demais. Às vezes discutiam por causa da interferência. Bancava o irmão mais velho ciumento. Realmente nunca achava ninguém bom o suficiente para Aya, mas gostava de Danny. Percebia suas intenções, sabia que era um bom rapaz. Ao contrário de alguns.

 

NP: Unnamed Song – Violet UK

Heroines – Diablo Swing Orchestra

Flowers – Rozz Williams

 

O passado condena Junho 24, 2008

Arquivado em: Uncategorized — Eve @ 5:13 am
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Andava pensando muito em coisas passadas. Mas de uma forma saudável, não doentia, olhando pra trás, se arrependendo. Isso era algo que raramente acontecia à Aya. Costumava se arrepender muito quando era adolescente, por tantas chances desperdiçadas, tantas histórias não vividas, imaginadas só na cabeça. Mas se parava pra pensar em velhos arrependimentos, ficava feliz por não ter feito. Como toda adolescente, sentia-se deslocada, mas Aya realmente era o peixe fora d’água, a julgar pelos amigos. Alguns já fumavam e bebiam. Aya odiava. Quer dizer, contaremos aqui uma fase ‘negra’ de sua vida, que preferia esconder.

Não podia julgar os amigos que fumava – aliás, poderia julgar alguém-, pois havia fumado por quase seis meses sem ninguém saber, apenas os amigos mais próximos daquela época. Sim, daquela época, porque não falava com mais ninguém. A última vez que tinha colocado um cigarro na boca, fez as contas, foi há 9 anos. 9 anos. Era só uma criança, praticamente. Como é que pode? Revoltou-se consigo mesma.

 

Lembra-se que tinha vontade constante de experimentar um cigarro. Não se sabia ao certo de onde vinha essa vontade, já que ninguém em casa fumava. Os pais eram super naturebas, nem consumiam álcool, só em ocasiões especiais, como Natal ou Ano Novo, em que forçam todos a fazer um brinde com a melhor champagne. Lembra dessa vontade doentia de saber como era, e como tomou a decisão. Decidiu também que faria isso sozinha, pois sabia bem que as amigas eram um tanto influenciáveis. Mas a melhor amiga da época em questão, Gabrielle, parecia ter adivinhado seus pensamentos, e comprou um maço na frente de Aya. E como Gabrielle não era o melhor exemplo de menina, convocou os amigos. E Aya compartilhou, já que essa era mesmo sua vontade. Mas deixou bem claro que não era sugestionável. E claro que ninguém acreditou. Todo mundo adora apontar o dedo.

 

E foi assim por seis meses, fumando escondida com os amigos. Para os pais não desconfiar, costumava passar em lojas de perfume com as amigas, e experimentar tudo quanto era fragrância no próprio corpo. Quando alguma vendedora preferia borrifar o perfume num papel, esfregavam o papel no pescoço. Mas tinha um problema maior: o cabelo. Esse impregna, e é fatal. A mãe de Aya bem que achou estranho sentir o aroma da fumaça na filha, já que elas apenas passeavam pelo shopping com as amigas. Mas Aya sempre tinha histórias mirabolantes na manga: uma vez inventou que um grupinho de meninas invejosas e idiotas que fumavam – claro, só idiotas fumam, reforçava -, as provocaram, jogando a fumaça do trago em cima delas. Como existe uma boa parcela de adolescentes cabeça-oca, a mãe acreditou. E Aya tratou de ser mais cuidadosa.

 

Mas passaram os seis meses e Aya percebeu que não tinha sentido fumar. Experimentou, como queria. Não gostou, mas havia algo de atraente naquilo, reconhecia. Em filmes, sempre havia alguma mulher poderosa que segurava o cigarro entre os dedos e parecia tão superior… Como também havia aquela decadente que fumava feito condenada, que geralmente também segurava (ou tentava) um copo de whisky. Aya não queria ser nem uma, nem outra. Queria ser ela mesma. E parou. Gabrielle fuma até hoje. Pelo menos é o que pensa Aya, já que as duas não se falam mais. Não têm contato. Na Primavera seguinte, pararam de se falar, mas explicaremos mais adiante. A última vez que a tinha visto, a viu de relance na prova do vestibular, isso há 5 anos. Fumava.

Nesse dia se deu conta onde poderia ter caído. Na verdade, já havia se dado conta quando tinha tomado aquela estúpida decisão. Mas sentiu um certo alívio de ter consciência. Aquela mesma consciência que a sempre fez pensar demais e perder oportunidades. Mas aparentemente, servia pra alguma coisa. Claro, às vezes lhe faltava também, como em qualquer ser humano que possui fraquezas. Porque há aqueles que não possuem, como bem diz Álvaro de Campos, quando diz que está farto de semi-deuses, e como canta Ben Folds em “Bastard”.

 Lembrou-se de uma certa festa, não lembra quando foi. Estava com seu primeiro namorado, Thomas. Lembra de uma tragada que deu em seu cigarro, apesar de ambos não fumarem. Mas Thomas era do tipo que se influenciava ou se impressionava quando os amigos se embebedavam ou fumavam como se fosse a última coisa do mundo. Talvez para se sentirem alguma coisa. Aya não gostava desse show, mas não sabia como funcionava esse mecanismo na época. Acabou dando uma tragada, e lembrou porque havia parado. Então, na verdade, fazia 6 anos.

 

Mais uma vez pensou, se tivesse conhecido Danny antes, talvez nunca tivesse colocado um cigarro na boca.

NP: Blinded – Beseech

Waltz – Craig Armstrong

My Sacrifice – Creed [life's irony].

The Answer Lies Within – Dream Theater

 

Inverno Junho 24, 2008

Arquivado em: Inverno — Eve @ 4:34 am
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Anunciaram o show da Cyndi Lauper. Se fosse outra época, iria ver, mas hoje em dia, não dava mais bola pra pseudo-diva dos anos 80 da voz de taquara rachada. Seja lá o que isso significa…

Seria legal ouvir alguns hits como “Time After Time”, “True Colors”, “All Through The Night”, suas preferidas. Mas lembrou também que ela não era mais dessa laia, e agora preferia cantar jazz e blues, e provavelmente cantaria “At Last”. Então, tudo bem.

 

Mas isso a fez matutar sobre um certo dia em um certo Inverno. Lembrou-se do ex-namorado, Vincent. Não porque ele gostava de Cyndi Lauper, mas porque estava com ele quando gostava muito. E pensou, se estivesse com ele ainda, ele provavelmente iria tirar um leve sarro dela, alertando para o show da cantora preferida dela, embora não fosse. Pensou em como ele diria em tom provocador, já que ele detestava, achava “fraquinho”. Apesar de, mesmo nessa época, ela também não achar que a Cyndi Lauper era grande coisa, gostava de ouvir, simplesmente por ouvir. E detestava ter que explicar por quê. Aliás, detestava explicar o porquê de tudo, odiava dar satisfações a quem quer que fosse.

E isso a fez pensar em outra coisa: que Danny não iria correr pra avisá-la que a pseudo-diva faria um show em SP.  Por que não? Porque ele não acompanhou essa fase mais frenética de Aya, ainda não se conheciam. Sabia que ela gostava de umas duas músicas ou três, mas isso não traria a urgência da notícia. E ficou triste.  Triste porque foi uma fase, que apesar de nada tão especial, Danny não acompanhou, não viveu. Ela não viveu com Danny.

Queria ter conhecido Danny antes daquele Inverno do qual não sentia saudades.

 

NP: Qualms Of Conscience – Diablo Swing Orchestra