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Enough? Junho 25, 2008

Arquivado em: Primavera — Eve @ 5:54 am
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- Sinto saudades de dizer que amo alguém.

- Não diz isso a Marie?

- Digo, mas às vezes, não sei mais se é verdade.

- Mudou o que sentia por ela?

- Sabe, o amor não se molda sozinho. É preciso que duas pessoas queiram. Lembra de como achávamos que o amor de uma única pessoa, sendo grande, era suficiente para duas pessoas. Talvez seja, e talvez meu amor não seja assim tão grande. Ou talvez isso não seja verdade. Em que acreditar?

- Acho que já aprendemos que apenas o amor de uma pessoa pode até fazer milagres, mas não sobrevive sozinho.

- Engraçado, como somos tão calejados… Não queria que soubesse tanto da dor quanto eu.

- Digo o mesmo… Nunca aguentei ver você triste.

- É como eu disse. Tenho me sentido triste o tempo todo. Não gosto mais de mim. Como posso gostar de alguém? Sinto vontade de sumir… Se não fosse por algumas pessoas… Na verdade, elas são realmente muito poucas, sabe. Minha mãe vive bem sozinha, sempre viveu. Sentiria minha falta, sim. Mas ela entenderia. Não sei o que aconteceria a Marie. Talvez aprendesse a ser mais forte, talvez conseguisse acordar. E você, Aya?

- Como assim? O que tem eu?

- Would you miss me?

- Que tonto. Sabe que sim.

- Aya, sabe, eu não vou por você. Eu não consigo ir por sua causa.

- E eu também não o deixaria ir. Sei que soa um tanto egoísta…

- Não soa, sabe por quê? Porque eu sei que sou seu. Acho que meu castigo foi ser seu primo.

- Como assim?

- Se não fôssemos praticamente irmãos… Eu me apaixonaria por você. E talvez isso bastasse, e talvez eu fosse feliz desde criança. E não precisaria sofrer tanto.

- Você não sabe. Damos certo assim. Mas talvez déssemos muito errado como namorados… É até estranho falar assim.

- Talvez. Não podemos dizer, né? Obrigado, Aya. Você sempre me faz muito bem… Hoje vi o quanto é feliz com Danny. Não tinha esse sorriso antes, sabia? Eu vi que ele é especial pra você. Senti uma ponta de inveja… Gostaria de me sentir assim novamente, feliz, verdadeiro. Completo.

- Yoshiki, sei que tem sido difícil. Mas eu ainda acredito que é uma má fase, e que vai passar. Acho que não ajudei muito, andei afastada de vocês, mas a verdade é que eu não sabia me aproximar. Me sentia… culpada. Eu odeio lembrar de quando vi você desabando. Odeio lembrar da Marie machucada. Odeio lembrar da sensação de desnorteamento. Odeio aquele dia, assim como vocês.

- Sei que foi traumatizante pra você também. Mas você é forte… E eu preciso de força, Aya. Estava pensando em…

Yoshiki engoliu em seco. Tinha algo duro pra dizer. Aya entendeu e apenas esperou Yoshiki decidir quando diria.

- Eu pensei em… internar a Marie.

- Internar? Em algum hospital?

- Uma instituição. Nem parece clínica. O psiquiatra dela me recomendou. Talvez seja o melhor pra todos.

- Eu odeio esses lugares…

- Eu também não gosto. Mas me vejo sem opção.

- Como pode achar que isso faria bem à ela? Acho que só pioraria a situação dela. Você vai perdê-la de vez.

- Não sei, Aya. Tenho medo também. Mas já tentamos de tudo. Eu preciso retomar minha vida também, entende?

- Eu não apoio.

Yoshiki ficou desconcertado com a censura de Aya. Aya não se conformava com a idéia do primo, achava que era a pior decisão a ser tomada. Ficaram em silêncio por um tempo, até Yoshiki chegar à conclusão que provavelmente a prima estava certa, e que estava sendo egoísta. Aya entendeu que Yoshiki deveria estar desesperado para tomar tal decisão, e o perdôou. As coisas estavam muito erradas, não poderia ficar pior.

 

NP: How You Remind Me – Nickelback

I Turn To You – Christina Aguilera

Signs Of Life – Journey

Spancil Hill - The Corrs

 

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