Yoshiki e Marie não se viam há algum tempo, mas sempre tinham notícias um do outro. Marie havia aceitado a proposta de uma agência para uma campanha de próximo Outono-Inverno. Com isso, voltara para o mundo do glamour, e consequentemente conseguido outras propostas. Pela primeira vez, Yoshiki estranhou ao ver um anúncio de uma marca e ver Marie nele. Foi estranho porque foi a primeira vez, depois de muito tempo, que não acompanhou a sessão de fotos, que não estava lá. Estava feliz porque via Marie bem, mas sentia sua falta no dia-a-dia, e em todas as coisas.
Marcaram um jantar para colocar o assunto em dia. Marie era outra pessoa, diferente daquela de alguns meses atrás. Yoshiki gostou de vê-la bem, mas ao mesmo tempo sentiu-se mal, pois de certa forma, sentiu-se culpado por aquele estado em que se encontrava. Bastou a distância, para que ela voltasse a ser a Marie de antes. Pelo menos visualmente.
- Você está muito bem. Gostei das novas fotos.
- Eu deveria ter mandado o book. As fotos ficaram lindas, mesmo. Eu realmente gostei. Pude opinar nas fotos.
- Talvez por isso tenha saído tão bonita.
- Talvez. E você, como anda?
- Na mesma, produzindo. Talvez eu viaje para os EUA, para contatar algumas das bandas que produzo. De vez em quando é bom. Não gostaria de vir junto?
- Não posso. Minha próxima sessão de fotos será na França. Mamãe irá comigo, está louca para voltar para sua cidade. Tenho até medo que resolva ficar por lá. Diz que vai arrumar um marido! – riu.
- Mas eu nem lhe disse quando.
- Bem, minha agenda está bem lotada. Voltei à ativa com tudo.
- Deveria ir com calma. Como está fisicamente?
- Ir com calma? Eu estou bem. Sabe que gosto desse ritmo.
- Sim, eu sei. É que talvez fosse melhor voltar com calma antes de cair de cabeça.
- Yoshiki, eu sei me cuidar.
- Sabe?
Havia uma tensão entre os dois. Yoshiki parecia não reconhecer Marie em algumas coisas. Sua postura, a forma como falava, parecia distante. Às vezes não olhava em seus olhos enquanto conversava, com aqueles olhos de esmeralda.
- Você parece estressado. Talvez seja bom viajar pra descansar.
- Eu vou a negócios. É muito corrido, você sabe.
- É, eu bem sei…
- O que quer dizer?
- Nunca teve tempo pra mim nas viagens.
- Isso não é verdade! Sempre passeávamos, eu tinha pouco tempo, mas dedicava a você, sempre.
- Obrigada pelas migalhas.
- Marie, nunca se queixou!
- Porque eu achava que não podia te incomodar com coisas tão… bobas, como meus sentimentos. Mas tenho percebido que me sacrifiquei demais por você.
Yoshiki estava atônito. Não, aquela não era sua Marie. O que dizia não era verdade. Sabia que tinha uma vida corrida, mas sempre gabou-se de poder trabalhar a hora que quisesse, exatamente para dar importância à sua vida. E sua vida era em grande parte, Marie. Foi assim desde o início, até o último dia em que ela decidiu ir embora. Sentia-se tremendamente injustiçado.
- Não sei como pode dizer isso, Marie…
- Bem, vou pegar um drink.
- O quê? Você não bebe…
Antes mesmo de Yoshiki terminar sua frase, Marie estava no bar do restaurante. Yoshiki a olhava e via outra pessoa. Não era Marie ali. Como, em alguns meses apenas, ela poderia ter mudado tanto? Antes de se encontrarem, conversavam sempre ao telefone, e Marie sempre soou bem, mas nunca se aprofundava no que dizia. Yoshiki começou a raciocinar, e chegou à conclusão que havia deixado passar muitas coisas para que Marie não se sentisse pressionada. E talvez isso resultasse numa falsa impressão de abandono.
Um homem estava conversando com Marie. Os dois pareciam se conhecer. Talvez até demais. Yoshiki continuou a observar atentamente. Indignou-se por Marie não dar logo por encerrada a conversa com aquele sujeito, já que estava à sua espera. Remexia-se na cadeira. Mas Marie nem sequer olhava, continuava a conversar com o sujeito. Nem sequer havia apontado para Yoshiki, querendo dizer que estava acompanhada. Yoshiki então notou que Marie não estava usando aliança. Não haviam se casado oficialmente, mas é óbvio que tinham um compromisso, que era mais do que um simples namoro.
Yoshiki começou a se irritar com a espera. Marie não parecia se importar em fazê-lo esperar, parecia mesmo mais interessada na conversa. Então, o sujeito passa levemente a mão em seu cabelo. Marie não o afasta, apenas se desvencilha com um leve movimento. Aquilo bastou. Yoshiki levantou-se e foi embora, sem olhar para trás. Marie, ao ver que Yoshiki tinha ido, desculpe-se com a então companhia e foi atrás.
- Yoshiki! Espere! Aonde vai?
- Onde acha que vou?
- Yoshiki, não seja imaturo.
- Marie, acho que já tem companhia para a noite. Não era o que eu havia planejado, mas vá lá, divirta-se. Acontece que hoje encontrei a Marie errada, me desculpe.
- Sou a mesma Marie que conheceu.
- Não é. Tome, fique com o troco.
Yoshiki jogou algumas notas de dinheiro em Marie e entrou em seu carro.
NP: Bird Girl – Antony And The Johnsons
Eu nao acredito que alguem tenha feito isso com ele…
se ele (yoshiki ) me convida p jantar , eu carrego ele no colo, cuido como se cuidaria de um anjo bom ..
Marie foi grosseira , no minimo ke poderia fazer ser gentil , respeitar ao menos o convite , agiu como uma mulher qualquer ..
bju