The Luckiest

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Echoes Julho 31, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 3:35 am
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Aya e Marie conversaram por mais algum tempo. A conclusão que Marie tirou da situação é que Yoshiki deveria seguir em frente, sem ela. Pelo menos por aquele momento. Em sua cabeça, pesava a idéia de Alice com Yoshiki, que poderiam voltar, e preferia nem estar viva a saber disso. Parecia exagero, mas não era. Seria doloroso demais. Isso também mostrou a ela o quanto ainda amava Yoshiki e não queria perdê-lo, mas não sabia como tê-lo de volta. Achava que era preciso mais do que simplesmente voltar. Precisava se reconstruir. Tinha esperança de que o tempo fosse generoso com ela, com seu coração. Com o coração de Yoshiki.

Aya não saiu com a sensação de missão cumprida como gostaria, mas fez o que podia. Entendeu a delicada situação, ou tentava entender, e não sabia o que poderia fazer para ajudar o primo. Também estava preocupada, apesar de tudo que Yoshiki dissera, de que tivesse uma recaída por Alice. Mas acreditava que seu coração batia por Marie agora. Mas por quanto tempo?

Aya estava na estação do metrô, aguardando-o.  Era um pouco antes do horário de pico, a estação já estava um pouco cheia, principalmente porque o trem estava demorando a vir. Reparou que havia uma exposição de fotos na plataforma, e já que o trem demorava, decidiu ver. Gostava de artes, em todas as suas formas. Não perdeu tempo e foi ver.

Eram fotos em preto-e-branco, retratando cenários, pessoas, fatos comuns, rotineiros. E mesmo coisas tão casuais pareciam bonitas através da lente de quem as sabia captar. Conforme ia vendo as fotos, lembrou de alguém que provavelmente iria gostar daquelas fotos. Gostava de compartilhar coisas bonitas quando encontrava, e sentiu um certo pesar porque dessa vez, não poderia compartilhar com a pessoa que veio à sua mente.

Teve então, uma surpresa, e um susto. A última foto. Aquela sombra, aquele jardim… Não lhe era nada estranho. Engoliu em seco, sentiu uma lágrima se formando, e lutando para manter-se ali em seu olho, até que secasse. Não era possível. Algo lhe corrompia dentro de si, enquanto não conseguia pensar em nada, e não conseguia tirar os olhos daquela foto em preto-e-branco. Não teve coragem de olhar para o nome do expositor, tentando encontrar alguma saída para aquele tormento. Até que ouviu uma conhecida voz.

- Gostou das fotos?

Aya relutou em virar-se. Mas precisava reagir. A lágrima secara, pois havia prometido a si mesma que nunca mais derramaria lágrimas por causa desse sentimento que a matava por dentro.

- Sabia que tinha algo seu nisso.

- Bem, todas são. Lembra dessa foto? – apontando para a foto que a fez estremecer.

- Claro… Não poderia esquecer.

Aya bem que gostaria de ter mentido, mas a verdade é que esta foto era mesmo inesquecível. Mostrava um pequeno jardim, florido, e a sombra de alguém de cabelos compridos, buscando flores. Aquela sombra era de Aya, e embora não aparecesse seu rosto, nem nada, era a foto mais bonita que haviam tirado dela. Como bem dizia a legenda foto: “Essência”.

A vida pregava uma nova peça. Aya não sabia porque andava pensando muito em coisas passadas, que a faziam sofrer, trazendo tudo à tona, até que deparou-se com o passado. Era Phill que estava ali, promovendo sua pequena exposição.

Phill ocupava um lugar no passado de Aya, o lado mais sombrio, mais escondido, o mais doloroso.

- Gostou da exposição?

- Sim… Muito bonita. Parabéns.

- Espero que não se importe de eu ter usado a foto.

- Esta? Ah, claro que não. Nem há como saber que sou eu nesta foto…

- Claro que é possível. Esta sombra não me engana… E rodeada de flores. Só poderia ser você.

Aya odiava ficar sem resposta. Odiava ter que responder com os olhos, então simplesmente não olhou nos olhos de Phill. Tinha um problema com isso. Com Phill, sempre houve uma ligação inexplicável, uma comunicação com os olhos, como não costumava acontecer com outras pessoas. Odiaria sentir essa conexão novamente, ao mesmo tempo que pensava em virar-se, e perceber que talvez não existisse mais conexão. Era sempre uma reviravolta dentro de si, uma confusão de paradoxos lutando entre si. Decidiu então procurar pelo trem, que havia chegado. Na verdade, desde que viu sua foto, haviam passados dois trens e nem se dera conta.

 

- Já vai?

- Sim, estava só de passagem.

- Meio irônico dizer isso numa estação de metrô.

- Pois é. Deveria escolher um lugar melhor para expor suas fotos. Todos passam muito depressa por elas.

- Talvez seja essa a inteção. Assim como todos passam depressa pela vida.

“Só se for pela sua”, pensou Aya. Conflitava agora um sentimento de pena e raiva. Pena, porque Phill sempre parece sozinho. Raiva, porque ele sempre quis ser exatamente assim.

 

NP: Twisted Mind – Avantasia

The One – Elton John

Beautiful Lie – 30 Seconds To Mars

 

The Story Ain’t Over Julho 11, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 4:56 am
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Já que por enquanto não conseguia se resolver, Aya foi atrás de resolver problemas alheios. Pediu tempo à Yoshiki, para que na verdade ela pudesse conversar com Marie. E foi o que fez. Marcou um encontrou, e ao contrário do que Aya imaginava, Marie aceitou prontamente.

- Como vai, Aya? Faz tempo que não nos vemos. É até estranho.

- É verdade. É estranho quando pessoas da nossa convivência… somem.

- Eu não sumi, só me mudei. Sabe como me encontrar e aqui estamos. E então?

- Bom, Marie, primeiro, eu queria saber como você está, de verdade.  Fiquei preocupada desde que foi embora.

- Fico feliz que tenha se preocupado comigo. Senti sua falta, sabia? Mas eu estou bem, Aya. Estou melhor do que quando estava lá. Eu sentia que estava me afundando, e não sabia como me levantar. E o que mais me doía é que eu sentia que levava Yoshiki junto comigo.

- Eu entendo isso… Mas o que eu não entendo, é por que quando estava com ele não conseguia fazer nada do que faz hoje? Por que, por exemplo, não voltou a trabalhar enquanto estava com ele? Lembro de várias vezes que ele lhe falava sobre isso.

- Aya, isso é uma coisa que nem eu mesma entendo. Eu não entendo até hoje porque precisei sair de perto de Yoshiki pra me reerguer. Apesar de todo o apoio que ele me deu, eu não conseguia. Me sentia presa, de certa forma. Eu sei que vai parecer ingratidão, dessa forma. Mas acho que o que me fazia mal, de certa forma estava ligado à ele. E talvez isso não me permitisse crescer novamente. É o que eu penso, sinceramente.

Aya não sabia o que dizer. Não entendia o que Marie dizia, mas ao mesmo tempo fazia sentido. Pelo jeito que a conversa continuava, Aya temia pelo primo. Sentia que Yoshiki iria sofrer com tudo isso.

 

- Eu o amo, Aya. Eu amo muito o Yoshiki, mas não consigo. Não agora. Acho que eu preciso disso, e ele também. O dia em que nos encontramos no restaurante, eu fui uma idiota. Tentei mostrar uqe a vida continua  da pior maneira, mas ao mesmo tempo achava que era a maneira menos dolorosa pra ele, através da raiva. Não sei como pude pensar isso… é a pior maneira de dizer algo a alguém. Eu nem consegui sentir raiva da atitude dele, porque eu sabia como estava sendo idiota.

- É, Marie… Ele acha que você nem é mais a mesma.

- Eu queria que ele acreditasse nisso.

- Eu não entendo por quê…

- Pra quem sabe, ele poder se apaixonar novamente. Pela antiga Marie, pela nova Marie, ou por outra pessoa. E ser feliz. Esquecer tudo o que passou. É o que eu desejo… Há muitas coisas que eu quero esquecer.

- Marie, ele ainda te ama, e muito. Deveria conversar com ele.

- Ainda não, Aya. E por favor, não fale sobre essa conversar com ele, está bem? Confio em você.

- … Entendo.

Aya sentia-se traindo a confiança do primo, mas ao mesmo tempo era para seu bem. Aquelas palavras de Marie não faziam sentido naquele momento, mas Aya matutou e acabou entendendo, de certa forma.

 

- Sabe quando o procurou esses dias? A Alice.

-… Aquela Alice?

- É. Yoshiki vai produzir um álbum dela.

Marie ficou cabisbaixa. Aquilo a golpeou, doeu. Alice sempre foi o fantasma na vida dos dois. Aya não sabia ao certo se deveria falar, mas já tinha começado. Sentia traindo Yoshiki novamente, mas ao mesmo tempo queria ver a reação de Marie. Era óbvio que não iria gostar, já que dizia que ainda o amava.

 

- E como está Yoshiki com isso?

- Está bem. Reagiu muito bem. Fiquei com medo quando a vi no estúdio, confesso. Mas ele está bem, sabe, ele superou isso já…

- Eu acho que ele nunca vai superar…

- Não é bem assim. Ele mesmo disse que estava bem, e estava bem porque viu que as coisas são diferentes do que imaginava. Nem ele tinha idéia de que tinha superado essa história. Eu acredito que não há mais espaço para essa história na vida dele… Foi bonito, foi sofrido e tudo mais. Não está mais preocupado em enterrar tudo isso, em superar. Ele já o fez.

- E podemos ter certeza de coisas assim? Isso sempre me incomodou. Sempre.

Yoshiki sabia disso. E agora, lamentava-se, pois percebeu que às vezes não se dava na relação como Marie, exatamente por manter um pé nas más lembranças. Era feliz com Marie, sempre foi, mas aquela tristeza toda que sentia por causa da história mal resolvida com Alice sempre destoava, às vezes em maior ou menor grau. Isso o cegava, não permitia ver o que diante de si. Sentiu-se mais triste ainda, percebendo isso. Queria tanto Marie perto dele… Sentia sua falta, em tudo que fazia. E sentia que ela tinha ido embora por sua causa. Questionava se tinha sido um bom companheiro como ela merecia. E a resposta que vinha à sua cabeça era “não”. Sentia que havia tanto ainda a fazer por ela, que havia tanto pra viver ao seu lado. Sentia que aquela história não havia terminado.

 

NP: Fields Of Gold – Eva Cassidy

Salka – Sigur Rós

 

Extremos Julho 9, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 5:57 am
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 - Como vocês está?

- Bem.

Yoshiki olhou para Aya, e sorriu. Entendia a preocupação da prima, mas estava realmente bem.

- Posso perguntar?

- Claro. O que quer saber?

- Como foi vê-la depois de tanto tempo.

- Doloroso…

- Mas você disse que estava bem.

- E estou. Mas calma, não me deixou terminar de responder.

- Tá bem… continue.

- Como eu disse, foi doloroso. Ela apareceu na minha porta e eu devo ter reagido como se tivesse visto um fantasma. Ela se manteve estática, sorrindo, mas ela tinha uma vantagem, ela já sabia que me viria. Eu fui pego totalmente de surpresa. Apesar de ter sido um leve soco no estômago, também fiquei feliz quando a vi.

- E depois?

- Depois começamos a conversar e o nervoso foi passando… Ela foi falando da banda, da música, e eu tentei colocar meu lado produtor à frente. Deu certo porque fiquei mais descontraído. Conversamos muito tempo sobre música. Depois de um certo tempo, acabamos chegando no assunto que realmente queríamos chegar, acho.

- Sobre vocês?

- Sobre a vida. Como ela andou, como eu estava. Conversamos um pouco por cima, mas foi bom. Fiquei feliz de ver que ela está bem, que superou problemas que a faziam infeliz… Ou pelo menos está lidando bem melhor com eles. Porque acho que existem coisas que não superamos às vezes… Mas aprendemos a lidar de forma que… não sei, que dê pra levar adiante, não é?

- Acho que sim…

- Foi bom conversar com ela e ver que está bem.

- Mas e você? Ficou bem com isso?

- Aya, não é fácil, claro. Mas quando eu lhe disse que estava tudo bem, eu realmente quis dizer isso. Não foi fácil, doeu, dói. Não vou mentir. Mas foi bom ver aquele velho rosto aqui hoje. E ver que eu posso olhar pra ela sem querer chorar, sem querer sumir. Sem querer me despedaçar de novo… Você sabe que demorou tanto pra eu me juntar novamente. Mas eu fiquei feliz por mim, também. De ver que eu consigo viver com isso, apesar de cutucar. Eu só acho que cutucou na verdade porque… Porque foi muito tempo sem ver ou sem saber dela.

- Acho que entendo… Mas e agora? Vai produzir a banda dela?

- Acho que sim. Eles são bons. Não é só porque é a Alice… Ela sempre compôs coisas bonitas. E ela está trabalhando com pessoas competentes.  Ela já tem a gravadora, e eles vão lançar o disco primeiro na Europa, já têm tudo planejado. Então acho que produzi-los vai ser legal.

- Como acha que vai ser vê-la sempre enquanto produzir o álbum?

- Você quer me testar.

- Mais ou menos… Quero saber seu limite.

- Não acho que vá ser mal, no sentido de ser realmente mal pra mim. Não digo que não é estranho. Mas sabe o que isso tudo me fez perceber?

- O quê?

- Que eu não sinto mais falta do meu passado. Eu sinto falta do meu presente. E meu presente… ainda é Marie.

- Então, é possível mesmo enterrar tantas feridas?

- Eu acho que sim. Acho que elas não se curam totalmente… Não quando é tão profundo assim. Talvez seja como perder um rim, um pulmão, um braço, perder parte de você… Tem como substituir? Não. E você não consegue substituir o que foi perdido. E é também como aquela dor fantasma de quem perde um membro e ainda sente dor nesse mesmo membro. Não está mais lá, mas você sente. Se nosso organismo, nosso cérebro que é tão preciso, se engana, porque nosso coração, nossas emoções também não podem se enganar? Mas infelizmente algumas respostas demoram a chegar porque compreendemos isso tão pouco…

- E agora? Como vai resolver essa falta do presente?

- Não sei, Aya. E é aí que mais uma pergunta se cria: será que a Marie que amei já faz parte do meu passado? Já que a Marie de alguns dias atrás não parecia mais a mesma que conheci… Estou de novo caindo no erro de sentir falta do meu passado?

- Acho que está se precipitando. Deveria dar uma nova chance a ela, conversar com ela. Não acredito que as pessoas possam mudar tanto de repente… Digo… Não sei, acho que podem…

- Experiência própria, hum?

- Posso dizer que sim. Mas sabe que cada um é cada um. Converse com ela. Sabe que tem que tentar.

- Eu sei. Só falta coragem agora…

- Dê um tempo. Além do que, eu acho que ela deve estar muito brava com o que você fez…

- Eu sei. Eu estava com raiva. Nunca agiria assim com ela nem com ninguém… É estúpido dizer isso, mas eu só agi assim porque a amo demais. Ninguém mais me faria agir dessa forma, tão desesperada.

- Realmente soa estúpido…

- Err…

- Mas é verdade. Uma única pessoa pode nos levar ao céu e ao inferno… Pode nos levar aos extremos.

- Então é verdade que amor e ódio andam juntos.

- Talvez. Mas você sabe… não é assim… é?

- Acho que não. Mas e você? Como estão as coisas?

- Normais, acho.

- Acha? Normal? Normal não é bom.

- Não? Anormal é bom, então?

- Ah, você entendeu. Quando as coisas estão bem, ninguém responde que está normal! Aí já tem algo de errado… Normal quer dizer tédio.

- Ah, que rebelde…

- Você entendeu.

- É… talvez tenha razão. Não acho que normal seja bom. Se eu não respondi que as coisas estão bem, isso não deve ser normal. Ah, enfim…

- O que não anda bem?

- Acho que nada…

- Como assim, nada? E você não me diz nada?

- Ah, você deveria saber que eu não saio falando…

- Bem, isso é verdade. Desculpe, eu ando meio relapso.

- Não precisa se desculpar. Você não precisa ouvir o problema dos outros quando se está cheio de outros.

- Bom, não precisa me enrolar. Desembucha.

- O problema é que… Ah, o problema deve estar… O problema deve ser eu. Eu não ando bem, consequentemente nada à minha volta anda bem, nada funciona. Ando cansada, abatida, pensativa, pensando em coisas que não me fazem bem, e nem entende porquê… Espero que seja só mais uma fase… Pior que nem TPM é.

- É muito estranho como vocês têm esperança na TPM. De que isso tudo se vá com a chegada da menstruação… Ser mulher deve ser esquisito… Muito hormônio no coração…

- O pior que é assim pra muitas pessoas… Eu queria que fosse assim pra mim também. Pelo menos eu me livraria de muitos problemas com uma semana de chatice, iria valer a pena menstruar… Enfim, papo estranho.

- Você é amaldiçoada, não tem TPM…

- Engraçado, algumas diriam que eu sou sortuda.

- Eu sei, estava sendo irônico…  Bem, sendo TPM ou não, espero que passe.

- Eu também…

 

Yoshiki não quis perguntar à prima o que havia de errado. Desconfiava, e se estivesse certo, preferia não tocar no assunto, que era quase um tabu. Mas entendia, o que lhe fazia mal, realmente lhe fazia muito mal, assim como era com ele, embora percebera que não havia mais nada pra se preocupar com o passado. Estava de bem consigo mesmo, depois de muito tempo. Mas estava preocupado com Aya agora. Yoshiki se abria quando precisava, mas Aya não fazia o mesmo. Não era fácil fazê-la conversar quando estava mal, então achou melhor não pressionar. Diria quando estivesse pronta.

 

NP: Set The Fire To The Third Bar – Snow Patrol [Feat. Martha Wainwright]

Gone Too Far - Allen & Lande

I’ll Stand By You – Rod Stewart

The Forgotten Ones – Allen & Lande

Frozen – Madonna

The End Of August – Yanni

 

Muralhas Julho 9, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 5:07 am
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Danny sentia que havia algo errado ultimamente, mas não sabia o que era. Aparentemente, estava tudo bem com Aya. Conversavam, riam, ouviam música juntos, fazia tudo o que sempre fizeram. Mas algo andava diferente. As conversas eram rasas, sobre coisas do dia-a-dia. Não havia nada de errado com isso, mas sentia falta das conversas que tinham antigamente.

Também pudera, não se viam mais com tanta freqüência: ambos estavam trabalhando e estudando muito. Apesar de estudarem na mesma Universidade, não tinha tempo pra se ver, pois estavam sempre em horário de aula. Não havia tempo para brechas. Viam-se no fim de semana, ou sempre que podiam. Danny pensava que talvez isso pudesse ter afetado um pouco a relação que tinham, que era tão mais próxima, e por causa da maldita rotina, as coisas estivessem um pouco mais devagar. Ou será que tinham ido muito rápido?

Desde que se conheceram, sempre tiveram longas conversas, justo os dois, que sempre se acharam sem assunto no convívio social. Mas um com outro, conversavam horrores, sobre tudo. E achavam engraçado isso. Era assunto que não faltava mais… E depois vieram as “DRs”, as discussão de relacionamento. Poderiam ficar horas falando disso.

Danny começou a se lembrar dessa época. Às vezes, era difícil ouvir o que Aya tinha a dizer. Em outras, era difícil dizer a Aya. Não era fácil para os dois conversarem de coisas passadas. A maioria das DRs eram assim, sobre coisas passadas, pra conhecerem um ao outro melhor, porque raramente tinham problemas na relação. Sempre foram muito abertos um com o outro, às vezes até demais. Houve uma época em que Aya não suportava mais essas DRs: não conseguia mais ouvir sobre outras garotas que já existiram na vida de Danny. Começava a imaginar como era, a pensar nos maus momentos que Danny passou, nas feridas que deixaram. Isso a deixavam mal. Danny no começo não ligava em saber da bagagem de Aya. Sabia praticamente tudo sobre Vincent e Thomas. Detestava Vincent, entre os dois. Em relação a Thomas, era apático, não ligava muito, talvez porque Aya falava menos dele. Só que Danny não sabia porque Aya não falava muito de Thomas: Aya achava que havia muitos detalhes da vida de Danny que eram parecidos com a vida de Thomas, no campo amoroso. Thomas provavelmente foi o que mais sofreu quando terminaram. E essa dor arrastou-se como um verdadeiro luto, por muito tempo. Talvez existisse até hoje, depois de muitos anos. Aya via isso em Danny também, por isso preferia não comentar muito.

Danny preocupava-se que poderia ser alguma coisa do passado de Aya voltando à tona. Alguma coisa incomodando-a. E se fosse, sabe que não seria nada relacionado a Thomas ou a Vincent. Só de pensar Danny sentia-se mal… Justo agora, que todas as muralhas haviam sido derrubadas. Por muito tempo, Danny construiu um muro, cada vez mais alto, para proteger-se de todas as coisas que lhe faziam mal. Claro que esse muro não é impenetrável, mas o protegia. Sabia defender-se sempre que precisava, mas odiava manter-se na defensiva. Não queria mais ter que se defender das pessoas que amava, não queria mais se proteger do mal que elas poderiam lhe causar. E foi quando encontrou Aya, que sentia que não precisava mais do muro, porque sentia que Aya se desfazia de cada tijolo junto com ele. Nunca havia sido tão sincero e tão ele como era com ela. Isso o fez derrubar todas as suas defesas, e viver livre.

Mas os dias passavam, e as coisas andavam estranhas. Sentia que não era a hora de conversar sobre isso. Sabe que Aya falaria quando quisesse. Mas Danny sentia um pequeno muro sendo construído novamente, para se proteger de uma eventual dor. Não queria sofrer. E sofrer agora, depois de tudo, parecia pior do que tudo que já havia passado.

Aliás, era engraçado a relação que tinha com Aya: nunca havia sido tão feliz com alguém. Mas ela também poderia ser a única pessoa que poderia magoá-lo profundamente. Era quem o fazia muito feliz, ou muito triste. E nos dois casos, não precisava de muito.

 

NP: The Scent Of Love – Munich Philharmonic Orchestra conducted bt Michael Nyman

Avemano Orchestral – Era

Another Life – Mostly Autumn

Apart – Lacrimosa

 

Ghosts Julho 7, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 3:08 am
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Aya pensava em uma música que não havia faz tempo, às vezes que nem era do seu gosto. E por alguma razão, ela surgia. Pensava em um filme velho, e ele passava na TV. Pensava em alguém, ligavam.  Eram coisas aleatórias que no momento em que eram pensadas, não faziam sentido. Mas depois, isso surgia de alguma forma, como se fosse um aviso. Existem coisas que ninguém explica, mesmo.

Aya achava que era uma espécie de sexto sentido. Apesar do ceticismo, gostava de conservar um lado com um pé nas coisas inexplicáveis. Achava que dava um sentido especial a algumas coisas, que não precisava entender ou racionalizar.

Andou pensando em uma pessoa. E num certo dia no Verão, foi visitar Yoshiki e a encontrou.

 

- Olá, Aya. Quanto tempo. Você… mudou!

- Olá… Alice.

- Alice tem uma banda, Aya. Legal, não? Estou ouvindo. Ela quer que eu os produza.

Aya: …

Alice: Não sei se é o tipo de som que curte. Lembro que gostava de umas coisas pesadas, e era bem intolerante a outras coisas…

Aya: Não, eu nunca fui tapada. Gosto de muitas coisas, o que é bom, é bom.

Yoshiki sentia a hostilidade de Aya em relação a Alice. Sempre soube que não gostava de Alice. E Alice, não gostava muito de Aya também, porque sabia que Aya interferia como podia entre os dois, porém nunca contou a Yoshiki.

Aya: Bom, já que está trabalhando, volto outra hora.

Yoshiki saiu do estúdio com Aya. Explicou que Alice apareceu do nada, depois de 7 anos que não se falavam.

Aya: Com tanta gente ela tinha que procurar você? E daí que você é o melhor?

Yoshiki: Aya, o que posso fazer? Ela apareceu, conversamos… E… Está tudo bem.

Aya: Bom, você sabe o que faz. Mas lembre-se de tudo que já passou. Consegue pensar sem fazer seu coração palpitar? Se quiser sofrer, se quiser se revirar novamente, você quem sabe. E você sabe que eu nunca falo isso pra você.

Yoshiki: Sabe o que é engraçado? Quando ela chegou, eu estava tocando “The Last Song” no piano…

Aya:… A vida é engraçada, né? Joga uns sinais.

Yoshiki: Vou resolver isso, Aya. Obrigado por se preocupar. Não precisa ficar se não quiser.

Aya: Acho que não quero mesmo. Desculpe, mas não gosto dela. Mas ao mesmo tempo fico preocupada em deixá-la com você… Mas você é bem grande e toma suas decisões. Eu volto outra hora…

Yoshiki: Tudo bem. Nos falamos depois. Não se preocupe, eu sei me cuidar.

 

Aya deixou o apartamento de Yoshiki com um certo pesar. The Last Song já ecoava em sua cabeça, com toda aquela tristeza, com aquela melancolia. Sentia até calafrios só de pensar.

Podia ser só impressão, mas Yoshiki parecia bem, mesmo. Quando entrou no estúdio, estavam rindo, e Yoshiki não parecia rir para não contrariar, parecia que estava com um velho amigo. De certa forma, era verdade, mas um amigo não nos faz sofrer tanto, pensou Aya. Talvez ele estivesse bem. Talvez toda aquela tristeza tenha sido enterrada de vez. Será que então era possível fazer as dores mais profundas irem embora? Será que era possível ser 100% feliz, era possível conviver com isso e viver bem? Qual era a verdade nisso tudo?

A conclusão que tirava é que não existia a verdade única para todos. Provavelmente a dor de cada um, era mais rasa ou mais prounda, ou cada um era mais forte ou mais fraco. O problema, é que não via a sua dor indo embora da mesma forma…

 ”Watching the stars till they’re gone
Like an actor all alone
Who never knew the story he was in
Who never knew the story ends…”

NP: Here Comes The Rain Again – Eurythmics

The Last Song – X Japan