Aya pensava em uma música que não havia faz tempo, às vezes que nem era do seu gosto. E por alguma razão, ela surgia. Pensava em um filme velho, e ele passava na TV. Pensava em alguém, ligavam. Eram coisas aleatórias que no momento em que eram pensadas, não faziam sentido. Mas depois, isso surgia de alguma forma, como se fosse um aviso. Existem coisas que ninguém explica, mesmo.
Aya achava que era uma espécie de sexto sentido. Apesar do ceticismo, gostava de conservar um lado com um pé nas coisas inexplicáveis. Achava que dava um sentido especial a algumas coisas, que não precisava entender ou racionalizar.
Andou pensando em uma pessoa. E num certo dia no Verão, foi visitar Yoshiki e a encontrou.
- Olá, Aya. Quanto tempo. Você… mudou!
- Olá… Alice.
- Alice tem uma banda, Aya. Legal, não? Estou ouvindo. Ela quer que eu os produza.
Aya: …
Alice: Não sei se é o tipo de som que curte. Lembro que gostava de umas coisas pesadas, e era bem intolerante a outras coisas…
Aya: Não, eu nunca fui tapada. Gosto de muitas coisas, o que é bom, é bom.
Yoshiki sentia a hostilidade de Aya em relação a Alice. Sempre soube que não gostava de Alice. E Alice, não gostava muito de Aya também, porque sabia que Aya interferia como podia entre os dois, porém nunca contou a Yoshiki.
Aya: Bom, já que está trabalhando, volto outra hora.
Yoshiki saiu do estúdio com Aya. Explicou que Alice apareceu do nada, depois de 7 anos que não se falavam.
Aya: Com tanta gente ela tinha que procurar você? E daí que você é o melhor?
Yoshiki: Aya, o que posso fazer? Ela apareceu, conversamos… E… Está tudo bem.
Aya: Bom, você sabe o que faz. Mas lembre-se de tudo que já passou. Consegue pensar sem fazer seu coração palpitar? Se quiser sofrer, se quiser se revirar novamente, você quem sabe. E você sabe que eu nunca falo isso pra você.
Yoshiki: Sabe o que é engraçado? Quando ela chegou, eu estava tocando “The Last Song” no piano…
Aya:… A vida é engraçada, né? Joga uns sinais.
Yoshiki: Vou resolver isso, Aya. Obrigado por se preocupar. Não precisa ficar se não quiser.
Aya: Acho que não quero mesmo. Desculpe, mas não gosto dela. Mas ao mesmo tempo fico preocupada em deixá-la com você… Mas você é bem grande e toma suas decisões. Eu volto outra hora…
Yoshiki: Tudo bem. Nos falamos depois. Não se preocupe, eu sei me cuidar.
Aya deixou o apartamento de Yoshiki com um certo pesar. The Last Song já ecoava em sua cabeça, com toda aquela tristeza, com aquela melancolia. Sentia até calafrios só de pensar.
Podia ser só impressão, mas Yoshiki parecia bem, mesmo. Quando entrou no estúdio, estavam rindo, e Yoshiki não parecia rir para não contrariar, parecia que estava com um velho amigo. De certa forma, era verdade, mas um amigo não nos faz sofrer tanto, pensou Aya. Talvez ele estivesse bem. Talvez toda aquela tristeza tenha sido enterrada de vez. Será que então era possível fazer as dores mais profundas irem embora? Será que era possível ser 100% feliz, era possível conviver com isso e viver bem? Qual era a verdade nisso tudo?
A conclusão que tirava é que não existia a verdade única para todos. Provavelmente a dor de cada um, era mais rasa ou mais prounda, ou cada um era mais forte ou mais fraco. O problema, é que não via a sua dor indo embora da mesma forma…
”Watching the stars till they’re gone
Like an actor all alone
Who never knew the story he was in
Who never knew the story ends…”
NP: Here Comes The Rain Again – Eurythmics
The Last Song – X Japan