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Second Love Setembro 8, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 4:24 am
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Yoshiki estava empenhado no trabalho com Alice. A banda gravou por um dia inteiro algumas faixas, nas quais Yoshiki trabalhou dias sem sair de casa. Quando tinha idéias para produzir um disco, gostava de dedicar-se exaustivamente. Acreditava que assim trabalhava da melhor forma, embora ninguém concordasse. Aya era uma delas.

 

- Você é louco. Aposto que nem está comendo direito.

- Admito que não estava. Mas hoje já estou terminando, me desligando um pouco. Senão fico louco, né? Não é bom ficar tanto tempo na mesma coisa, senão já não distinguo mais nada.

- E como foram esses dias?

- Foram produtivos. A banda é muito boa, muito criativa. As idéias fluiam facilmente, deu tudo certo. Acho que ficará bom, Aya. Precisa ouvir.

- Sim, preciso. Mas sei que, em tudo que você põe a mão fica bom, eu acredito.

- Aya, não tire o crédito da banda. Se não fossem eles… E somente eles, esse disco não teria ficado bom.

- Você diz isso porque acha que estou atacando a Alice, mas não é isso. Não tenho nada contra ela… musicalmente falando.

- Ok. Pode parar com a ironia e chegar ao ponto.

Aya se espantou porque Yoshiki foi um pouco seco ao dizer isso. Como a velocidade do pensamento é mais rápido que um piscar de olhos, em menos de 10 segundos, passou pela cabeça de Aya, a cena de Yoshiki gravando com Alice, eles se dando extremamente bem, Yoshiki feliz por estar ao lado de Alice novamente, Yoshiki se afundando, Yoshiki se cegando, ficando até mesmo contra ela.

- Calma… Não quis ofender.

- Não ofendeu. Só me fala onde quer chegar.

- Lugar nenhum, tá? Pode parar de ficar na defensiva.

- Não estou na defensiva.

Aya se aborreceu com o primo, algo que não acontecia há muito tempo para quem passa muito tempo juntos. Não queria conversar, então decidiu que iria embora. Yoshiki percebeu, e nem entendia como esse aborrecimento havia acontecido.

- Calma aí, nervosinha. Deixa eu terminar umas coisas? Já saio do estúdio. Você vai me levar pra tomar um sorvete porque deve estar um calor infernal lá fora, eu finalmente vou ver o sol depois de alguns dias, e a gente vai conversar.

Aya não respondeu, apenas saiu do estúdio e foi esperar na sala. Estava mesmo irritada, e era bem orgulhosa quando estava irritada com alguém. Ainda mais quando sabia que tinha razão. Mas, tinha razão no que nisso tudo? Sabia mesmo que estava provocando Yoshiki em relação a Alice. Mas o que a irritou mesmo foi a idéia dele possivelmente ter sido contaminado por ela em questão de dias. Mas foi só uma idéia, sabia que não tinha acontecido de fato. Começava a se preocupar.

Saíram pra tomar o tal sorvete. Aya não falava nada no caminho. Yoshiki tambem não, porque sabia que Aya estava irritada, e nem conseguia fazer um contato visual, já que Aya colocou um pesado óculos escuros. Yoshiki se sentia injustiçado, mas mesmo assim não sabia como chegar na prima, e não queria entregar-se ao orgulho. Ficou aliviado quando a caminhada terminou e eles entraram na sorveteria. Decidiu falar o que achava que Aya queria ouvir, embora soubesse que não devia explicações a ninguém. Mas com Aya era diferente.

 

- Foram dias cheio de trabalho. Nem tive tempo pra pensar em nada, o que de certa forma é bom.

- Não teve tempo pra pensar em quê? No que gostaria de ter pensado?

- Eu pensei em muitas coisas, sim. Quando descansávamos, era estranho estar ao lado de Alice. Ver uma pessoa, lembrar de outra. Eu via Alice de hoje, lembrava da Alice de ontem. Doía… Era triste. É triste sentir que perdemos alguém. Hoje ela é outra pessoa. Por tanto tempo, o que eu mais queria era um momento com ela… E quando eu finalmente tive, algo balançou aqui dentro. Algo s quebrou, como uma decepção. Algo como, ‘tarde demais’.

Aya sentia uma lágrima vindo, mas Yoshiki se conteve. Aya percebeu que aquele abatimento não era de tantos dias trabalhados sem ver o sol. Era sempre assim quando falava de Alice antigamente. A face da derrota.

- Embora isso tenha sido o que sonhei por muito tempo, percebi que esse sonho foi em vão. Como se eu tivesse criado a idéia de perfeição sem saber o que era perfeito de verdade. Alice era uma concepção, uma idéia, depois desses anos todos, sonhando. E eu não quero isso. Desde que Alice voltou, eu sempre soube. Mas acho que precisava sentir isso quebrando dentro de mim.

Yoshiki finalmente caiu em lágrimas. Aya sentiu um desespero nessas lágrimas, e sentiu-se com aquela velha sensação de impotência.

- E agora, o que eu mais quero, novamente eu não posso ter. Uma vez foi a Alice, agora vou criar o conceito Marie? Eu não quero isso de novo. Não quero sentir, quero rasgar meu peito e fazer tudo que sinto de ruim, e mesmo o que sinto de bom, que é o que cria o que me faz mal, ir embora. Não quero sonhar, planejar, imaginar como ela está, não quero tudo de novo. Mas eu não posso evitar… de novo.

Aya queria contar da conversa que teve com Marie, mas não sabia se era o certo a fazer. Ao ver o desespero de Yoshiki, parece que tudo valeria. Mas precisava pensar. Não podia criar uma expectativa que pudesse não existir.

 - Yoshiki, você ainda não lutou. Dê um tempo, você sabe que ela precisa disso. A última vez que se viram foi ruim. Deixe o tempo dizer o que vai acontecer.

- Deixar o tempo construir meus muros novamente… É isso o que vai acontecer.

- Talvez. Eu sei como é esse sentimento de desespero de que nada vai dar certo. Mas não é o fim. Acredite nisso. Você pode fazer muito ainda.

- Não sei… Não sei se quero percorrer esse caminho de novo.

 

Aya sabia que essa história realmente não teve um fim. Como havia dito a Danny, quando duas pessoas se amam de verdade, elas encontram um jeito. Isso acalentava um pouco, pois sabia que realmente se amavam. Talvez Yoshiki pudesse se acalmar também, mas não sabia como Marie ainda se sentia. Aya odiava esses desencontros do coração. Por que as coisas não poderia ser mais fáceis?

Do outro lado da rua, havia uma floricultura. Lírios brancos reluziam e chamaram a atenção de Aya. Lembrou-se então, que Lilium significa ‘amor eterno’. A beleza das flores era uma das coisas que acalmavam seu coração.

 

NP: The Marriage – Jan P. Kaczmarek

Discovery – Virgo

Somewhere Over The Rainbow/What a Wonderful World – Israel Kamakawiwo’ole

Separate Ways – Andre Matos

Second Love – Pain Of Salvation

Forever Love – X Japan

 

When love is not enough Setembro 8, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 3:43 am
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Tudo que Aya queria no momento era pensar em outra coisa. Sentir aquela sensação indo embora, então logo se lembrou do que havia de bom em sua vida. Ligou para Danny, e marcou um encontro rápido, já que não tinham muito tempo de se ver durante a semana. Claro que não precisavam de desculpas pra se verem, mas Aya disse que estava com saudades, apenas. E era pura verdade. Saudades do presente.

 

Aya encontrou-se com Danny em sua casa. Os pais de Danny sempre voltavam tarde do trabalho. Não havia nada pronto para comerem, então resolveram fazer um lanche. Aya adorava cozinhar, mas não estava no clima.

- Como foi seu dia? Foi conversar com a Marie?

- Fui, Danny. Ela está melhor do que eu imaginava… Mas a história dela e do Yoshiki é complicada.

- É triste… Eles se amam, e não conseguem ficar juntos.

- Eu sei. Isso me incomoda, mas no fundo, eu sei que alguma coisa vai acontecer. Eu acredito de verdade que, quando duas pessoas se amam, elas conseguem ficar juntas. Problemas sempre existirão… Mas cabe a eles driblarem isso. Eu gosto de pensar assim.

- Que bom. Às vezes me pergunto se o amor é suficiente.

- Eu também me faço essa pergunta. Mas é como acabei de falar, eu acredito que enquanto há amor, é possível dar certo. Se duas pessoas se machucam, por problemas, por dificuldades… E elas resolvem dar as costas um ao outro, o amor se transforma. Não posso dizer que essas duas pessoas nunca mais vão se amar, ou que não se amam mais. Mas o amor transforma…

- Não sei por que quando escuto você dizer isso, me dói o coração. Me preocupa.

- Por quê?

- Porque eu vejo alguma coisa nos seus olhos, que me dizem algo que você não consegue me dizer em palavras.

Aya suspirou por um momento. Sentiu que deixou escapar algo que não deveria. E o problema não eram as palavras, e sim o peso delas sobre ela.

- Não se preocupe, Danny. Não é nada disso. Sabe que se estivesse mal com alguma coisa, eu diria a você.

- Eu sei. Mas me preocupo do mesmo jeito. Às vezes… Não sei… Sinto que me protege de alguma coisa.

- Não é isso. Não se preocupe, ok?

 

Aya o abraçou. Sentia Danny respirando fundo, e pensando na mentira que tinha acabado de dizer. Claro que protegia Danny. Protegia-o do incômodo que sentia em relação a tantas coisas. Ao mesmo tempo que queria dizer para que tudo isso fosse embora, tinha medo de machucá-lo. Mas talvez já fosse tarde demais. Estava fazendo isso sem que percebesse.

Liz, a irmã de Danny, juntou-se a eles. Liz era a típica adolescente revoltada da família. Estava no colegial, não gostava de ir a escola, de estudar, os pais recebiam reclamações do colégio, escapava das aulas com os amigos. Odiava ter Danny como o modelo de irmão mais velho. Apesar disso, se davam bem. Liz sempre pedia conselhos a Danny sobre sua vida amorosa. Danny era o típico irmão ciumento. Ao mesmo tempo que odiava a irmã saindo com caras que não conhecia, nunca negava um conselho a ela. Tinha esperança que Liz criasse juízo. Aya e Liz se davam bem também. Liz também era bem ciumenta em relação ao irmão, mas não admitia.  

Aya ainda ficou um tempo com eles conversando, mas resolveu ir embora antes que os pais de Danny chegarem. Aya não gostava muito de sua futura sogra, embora nunca tenha tido um problema com ela, e vice-versa. Simplesmente não sentia algo de bom nela.

Despediu-se dos dois, e retornou pra casa. No caminho, fez um balanço do dia. Apesar de levemente atordoada com o que lhe acontecera, sentia que era bom ter Danny ao seu lado. E que isso, no momento, era mais importante que outra coisa do passado, embora nada ficasse muito claro em sua mente.

Talvez fosse o Verão.

 

NP: Leaving Entropia – Pain Of Salvation

You Learn About It – The Gathering

Every Stranger’s Eyes – Roger Waters

 

Spell Setembro 6, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 4:07 am
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Aya odiava admitir, mas sempre sentia-se perdida, enfeitiçada, sempre que via Phill. Sentia raiva de si mesmo nesse momento. Afinal já fazia tanto tempo que não se viam, que não se falavam, e todo esse tempo pareceu não existir. Parecia um dia depois de cada dia que passou ao seu lado em um lugar obscuro do passado.

Não foram muitos esses dias. E nunca estiveram juntos de verdade. Na verdade, não conseguia definir nada em relação a ele. Ele era a exceção, em tudo. Nada de cavalo branco, ou de rosas vermelhas. Talvez seria fácil defini-lo como a pessoa errada, aquela, que todo mundo diz que procura para divertir-se enquanto não encontra a pessoa certa. Mas geralmente as pessoas não têm noção de quem é a pessoa certa ou errada em tão pouco tempo.

Aya sempre soube que Phill era a pessoa errada.

Sabia que pra ele seria sempre não. E sempre foi fácil dizer não.

Aya não se lembra quando caiu nesse feitiço, mas lembra que aconteceu tão de repente, que realmente parecia haver algo de mágico. Aya culpava aquele profundos olhos verdes. Mas ninguém se deixa levar por um belo par de olhos.

Era o que havia naqueles olhos.

Phill era a alma mais intrigante que já havia cruzado seu caminho, até então. Uma alma atormentada por tanto desespero, angústia, tristeza, frustrações, perdas. Era a derrota em pessoa. Aya sempre tentou ajudar, e muitas vezes ajudou, com uma boa conversa. Mas Aya nunca poderia entender totalmente o que Phill sentia, porque nunca havia sentido algo assim. Perder parte de si, por perder alguém.

A verdade é que Aya ainda vivia em sua redoma. Mas obviamente não sabia disso. Aya sempre sentiu necessidade de sair dela. Sempre quis tentar o outro lado. Aya sempre sentiu necessidade de querer conhecer o lado obscuro, o lado que todos escondiam, talvez porque, no fundo, sempre lutou para esconder o seu. E talvez não quisesse mais esconder o que havia dentro de si. Queria conhecer-se melhor, e entender Phill, ou pelo menos tentar, a ajudou nessa tarefa.

Só não sabia que seria um caminho sem volta.

 

The Kill – 30 Seconds To Mars

The Prelude – Toshiyuki Mori

Neverland – Minor Piano Variation - Jan A.P. Kaczmarek