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When love is not enough Setembro 8, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 3:43 am
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Tudo que Aya queria no momento era pensar em outra coisa. Sentir aquela sensação indo embora, então logo se lembrou do que havia de bom em sua vida. Ligou para Danny, e marcou um encontro rápido, já que não tinham muito tempo de se ver durante a semana. Claro que não precisavam de desculpas pra se verem, mas Aya disse que estava com saudades, apenas. E era pura verdade. Saudades do presente.

 

Aya encontrou-se com Danny em sua casa. Os pais de Danny sempre voltavam tarde do trabalho. Não havia nada pronto para comerem, então resolveram fazer um lanche. Aya adorava cozinhar, mas não estava no clima.

- Como foi seu dia? Foi conversar com a Marie?

- Fui, Danny. Ela está melhor do que eu imaginava… Mas a história dela e do Yoshiki é complicada.

- É triste… Eles se amam, e não conseguem ficar juntos.

- Eu sei. Isso me incomoda, mas no fundo, eu sei que alguma coisa vai acontecer. Eu acredito de verdade que, quando duas pessoas se amam, elas conseguem ficar juntas. Problemas sempre existirão… Mas cabe a eles driblarem isso. Eu gosto de pensar assim.

- Que bom. Às vezes me pergunto se o amor é suficiente.

- Eu também me faço essa pergunta. Mas é como acabei de falar, eu acredito que enquanto há amor, é possível dar certo. Se duas pessoas se machucam, por problemas, por dificuldades… E elas resolvem dar as costas um ao outro, o amor se transforma. Não posso dizer que essas duas pessoas nunca mais vão se amar, ou que não se amam mais. Mas o amor transforma…

- Não sei por que quando escuto você dizer isso, me dói o coração. Me preocupa.

- Por quê?

- Porque eu vejo alguma coisa nos seus olhos, que me dizem algo que você não consegue me dizer em palavras.

Aya suspirou por um momento. Sentiu que deixou escapar algo que não deveria. E o problema não eram as palavras, e sim o peso delas sobre ela.

- Não se preocupe, Danny. Não é nada disso. Sabe que se estivesse mal com alguma coisa, eu diria a você.

- Eu sei. Mas me preocupo do mesmo jeito. Às vezes… Não sei… Sinto que me protege de alguma coisa.

- Não é isso. Não se preocupe, ok?

 

Aya o abraçou. Sentia Danny respirando fundo, e pensando na mentira que tinha acabado de dizer. Claro que protegia Danny. Protegia-o do incômodo que sentia em relação a tantas coisas. Ao mesmo tempo que queria dizer para que tudo isso fosse embora, tinha medo de machucá-lo. Mas talvez já fosse tarde demais. Estava fazendo isso sem que percebesse.

Liz, a irmã de Danny, juntou-se a eles. Liz era a típica adolescente revoltada da família. Estava no colegial, não gostava de ir a escola, de estudar, os pais recebiam reclamações do colégio, escapava das aulas com os amigos. Odiava ter Danny como o modelo de irmão mais velho. Apesar disso, se davam bem. Liz sempre pedia conselhos a Danny sobre sua vida amorosa. Danny era o típico irmão ciumento. Ao mesmo tempo que odiava a irmã saindo com caras que não conhecia, nunca negava um conselho a ela. Tinha esperança que Liz criasse juízo. Aya e Liz se davam bem também. Liz também era bem ciumenta em relação ao irmão, mas não admitia.  

Aya ainda ficou um tempo com eles conversando, mas resolveu ir embora antes que os pais de Danny chegarem. Aya não gostava muito de sua futura sogra, embora nunca tenha tido um problema com ela, e vice-versa. Simplesmente não sentia algo de bom nela.

Despediu-se dos dois, e retornou pra casa. No caminho, fez um balanço do dia. Apesar de levemente atordoada com o que lhe acontecera, sentia que era bom ter Danny ao seu lado. E que isso, no momento, era mais importante que outra coisa do passado, embora nada ficasse muito claro em sua mente.

Talvez fosse o Verão.

 

NP: Leaving Entropia – Pain Of Salvation

You Learn About It – The Gathering

Every Stranger’s Eyes – Roger Waters

 

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