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Lost? Dezembro 10, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 3:25 am
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Yoshiki então teve certeza que não era nada com ele, ou que pelo menos não era só pessoal. Depois de perceber, respirou fundo antes de tocar no assunto.

- E você, Aya? Como tem passado?

- Eu?

- Sim. Como foram as férias?

- Eu detesto o verão.

- Eu sei. Como foi o seu verão?

 

Aya não respondeu de prontidão. Olhou para baixo, reflexiva. Logo depois, olhou para cima, revelando lágrimas que lutavam bravamente no canto de seus olhos, lutando para que não escorressem pelo rosto.

- Por que nossas conversas têm sido rodeadas de tristeza ultimamente? – preocupou-se Yoshiki.

- Não sei… Talvez não merecemos outra coisa.

- Aya… O que aconteceu?

- Não sei, Yoshiki. Tudo de ruim, eu acho.

- Tem a ver com Danny?

- Claro que tem. Tem a ver com tudo na minha vida. Me sinto perdida, sem rumo, sem razão. Pra tudo. Não sei porque ainda venho trabalhar, não sei se vou à faculdade semana que vem, quando começarem as aulas…

- Aya, que derrotismo é esse? Não combina com você.

- O que combina comigo, Yoshiki? Ser feliz? Porque isso nunca combinou comigo.

- Não é assim. Você não pode jogar os momentos bons por causa de uma fase difícil. Você sempre me diz isso.

- Aprendeu comigo, né? Não sei de onde eu tiro essas frases de auto-ajuda.

- Sabe de onde? De você, das coisas que você vive e viveu. Ah, deixa de ser boba. O mundo não vai acabar por causa do Danny. O que aconteceu?

- Eu não sei mais quem sou eu, Yoshiki. Não sei o que faço, não sei porque vivo nesse mundo, só magoo as pessoas que estão por perto.

- Por que diz isso?

- Eu faço mal às pessoas, Yoshiki. Não quero isso. Elas não merecem…

- Você nunca me fez mal, Aya. Por que isso agora?

- Porque eu sou uma idiota, Yoshiki. Desculpe, eu preciso voltar.

- Mas assim? Nem conversamos direito.

- Outra hora. Senão eu não vou conseguir trabalhar. Não sei porque eu preciso disso, mas enfim…

- Está bem… Promete que vamos conversar logo? Posso vir te pegar aqui depois do estágio?

- Não sei, Yoshiki… Não sei que horas eu saio.

- Eu vou estar aqui. Eu espero.

- Não precisa.

- Eu vou estar aqui.

Aya não respondeu. Apenas tratou de voltar logo ao trabalho. Yoshiki ficou realmente preocupado com a atitude de Aya. Já tinha visto a prima em situações difíceis, mas ela nunca se entregava a esse derrotismo. Isso era novidade para Yoshiki, já que a prima sempre tem repulsa de atitudes assim. Aya realmente não era assim. Não se reconhecia mais, não sabia para onde ir. Sentia-se perdida, mesmo sem ter onde ir…

 

Yoshiki resolveu dar uma volta, saber um pouco do mundo. Não aguentava mais ficar em casa por causa de tantos dias preso. Mas não conseguia pensar em outra coisa, a não ser em Aya e o que poderia ter acontecido. Por um momento, quase ligou para Danny, para saber a versão dele, mas pensou que isso poderia apenas piorar a situação. Resolveu esperar para ouvir de Aya.

Quando deu quase o horário de Aya sair, voltou ao prédio. A moça gentil da recepção perguntou se gostaria de avisá-la, mas Yoshiki disse que não precisava; achou que Aya poderia se sentir um pouco pressionada. E tudo o que Yoshiki queria saber era da prima, não por curiosidade, mas estava preocupado. O que poderia ter mudado tanto, em tão pouco tempo? O que poderia ter acontecido nesse breve período em que ficou desligado do mundo? Tinha suas próprias perguntas para responder, no entanto deixou isso de lado, estava realmente preocupado. Começou a pensar nas possibilidades: já sabia que tinha a ver com Danny. Yoshiki então se lembrou, das vezes em que viu Aya mal, e de seu período mais difícil, porém não conseguia achar conexão. Na verdade, tinha medo que tudo isso tivesse um nome: Phill.

 

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