Anunciaram o show da Cyndi Lauper. Se fosse outra época, iria ver, mas hoje em dia, não dava mais bola pra pseudo-diva dos anos 80 da voz de taquara rachada. Seja lá o que isso significa…
Seria legal ouvir alguns hits como “Time After Time”, “True Colors”, “All Through The Night”, suas preferidas. Mas lembrou também que ela não era mais dessa laia, e agora preferia cantar jazz e blues, e provavelmente cantaria “At Last”. Então, tudo bem.
Mas isso a fez matutar sobre um certo dia em um certo Inverno. Lembrou-se do ex-namorado, Vincent. Não porque ele gostava de Cyndi Lauper, mas porque estava com ele quando gostava muito. E pensou, se estivesse com ele ainda, ele provavelmente iria tirar um leve sarro dela, alertando para o show da cantora preferida dela, embora não fosse. Pensou em como ele diria em tom provocador, já que ele detestava, achava “fraquinho”. Apesar de, mesmo nessa época, ela também não achar que a Cyndi Lauper era grande coisa, gostava de ouvir, simplesmente por ouvir. E detestava ter que explicar por quê. Aliás, detestava explicar o porquê de tudo, odiava dar satisfações a quem quer que fosse.
E isso a fez pensar em outra coisa: que Danny não iria correr pra avisá-la que a pseudo-diva faria um show em SP. Por que não? Porque ele não acompanhou essa fase mais frenética de Aya, ainda não se conheciam. Sabia que ela gostava de umas duas músicas ou três, mas isso não traria a urgência da notícia. E ficou triste. Triste porque foi uma fase, que apesar de nada tão especial, Danny não acompanhou, não viveu. Ela não viveu com Danny.
Queria ter conhecido Danny antes daquele Inverno do qual não sentia saudades.
NP: Qualms Of Conscience – Diablo Swing Orchestra