The Luckiest

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Summer’s End Novembro 14, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 1:25 am
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O verão estava quase acabando. E com ele, as férias. Aya considerava isso bom; gostava de descansar como todo ser humano, mas era bom manter-se ocupada também. Isso signficava encontrar os amigos da faculdade todos os dias novamente. Sempre combinava de fazer milhares de coisas durante as férias, mas sempre saíam uma ou duas vezes no máximo.

A gravação do álbum de Alice durou o verão. Pelo menos a parte mais difícil. Agora era trabalhar em mixagens e etc. Yoshiki trabalhou muito em cima do disco, e o resultado é que quase não viu a luz do Sol no verão. Assim, manteve-se concentrado, sem tempo para pensar ou fazer nada além daquilo.

 

- Finalmente acabamos. – disse Alice.

- Pelo menos por enquanto. Agora vocês merecem um descanso, e acho que eu também. – disse Yoshiki.

- Acho que você é o que mais merece um descanso. Ficou enfurnado aqui mesmo quando não estávamos gravando.

- Faz parte do processo. Sabe como sou; se tenho uma idéia, é melhor levá-la até o fim antes que ela vá embora. Agora temos que ver se ficou como vocês queriam.

- Tenho certeza que sim. Vai nos ajudar no resto também?

- Claro que sim. Não fiz todo o trabalho pra alguém colocar as mãos e sujar tudo, não é? Mas isso podemos fazer com mais calma.

- Ah sim… marcamos isso, ok?

- Sim.

- Bom Yoshiki… Então acho que é isso.

Yoshiki achou aquele momento estranho. Passara dias e noites ao lado de Alice, gravando. Quando não estavam gravando, estavam juntos da mesma forma, nos intervalos. Ela e a banda foram praticamente seus únicos contatos durante esse tempo. Yoshiki não se permitiu sair muito, nem ter muito contato com o mundo lá fora. Procurou não saber de quem mais queria saber. Assim cortava o elo com a dor. Ou pelo menos tentava. Sentia que assim, fazia algo por si próprio.

A desconexão agora era estranha. Olhava para Alice, com um sorriso no rosto e a mão estendida para despedir-se. Como cliente e produtor. Yoshiki retribuiu o sorriso, e também o cumprimento.

- Até mais, então, Alice. Cuide-se.

- Você também, Yoshiki.

 

Apesar do trabalho não ter acabado ainda, Yoshiki sentia ter cumprido sua missão com Alice. Era para aquilo que tinha se proposto a fazer, e fez. Era a forma que tinha para ajudá-la. E ficou feliz de poder fazê-lo. Ficou feliz que era só isso que sentia, por mais que algo ainda o cutucasse, por mais que algo ainda o fazia ter pensamentos no passado. Sentia que isso ia ficando pra trás – algo que só podia ver agora, com os olhos de hoje. E assim, parecia que todo o sofrimento, toda a dor que sentia, estava finalmente justificado.

Yoshiki e Aya não se falaram muito no verão, o que era estranho para Yoshiki. Sentia falta da prima. Mas não se falaram muito depois da última conversa. Sentiu-se mal por não saber como ela estava, o que estava fazendo. Decidiu então fazer uma surpresa. Sabia que Aya estava no estágio aquela hora, e que estava quase no horário do almoço. Correu até lá para que pudesse almoçar juntos.

 

- Aya? Há um rapaz no hall, disse que lhe conhece.

- Quem é? Daniel? Ele não me disse que viria.

- Não… Aliás, um rapaz bonito… Yoshiki.

- Yoshiki? Ah, é meu primo…

Aya achou um tanto estranho, e até se preocupou. Tratou de ir logo até lá.

 

- Yoshiki? O que faz aqui?

- É bom te ver também, Aya!

- Desculpe… Oi, Yoshiki. É que estou surpresa.

- Bom, eu vim aqui pra saber se você quer almoçar. Você almoça, né?

- Na verdade eu ia pedir alguma coisa pra comer aqui mesmo, e…

- Ah, sério? Comer na frente da tela do computador? Ah não, que vida é essa…

- Olha quem fala! Quem não come nem desgruda daquele estúdio vem me dar conselhos agora?

- Bem, eu estou aqui, não?

- Por que não está no estúdio?

- Acabamos.

- Humm… Vocês… acabaram? – ironicamente.

- Por enquanto. Fizemos todas as gravações. Agora, é resto, digamos.

- Sei… Bom… Eu não posso demorar.

- Você não sabe falar ’sim, obrigada pelo convite, eu vou almoçar com você?’

- Você entendendo, está OK!

Quem via de fora, poderia até pensar que os dois estavam se desentendendo. Mas um sabia como entender o outro.

 

- Gostei desse restaurante. Pelo menos, fome você não passa por aqui.

- Aqui é bom mesmo.

- Aya, percebi você um pouco quieta… Desculpe, eu sei que fiquei meio afastado, mas você sabe como sou, eu fico concentrado de verdade. Eu queria que acabasse logo, de certa forma. E também me ajudou… A esquecer um pouco.

- Esquecer de Marie?

- Sim… Tem notícias dela?

- Não… Eu deixo isso por sua conta.

- Não sei… Acho que agora falta coragem para ir atrás disso. Parece tão distante agora…

 Quem estava distante era Aya. Yoshiki percebia que Aya não olhada em seus olhos quando falava, que estava cabisbaixa, muito quieta para quem não se via há muito tempo. No início, pensou que pudesse estar chateada, talvez magoada com sua ausência. Mas sentia que não era com ele. Então, reparou que A~ya não estava mais com sua aliança.

 

NP: Metallica - To Live Is To Die

Lavender Diamond – Please

 

Second Love Setembro 8, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 4:24 am
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Yoshiki estava empenhado no trabalho com Alice. A banda gravou por um dia inteiro algumas faixas, nas quais Yoshiki trabalhou dias sem sair de casa. Quando tinha idéias para produzir um disco, gostava de dedicar-se exaustivamente. Acreditava que assim trabalhava da melhor forma, embora ninguém concordasse. Aya era uma delas.

 

- Você é louco. Aposto que nem está comendo direito.

- Admito que não estava. Mas hoje já estou terminando, me desligando um pouco. Senão fico louco, né? Não é bom ficar tanto tempo na mesma coisa, senão já não distinguo mais nada.

- E como foram esses dias?

- Foram produtivos. A banda é muito boa, muito criativa. As idéias fluiam facilmente, deu tudo certo. Acho que ficará bom, Aya. Precisa ouvir.

- Sim, preciso. Mas sei que, em tudo que você põe a mão fica bom, eu acredito.

- Aya, não tire o crédito da banda. Se não fossem eles… E somente eles, esse disco não teria ficado bom.

- Você diz isso porque acha que estou atacando a Alice, mas não é isso. Não tenho nada contra ela… musicalmente falando.

- Ok. Pode parar com a ironia e chegar ao ponto.

Aya se espantou porque Yoshiki foi um pouco seco ao dizer isso. Como a velocidade do pensamento é mais rápido que um piscar de olhos, em menos de 10 segundos, passou pela cabeça de Aya, a cena de Yoshiki gravando com Alice, eles se dando extremamente bem, Yoshiki feliz por estar ao lado de Alice novamente, Yoshiki se afundando, Yoshiki se cegando, ficando até mesmo contra ela.

- Calma… Não quis ofender.

- Não ofendeu. Só me fala onde quer chegar.

- Lugar nenhum, tá? Pode parar de ficar na defensiva.

- Não estou na defensiva.

Aya se aborreceu com o primo, algo que não acontecia há muito tempo para quem passa muito tempo juntos. Não queria conversar, então decidiu que iria embora. Yoshiki percebeu, e nem entendia como esse aborrecimento havia acontecido.

- Calma aí, nervosinha. Deixa eu terminar umas coisas? Já saio do estúdio. Você vai me levar pra tomar um sorvete porque deve estar um calor infernal lá fora, eu finalmente vou ver o sol depois de alguns dias, e a gente vai conversar.

Aya não respondeu, apenas saiu do estúdio e foi esperar na sala. Estava mesmo irritada, e era bem orgulhosa quando estava irritada com alguém. Ainda mais quando sabia que tinha razão. Mas, tinha razão no que nisso tudo? Sabia mesmo que estava provocando Yoshiki em relação a Alice. Mas o que a irritou mesmo foi a idéia dele possivelmente ter sido contaminado por ela em questão de dias. Mas foi só uma idéia, sabia que não tinha acontecido de fato. Começava a se preocupar.

Saíram pra tomar o tal sorvete. Aya não falava nada no caminho. Yoshiki tambem não, porque sabia que Aya estava irritada, e nem conseguia fazer um contato visual, já que Aya colocou um pesado óculos escuros. Yoshiki se sentia injustiçado, mas mesmo assim não sabia como chegar na prima, e não queria entregar-se ao orgulho. Ficou aliviado quando a caminhada terminou e eles entraram na sorveteria. Decidiu falar o que achava que Aya queria ouvir, embora soubesse que não devia explicações a ninguém. Mas com Aya era diferente.

 

- Foram dias cheio de trabalho. Nem tive tempo pra pensar em nada, o que de certa forma é bom.

- Não teve tempo pra pensar em quê? No que gostaria de ter pensado?

- Eu pensei em muitas coisas, sim. Quando descansávamos, era estranho estar ao lado de Alice. Ver uma pessoa, lembrar de outra. Eu via Alice de hoje, lembrava da Alice de ontem. Doía… Era triste. É triste sentir que perdemos alguém. Hoje ela é outra pessoa. Por tanto tempo, o que eu mais queria era um momento com ela… E quando eu finalmente tive, algo balançou aqui dentro. Algo s quebrou, como uma decepção. Algo como, ‘tarde demais’.

Aya sentia uma lágrima vindo, mas Yoshiki se conteve. Aya percebeu que aquele abatimento não era de tantos dias trabalhados sem ver o sol. Era sempre assim quando falava de Alice antigamente. A face da derrota.

- Embora isso tenha sido o que sonhei por muito tempo, percebi que esse sonho foi em vão. Como se eu tivesse criado a idéia de perfeição sem saber o que era perfeito de verdade. Alice era uma concepção, uma idéia, depois desses anos todos, sonhando. E eu não quero isso. Desde que Alice voltou, eu sempre soube. Mas acho que precisava sentir isso quebrando dentro de mim.

Yoshiki finalmente caiu em lágrimas. Aya sentiu um desespero nessas lágrimas, e sentiu-se com aquela velha sensação de impotência.

- E agora, o que eu mais quero, novamente eu não posso ter. Uma vez foi a Alice, agora vou criar o conceito Marie? Eu não quero isso de novo. Não quero sentir, quero rasgar meu peito e fazer tudo que sinto de ruim, e mesmo o que sinto de bom, que é o que cria o que me faz mal, ir embora. Não quero sonhar, planejar, imaginar como ela está, não quero tudo de novo. Mas eu não posso evitar… de novo.

Aya queria contar da conversa que teve com Marie, mas não sabia se era o certo a fazer. Ao ver o desespero de Yoshiki, parece que tudo valeria. Mas precisava pensar. Não podia criar uma expectativa que pudesse não existir.

 - Yoshiki, você ainda não lutou. Dê um tempo, você sabe que ela precisa disso. A última vez que se viram foi ruim. Deixe o tempo dizer o que vai acontecer.

- Deixar o tempo construir meus muros novamente… É isso o que vai acontecer.

- Talvez. Eu sei como é esse sentimento de desespero de que nada vai dar certo. Mas não é o fim. Acredite nisso. Você pode fazer muito ainda.

- Não sei… Não sei se quero percorrer esse caminho de novo.

 

Aya sabia que essa história realmente não teve um fim. Como havia dito a Danny, quando duas pessoas se amam de verdade, elas encontram um jeito. Isso acalentava um pouco, pois sabia que realmente se amavam. Talvez Yoshiki pudesse se acalmar também, mas não sabia como Marie ainda se sentia. Aya odiava esses desencontros do coração. Por que as coisas não poderia ser mais fáceis?

Do outro lado da rua, havia uma floricultura. Lírios brancos reluziam e chamaram a atenção de Aya. Lembrou-se então, que Lilium significa ‘amor eterno’. A beleza das flores era uma das coisas que acalmavam seu coração.

 

NP: The Marriage – Jan P. Kaczmarek

Discovery – Virgo

Somewhere Over The Rainbow/What a Wonderful World – Israel Kamakawiwo’ole

Separate Ways – Andre Matos

Second Love – Pain Of Salvation

Forever Love – X Japan

 

Extremos Julho 9, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 5:57 am
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 - Como vocês está?

- Bem.

Yoshiki olhou para Aya, e sorriu. Entendia a preocupação da prima, mas estava realmente bem.

- Posso perguntar?

- Claro. O que quer saber?

- Como foi vê-la depois de tanto tempo.

- Doloroso…

- Mas você disse que estava bem.

- E estou. Mas calma, não me deixou terminar de responder.

- Tá bem… continue.

- Como eu disse, foi doloroso. Ela apareceu na minha porta e eu devo ter reagido como se tivesse visto um fantasma. Ela se manteve estática, sorrindo, mas ela tinha uma vantagem, ela já sabia que me viria. Eu fui pego totalmente de surpresa. Apesar de ter sido um leve soco no estômago, também fiquei feliz quando a vi.

- E depois?

- Depois começamos a conversar e o nervoso foi passando… Ela foi falando da banda, da música, e eu tentei colocar meu lado produtor à frente. Deu certo porque fiquei mais descontraído. Conversamos muito tempo sobre música. Depois de um certo tempo, acabamos chegando no assunto que realmente queríamos chegar, acho.

- Sobre vocês?

- Sobre a vida. Como ela andou, como eu estava. Conversamos um pouco por cima, mas foi bom. Fiquei feliz de ver que ela está bem, que superou problemas que a faziam infeliz… Ou pelo menos está lidando bem melhor com eles. Porque acho que existem coisas que não superamos às vezes… Mas aprendemos a lidar de forma que… não sei, que dê pra levar adiante, não é?

- Acho que sim…

- Foi bom conversar com ela e ver que está bem.

- Mas e você? Ficou bem com isso?

- Aya, não é fácil, claro. Mas quando eu lhe disse que estava tudo bem, eu realmente quis dizer isso. Não foi fácil, doeu, dói. Não vou mentir. Mas foi bom ver aquele velho rosto aqui hoje. E ver que eu posso olhar pra ela sem querer chorar, sem querer sumir. Sem querer me despedaçar de novo… Você sabe que demorou tanto pra eu me juntar novamente. Mas eu fiquei feliz por mim, também. De ver que eu consigo viver com isso, apesar de cutucar. Eu só acho que cutucou na verdade porque… Porque foi muito tempo sem ver ou sem saber dela.

- Acho que entendo… Mas e agora? Vai produzir a banda dela?

- Acho que sim. Eles são bons. Não é só porque é a Alice… Ela sempre compôs coisas bonitas. E ela está trabalhando com pessoas competentes.  Ela já tem a gravadora, e eles vão lançar o disco primeiro na Europa, já têm tudo planejado. Então acho que produzi-los vai ser legal.

- Como acha que vai ser vê-la sempre enquanto produzir o álbum?

- Você quer me testar.

- Mais ou menos… Quero saber seu limite.

- Não acho que vá ser mal, no sentido de ser realmente mal pra mim. Não digo que não é estranho. Mas sabe o que isso tudo me fez perceber?

- O quê?

- Que eu não sinto mais falta do meu passado. Eu sinto falta do meu presente. E meu presente… ainda é Marie.

- Então, é possível mesmo enterrar tantas feridas?

- Eu acho que sim. Acho que elas não se curam totalmente… Não quando é tão profundo assim. Talvez seja como perder um rim, um pulmão, um braço, perder parte de você… Tem como substituir? Não. E você não consegue substituir o que foi perdido. E é também como aquela dor fantasma de quem perde um membro e ainda sente dor nesse mesmo membro. Não está mais lá, mas você sente. Se nosso organismo, nosso cérebro que é tão preciso, se engana, porque nosso coração, nossas emoções também não podem se enganar? Mas infelizmente algumas respostas demoram a chegar porque compreendemos isso tão pouco…

- E agora? Como vai resolver essa falta do presente?

- Não sei, Aya. E é aí que mais uma pergunta se cria: será que a Marie que amei já faz parte do meu passado? Já que a Marie de alguns dias atrás não parecia mais a mesma que conheci… Estou de novo caindo no erro de sentir falta do meu passado?

- Acho que está se precipitando. Deveria dar uma nova chance a ela, conversar com ela. Não acredito que as pessoas possam mudar tanto de repente… Digo… Não sei, acho que podem…

- Experiência própria, hum?

- Posso dizer que sim. Mas sabe que cada um é cada um. Converse com ela. Sabe que tem que tentar.

- Eu sei. Só falta coragem agora…

- Dê um tempo. Além do que, eu acho que ela deve estar muito brava com o que você fez…

- Eu sei. Eu estava com raiva. Nunca agiria assim com ela nem com ninguém… É estúpido dizer isso, mas eu só agi assim porque a amo demais. Ninguém mais me faria agir dessa forma, tão desesperada.

- Realmente soa estúpido…

- Err…

- Mas é verdade. Uma única pessoa pode nos levar ao céu e ao inferno… Pode nos levar aos extremos.

- Então é verdade que amor e ódio andam juntos.

- Talvez. Mas você sabe… não é assim… é?

- Acho que não. Mas e você? Como estão as coisas?

- Normais, acho.

- Acha? Normal? Normal não é bom.

- Não? Anormal é bom, então?

- Ah, você entendeu. Quando as coisas estão bem, ninguém responde que está normal! Aí já tem algo de errado… Normal quer dizer tédio.

- Ah, que rebelde…

- Você entendeu.

- É… talvez tenha razão. Não acho que normal seja bom. Se eu não respondi que as coisas estão bem, isso não deve ser normal. Ah, enfim…

- O que não anda bem?

- Acho que nada…

- Como assim, nada? E você não me diz nada?

- Ah, você deveria saber que eu não saio falando…

- Bem, isso é verdade. Desculpe, eu ando meio relapso.

- Não precisa se desculpar. Você não precisa ouvir o problema dos outros quando se está cheio de outros.

- Bom, não precisa me enrolar. Desembucha.

- O problema é que… Ah, o problema deve estar… O problema deve ser eu. Eu não ando bem, consequentemente nada à minha volta anda bem, nada funciona. Ando cansada, abatida, pensativa, pensando em coisas que não me fazem bem, e nem entende porquê… Espero que seja só mais uma fase… Pior que nem TPM é.

- É muito estranho como vocês têm esperança na TPM. De que isso tudo se vá com a chegada da menstruação… Ser mulher deve ser esquisito… Muito hormônio no coração…

- O pior que é assim pra muitas pessoas… Eu queria que fosse assim pra mim também. Pelo menos eu me livraria de muitos problemas com uma semana de chatice, iria valer a pena menstruar… Enfim, papo estranho.

- Você é amaldiçoada, não tem TPM…

- Engraçado, algumas diriam que eu sou sortuda.

- Eu sei, estava sendo irônico…  Bem, sendo TPM ou não, espero que passe.

- Eu também…

 

Yoshiki não quis perguntar à prima o que havia de errado. Desconfiava, e se estivesse certo, preferia não tocar no assunto, que era quase um tabu. Mas entendia, o que lhe fazia mal, realmente lhe fazia muito mal, assim como era com ele, embora percebera que não havia mais nada pra se preocupar com o passado. Estava de bem consigo mesmo, depois de muito tempo. Mas estava preocupado com Aya agora. Yoshiki se abria quando precisava, mas Aya não fazia o mesmo. Não era fácil fazê-la conversar quando estava mal, então achou melhor não pressionar. Diria quando estivesse pronta.

 

NP: Set The Fire To The Third Bar – Snow Patrol [Feat. Martha Wainwright]

Gone Too Far - Allen & Lande

I’ll Stand By You – Rod Stewart

The Forgotten Ones – Allen & Lande

Frozen – Madonna

The End Of August – Yanni

 

Ghosts Julho 7, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 3:08 am
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Aya pensava em uma música que não havia faz tempo, às vezes que nem era do seu gosto. E por alguma razão, ela surgia. Pensava em um filme velho, e ele passava na TV. Pensava em alguém, ligavam.  Eram coisas aleatórias que no momento em que eram pensadas, não faziam sentido. Mas depois, isso surgia de alguma forma, como se fosse um aviso. Existem coisas que ninguém explica, mesmo.

Aya achava que era uma espécie de sexto sentido. Apesar do ceticismo, gostava de conservar um lado com um pé nas coisas inexplicáveis. Achava que dava um sentido especial a algumas coisas, que não precisava entender ou racionalizar.

Andou pensando em uma pessoa. E num certo dia no Verão, foi visitar Yoshiki e a encontrou.

 

- Olá, Aya. Quanto tempo. Você… mudou!

- Olá… Alice.

- Alice tem uma banda, Aya. Legal, não? Estou ouvindo. Ela quer que eu os produza.

Aya: …

Alice: Não sei se é o tipo de som que curte. Lembro que gostava de umas coisas pesadas, e era bem intolerante a outras coisas…

Aya: Não, eu nunca fui tapada. Gosto de muitas coisas, o que é bom, é bom.

Yoshiki sentia a hostilidade de Aya em relação a Alice. Sempre soube que não gostava de Alice. E Alice, não gostava muito de Aya também, porque sabia que Aya interferia como podia entre os dois, porém nunca contou a Yoshiki.

Aya: Bom, já que está trabalhando, volto outra hora.

Yoshiki saiu do estúdio com Aya. Explicou que Alice apareceu do nada, depois de 7 anos que não se falavam.

Aya: Com tanta gente ela tinha que procurar você? E daí que você é o melhor?

Yoshiki: Aya, o que posso fazer? Ela apareceu, conversamos… E… Está tudo bem.

Aya: Bom, você sabe o que faz. Mas lembre-se de tudo que já passou. Consegue pensar sem fazer seu coração palpitar? Se quiser sofrer, se quiser se revirar novamente, você quem sabe. E você sabe que eu nunca falo isso pra você.

Yoshiki: Sabe o que é engraçado? Quando ela chegou, eu estava tocando “The Last Song” no piano…

Aya:… A vida é engraçada, né? Joga uns sinais.

Yoshiki: Vou resolver isso, Aya. Obrigado por se preocupar. Não precisa ficar se não quiser.

Aya: Acho que não quero mesmo. Desculpe, mas não gosto dela. Mas ao mesmo tempo fico preocupada em deixá-la com você… Mas você é bem grande e toma suas decisões. Eu volto outra hora…

Yoshiki: Tudo bem. Nos falamos depois. Não se preocupe, eu sei me cuidar.

 

Aya deixou o apartamento de Yoshiki com um certo pesar. The Last Song já ecoava em sua cabeça, com toda aquela tristeza, com aquela melancolia. Sentia até calafrios só de pensar.

Podia ser só impressão, mas Yoshiki parecia bem, mesmo. Quando entrou no estúdio, estavam rindo, e Yoshiki não parecia rir para não contrariar, parecia que estava com um velho amigo. De certa forma, era verdade, mas um amigo não nos faz sofrer tanto, pensou Aya. Talvez ele estivesse bem. Talvez toda aquela tristeza tenha sido enterrada de vez. Será que então era possível fazer as dores mais profundas irem embora? Será que era possível ser 100% feliz, era possível conviver com isso e viver bem? Qual era a verdade nisso tudo?

A conclusão que tirava é que não existia a verdade única para todos. Provavelmente a dor de cada um, era mais rasa ou mais prounda, ou cada um era mais forte ou mais fraco. O problema, é que não via a sua dor indo embora da mesma forma…

 ”Watching the stars till they’re gone
Like an actor all alone
Who never knew the story he was in
Who never knew the story ends…”

NP: Here Comes The Rain Again – Eurythmics

The Last Song – X Japan

 

Perdas Junho 30, 2008

Arquivado em: Uncategorized — Eve @ 4:48 am
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Aya pensava consigo mesmo que todos deveriam ter alguma perda em suas vidas. E que isso os fazia pensar diferente. FIcou pensando sobre mudar, depois da conversa com Yoshiki. Percebia que o primo, apesar das quedas, sempre manteve-se firme no que acreditava. E aquela frase “será que vale a pena?” ficou ecoando na cabeça.

Não queria revirar-se. Haveria algum momento que teria que fazer isso, limpar o pó de memórias antigas. Mas ainda sentia que não era hora. Quando o tempo não cura, o que então iria curar? Não se sentia mais ferida por coisas antigas, mas mesmo assim não gostava de lembrar. Começou a pensar então no sofrimento alheio.

Yoshiki, por exemplo. Lembra que o primo entrou em depressão pós-Alice. Ela era seu mundo, e apesar de terem ficado pouco tempo juntos, Yoshiki sempre diz que aprendeu muito com ela. Alice tinha muitos problemas na vida, e dizem que só os maus momentos é que nos fazem aprender sobre a vida. Talvez fosse o caso de Alice. Yoshiki gostava de seu ponto de vista, mas depois de algum tempo, depois de superar isso, conseguiu ver com os próprios olhos que não era bem assim. Percebeu que Alice tinha a visão do que ele julgava errado. Por causa de seus problemas, tendia a ver tudo com pessimismo, como se o mundo não tivesse mais jeito. Yoshiki partilhou dessa visão enquanto estava com ela, e um tempo depois. Mas percebeu que pensar assim, não era seu jeito de pensar. Isso o ajudou a superar a perda.

Depois de Alice, vieram outras. E veio Marie. Aya acreditava que Yoshiki nunca superaria a dor que Alice lhe causou. Nem mesmo Yoshiki acreditava. Mas quando Marie veio, depois de tanto tempo, as coisas mudaram. Era a primeira vez que Yoshiki voltou a acreditar que poderia ser feliz. E realmente foi, por quatro anos. Ninguém sabia o que aconteceria daqui pra frente, mas Yoshiki estava sofrendo novamente. Já sabia o caminho da dor, mas mesmo assim, percorria a mesma trilha. O buraco parecia maior agora, porque com Marie era feliz em tempo integral, com Alice, era quase sempre infeliz. Com Marie, seus planos davam certo, não apenas quando dependia dele. No começo do namoro, Yoshiki tinha medo, e era cauteloso com Marie. Acreditava que nada superaria o que sentia por Alice. Mas viu que era bobagem, porque com Marie aprendeu a sorrir de verdade, a ser ele mesmo. Aprendeu a deixar a dor, embora a dor fosse inspiradora. Mas sabe da importância de Alice em sua vida. Talvez, se não tivesse conhecido o outro lado do amor, talvez nunca teria se dado tanto à Marie. Talvez nunca tivesse se esforçado tanto em momentos que foram precisos.

Aya pensou nisso, e tirou algo positivo da perda. Claro, ninguém gosta de sofrer, mas todos sofrem, e se pelo menos pode-se aprender algo da dor, que seja algo de bom.

Pensou em Danny. Antes de conhecê-lo, Danny havia namorado uma garota. Isso causava-lhe um leve mal estar. Aya nem citava seu nome. Não era um ciúmes bobo de ex namorada, aliás, não era ciúmes. Aya tinha sim, raiva, assim como tinha de Alice. Raiva por ter feito Danny sofrer. Danny e essa garota que ainda não citaremos o nome, namoraram por algum tempo. Eram novos, eram problemáticos, estavam conhecendo a vida. E nesse tempo, sofreram. Danny parecia ter sofrido mais, porque não se desvencilhava da perda. Talvez aquele ditado, “pisa que eles correm atrás”, realmente é verdade, pensou Aya. Mas Danny parecia bem. Já haviam conversado longamente sobre esse assunto, embora fosse difícil. Eram sinceros um com o outro. Isso por si só já fazia bem à Aya, que nunca conseguia ser 100% sincera com outros, ou consigo mesma quando falava de dores passadas, ou de outros sentimentos relacionados a outros tempos. Isso também fazia diferença com Danny. Era muito feliz. Por isso era hora de largar restos de outros tempos, era hora de virar a página.

 

Danny se manteve fechado por muito tempo, desde então. Não se lembrava mais como era desde que havia trancado seu coração. No fundo, lembrava-se, e tinha esperança de que pudesse entregar a chave novamente para a ex namorada, ou alguém que o amasse, alguém que ele pudesse amar. Ele não sabia se era falta dela, ou falta de alguém. Na verdade, sabia que o problema estava nele: não sabia se poderia amar tudo o que havia amado novamente, daquele jeito, naquela intensidade. Aquilo tudo era ele, e se não pudesse ser ele novamente, então não queria. E batera o pé no erro, insistindo no antigo amor.

Mas conheceu Aya, e percebeu que não valia a pena tantas defesas, tantas muralhas. Derrubou-as, talvez ainda não por completo. Algumas coisas levam tempo, talvez mais do que tempo. Aya odiava perceber que aprendia mais com erros e decepções, e também a maioria das pessoas que conhecia. Por que não aprender com os acertos, com sorrisos, com momentos felizes, com momentos epifânicos? Era preciso perder para perceber o que se tinha? Era o velho papo de “intrínseco ao ser humano”? Aya detestava teorizar tudo, mas quando percebia, já tinha uma teoria pronta na cabeça, pra tudo, das coisas mais bestas às mais importantes. Seu lado cético racionalizava tudo, mas cada vez mais percebia que algumas coisas não são feitas para se usar a razão. Existiam coisas que ninguém explicava, e que ninguém precisava se perguntar por quê.

 

NP: Anthem – Kamelot

 

 

O Verão é mesmo o Inferno Junho 26, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 7:09 pm
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Aya também ficara atônita ao saber de Marie. Aquela não poderia ser a doce e gentil Marie, que havia conhecido. Yoshiki e Marie viveram juntos por quatro anos, quatro intensos anos. Aya também achava que seria pra sempre. Nunca se intrometeu nas escolhas do primo, da forma como ele se intrometia nas suas, guardava sua opinião pra si.

Yoshiki namorou uma vez uma garota, quando era mais novo, chamada Alice. Era a primeira vez que Yoshiki se apaixonara. Aya ainda não entendia muito bem, tinha apenas 13 anos, sempre diz que amadureceu tarde para esse lado da vida.

Yoshiki namorou Alice, no total, por um ano. No total porque era idas e vindas que parecia não ter fim. Foi uma época sofrida, em que Yoshiki mergulhava de cabeça em suas paixões. Digamos que ainda mergulha, mas primeiro vê onde vai cair. Quando se é passional é difícil mudar, não importa quantas quedas.

Yoshiki era extremamente infeliz, mas amava Alice. Ela não sabia muito bem o que queria da vida, e enquanto isso, ficava com Yoshiki. Gostava dele também, sejamos justos. Mas sua vida era complicada demais para ser partilhada com alguém. E Yoshiki sofria. Para Aya era tudo muito simples: era só colocar um fim naquilo tudo, naquele sofrimento.

- Por que não termina com ela?

- Eu não posso terminar com ela. Aya, eu preciso dela, apesar de tudo. Sei que ela me faz sofrer, sei que me dou demais, mas eu a amo, não posso deixá-la assim.

- Mas não faz sentido… Acho que ela não te merece. Veja, ela não te liga, não corre atrás. E você não pára de pensar nela por um minuto.

- Ela não corre atrás porque… Bem, ela tem seus motivos. Ela é frágil, entende?

- Ela não corre atrás porque não precisa, você tá sempre atrás dela mesmo!

- Não é bem assim. Ela tem problemas… Mas ela não consegue me dizer muito bem o que é.

- Yoshiki, acho que é furada.

E foi a única vez em que Aya interferiu na vida de Yoshiki. Ainda não compreendia muito bem o jogo do amor, e fez o que achava melhor para o primo. Quando acontecia de Alice ligar, Aya desligava, entre outras ‘travessuras’. Achava que assim colocava o primo numa redoma, protegido da má Alice. Detestava-a.  Quem a ajudava era Sarah. A amiga ajudava a interceptar os telefones, até mesmo cartas, e-mails. Fazia as coisas darem errado, até Aya perceber que era errado intrometer-se assim. Mas Aya nunca se perguntou porque a amiga ajudava, além do fato de que amigos sempre se ajudam.

Sarah estava apaixonada por Yoshiki. Pensava nele dia e noite. Mas não contou a Aya, não por achar que não entenderia, mas para Sarah, a paixão platônica bastava. Yoshiki não precisava saber, ou sentir. Bastava estar perto de vez em quando, conversar, receber um sorriso. Sim, almejava mais às vezes. Mas percebia que Yoshiki era cegamente apaixonado por Alice.

- Parece doença. – disse Sarah.

- O Yoshiki está fazendo papel de bobo. Não vou mais me meter… Ele que se resolva.

- Coitado… A Alice vai fazer ele de gato e sapato.

- Por falta de aviso que não foi. Homem parece que gosta de sofrer. Não tem aquele ditado? “Pisa que eles correm atrás”? Acho que é verdade…

- Mas o Yoshiki deve saber o que faz. Por que se intromete tanto assim? Às vezes, acho que você o considera mais do que um primo…

- Como assim?

- Parece ciúmes…

- Não é isso. Só me importo o suficiente pra não quer vê-lo mal.

- Tem certeza que não é ciúmes? – provocava Sarah.

- Claro que não, de onde tirou isso?

- Ah, depois que ele conheceu Alice, vocês passaram a sair menos, se falam menos…

- Saímos bem menos mesmo. Mas continuamos nos falando.

- Então está bem…

Aya lembrava-se que o auge da “moléstia” de Yoshiki também fora no Verão. Lembra porque era férias, por isso tinha tempo de interceptar Alice, com ajuda de Sarah. Era até divertido, pensou. Mas Yoshiki não sabia até hoje. Será que ele ficaria bravo, depois de tanto tempo? Pensou em contar, mas não queria falar em coisas passadas, principalmente se tratando de Alice. Não era tabu, mas Aya evitava. Yoshiki não podia evitar um ar de tristeza ao falar dela. Um amor grande só se supera com um outro maior, é o que dizem. Uma grande tristeza só se supera com uma tristeza… maior ainda? Aya não queria mesurar nada. Só queria ver o primo bem. Mas, apesar de já ter enfrentado muitos momentos assim, ainda não sabia uma forma de confortar o primo.

Yoshiki e Aya tinham em comum a fragilidade. Aya sempre dizia que Yoshiki era frágil como um cristal, Yoshiki sempre achava Aya delicada como uma boneca de porcelana, mas ambos se julgavam fortes. Sabiam que não eram. Compartilhavam do mesmo mal: a de serem extremamente românticos.

- Não gostaria de ser tão passional às vezes. Parece bom em alguns momentos, mas em outros, penso se vale a pena.

- E isso é questão de escolha, Yoshiki? Não somos assim porque queremos. Somos assim porque… somos. Há coisas que não se mudam. Eu já tentei, e na verdade, eu consegui, mas não gosto. Finjo ser outra pessoa.

- Conseguiu? Quando?

- Ah, bem…

- Já sei. Com Phillip?

- Por aí. E pior que era Verão também…

- O quê?

- Nada, não.

 

NP: Talking To A Brick Wall – The Cooper Temple Clause

The Blower’s Daughter – Damien Rice

Zodiac Virtues – Diablo Swing Orchestra

Sand & Mercury – The Gathering