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Verão Junho 25, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 10:55 pm
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Fazia um calor terrível, como diria Aya. Porque a maioria das pessoas gostava do verão, do calor, do sol, de ir pra praia e coisas assim. Aya não gostava, mas estava feliz porque as férias se aproximavam. Estava muito cansada com os estudos e o estágio. Infelizmente só teria férias da faculdade, o estágio não daria trégua.

- Podíamos viajar pra algum lugar. Pra Campos, fugir do calor.

- Meu problema é o estágio, Danny…

- Ah, é verdade… Puxa. Queria ficar um pouco com você, só nós.

- Eu sei. Eu também gostaria, você sabe. Mas não posso pegar férias no trabalho ainda.

- Eu sei… Faz tempo que não viajo.

- Eu também não. Mais um motivo pra eu querer, mas realmente não posso. Tenha paciência, Danny.

- Quando você pode, eu não posso. É muito chato isso, às vezes parece que a vida não ajuda a gente. Que adianta termos timing mas nossas vidas não?

- Porque tem coisas que não depende de nós… Não é?

- Às vezes dá vontade de ser adolescente, de ser inconsequente.

- Eu sei. É engraçado como é assim pra mim também. Não me importo com o amanhã, quero viver o hoje com você.

- Devíamos morar juntos. Mas falando sério. O que acha? Podíamos procurar algum lugar aqui perto, assim não ficaria ruim pra ninguém. Seu estágio não ficaria longe, nem o meu. Pra ir às aulas, iríamos juntos. Seria mais fácil passar tempo juntos, não apenas roubando alguns segundos durante a semana, ou esperando o fim de semana chegar. Moramos muito longeum do outro… isso atrasa as nossas vidas.

- Eu sei.

- E então? Que me diz?

- Ah, não sei… Ainda não ganhamos muito. Ganhamos o suficiente, sim. Mas e se eu perder o estágio? Ou você? Não temos segurança financeira ainda, Danny. Nenhum dos dois está ameaçado de perder o estágio agora, mas e se acontecer? Iríamos voltar pra casa dos nossos pais?

- Mas isso é um risco que todo mundo corre, não só com estágio, mas com o emprego.

- Eu sei, mas não somos formados ainda. Isso dificulta um pouco as coisas.

- Yoshiki e Marie não foram morar juntos quando eram bem novos?

- Ah, Yoshiki é um caso a parte… Ele se sustenta sozinho há muito tempo.

- É uma droga depender de dinheiro. Quem diz que sonhos não podem ser comprados, mente… Pra tudo precisamos dessa droga da papel…

- Infelizmente, ou felizmente, é assim que o mundo funciona. Sei que dá vontade de jogar tudo pra cima… Mas a gente sabe que não dá pra fazer as coisas assim.

- Eu sei. É ruim ter que ser racional… Tem medo de se arrepender?

- Claro que não. Aliás, quando estou com você, tenho certeza de tudo. É bom isso. Sempre me passa confiança, de que posso acreditar, de que posso derrubar muros. Perdi todas as minhas defesas…

- É assim comigo também. Por isso gostaria de passar mais tempo com você.

- Bom, mas as férias vêm aí, vamos aproveitar pra colocar algumas coisas em dia!

- Ver filmes e seriados, jogar video-game, ouvir música juntos? Eu topo!

Eram coisas simples, mas que Aya gostava de fazer com Danny. Divertiam-se muito juntos, gostava de passar seu tempo com ele. Quando não estava na aula ou no estágio, estava com ele. Seus pais sempre reclamavam que nunca mais parou em casa. Seu irmão mais novo também reclamava. Josh adorava ‘alugar’ Aya para jogar video game, ou mesmo só conversar. Tinha 15 anos. O do meio, Chris, tinha 20. Era a ovelha negra da família, como todo bom irmão do meio. Era o que não ia bem na escola, no colégio, e agora na faculdade. Era o que não passava as noites em casa, era o que não dava nenhuma explicação. Era o que desaparecia e achava normal. O filho mais problemático. Aya e Chris costumavam se dar bem, mas Chris se afastou da família nos últimos anos, em geral, incluindo Aya. Odiava o fardo de nunca ser como a irmã “perfeita”. Não via a hora de sair de casa. Os pais achavam que a rebeldia passaria com o fim da adolescência, mas só vinha piorando.

- E o Chris, andou aprontando muito?

- Ah Danny… Esse fim de semana pegou o carro do meu pai e foi viajar, sem avisar. Apareceu no domingo, quando minha mãe já tava com o telefone na mão ligando pra polícia. Ele não toma jeito…

- Já conversou com ele? Deveria tentar.

- Eu já tentei, mas não consigo mais atingi-lo, não sei onde encontra-lo… Entende? Ele se mantém afastado. Tenho medo que esteja com algum problema, na verdade.

- Acho que não. Deve ser uma fase. Já faz um ano que estamos juntos, mas nunca o conheci. Ele nunca está na sua casa.

- Isso é verdade. Gostaria que se conhecessem. Talvez conseguisse conversar com ele.

- Marca um jantar, ou um almoço. Avisa ele.

- Duvido que iria… mas, podemos tentar, né? Boa idéia, Danny.

E assim foi marcado um jantar. Ainda escolheram o lugar preferido de Chris: uma churrascaria. Danny não disse que não ia, mas também não confirmou, mas Aya estava confiante de que iria aparecer.

- Não acho que ele venha… sabe como é seu irmão. Vamos pedir as bebidas. – disse Allan, pai de Aya.

- Calma, pai. Nem atrasado ele está.

- Ele disse que viria? – perguntou Sophia, a mãe de Aya.

- Ele não disse que não viria. Disse que pensaria. Acho que pra ele isso é um sim.

- Chris não vem, ele anda muito chato. – disse Josh.

- Calma, pessoal, não desistam. Afinal, quero conhecer o único que ainda não conheço da família! Pensamento positivo! – tentou animar Danny.

- Ah Daniel, nosso filho anda muito problemático. Se todos os garotos fossem como você, o mundo seria mais fácil! – disse Sophia.

- Ih, puxa-saco… – murmurou Aya.

S: O que foi, filha?

Aya: Nada, mãe. Bom, se quiserem, peçam as bebidas, então. Mas se Chris chegar e verem que nem esperaram por ele, por pensar que ele não viriam, vai ficar bravo.

S: É, acho que tem razão. Vamos dar uma chance ele. Mas por que não liga?

Aya: Mãe, paciência. Espera um pouco.

Esperaram por mais uns 10 minutos. Aya não falava muito com ninguém, não tirava os olhos da porta. Esperava ver Chris a qualquer momento. Sabia que os pais não conseguiriam fazer Chris vir por nada nesse mundo, mas tinha esperança que seu irmão ainda a considerava. Danny conversava com Josh, que ria de suas piadas sem graça. Danny se divertia também, pelo menos descontraíam o ambiente. Os pais de Aya conversavam baixo entre si achando que Chris não viria. Yoshiki também foi convidado pra ocasião, mas também estava atrasado.

Aya: Vou ligar pro Yoshiki. Do jeito que ele é cabeçudo, pode ter esquecido da gente.

S: Seu primo nunca foi um exemplo de pontualidade. Mas não esquece dos compromissos que tem com você.

Aya: Bem, isso é verdade. Não vou ligar, nesse caso. Vamos esperar.

Mais cinco minutos. Cada minuto parecia uma eternidade. Os garçons já faziam pressão, esperando ao lado para que a qualquer momento fizessem o pedido. Aya vê Yoshiki entrando, e se anima com a chegada do primo. Mas vê que ele parece conversar com alguém, e logo pensou que tinha trazido alguém junto, talvez até mesmo Marie. Mas para a supresa de todos, Chris entra junto com ele, dando risada. Fica um pouco sisudo ao avistar a família, não porque não gostava dela, mas como proteção. Quando se é a ovelha negra da família, não se pode dar brechas.

Aya: Eu não disse que ele viria? – vangloriou-se Aya.

Y: Desculpem o atraso, pessoal. Mas olha quem eu encontrei no caminho pra cá. Daí dei uma carona pro perdido.

C: Também me atrasei um pouco, porque na verdade o perdido aqui é o Yoshiki. Não sabia chegar aqui, e ainda insistia que eu estava errado!

Os pais de Aya estavam felizes pela presença de Chris, que foi devidamente apresentado a Danny. Chris sentou ao lado de Aya e em frente a Yoshiki, o lugar onde se sentia mais confortável na mesa. Estava um pouco desconcertado, como se não fosse sua própria família, com quem convivera por 20 anos. Era estranho como as coisas mudavam de uma hora pra outra, pensou. Olhou para Josh, e ele não era mais aquele pivete 5 anos mais novo que ele, que sempre quebrava suas coisas. Já tinha alguns pêlos de barba. Aya não mudara muito, parecia que tinha sempre a mesma cara. Agora tinha Danny, que parecia que era O cara para Aya. Já tinha ouvido falar dele, e tinha ficado feliz por ver que ele não era um qualquer, e Aya parecia feliz. Gostava do seu primo Yoshiki, ele era divertido, e parecia que também tinha sido a ovelha negra da família. Seus pais… Ainda tinha a mesma opinião sobre os pais. Eram uns chatos.

S: Obrigada, Yoshiki, por trazer Chris pra cá.

Y: Deve agradecer à Aya. Eu não fiz nada demais. Pelo menos ele parece estar se divertindo. Deviam conversar mais com ele.

Allan: Ele não conversa conosco. É difícil, Yoshiki. Mas obrigado pelo apoio. Talvez seja mais fácil que você converse com ele.

Y: Sim, viemos conversando. Ele ainda é o mesmo Chris, só um pouco confuso. Disse que não está gostando da faculdade. Talvez devessem ouvi-lo sobre o que ele tem a dizer sobre isso.

Allan: Como ele pode não gostar de Engenharia?

Y: Tio, não me leve a mal, mas… Acho que ele nunca quis. Deveria deixa-lo fazer o que ele gosta. Sabe que as coisas não funcionam assim.

S: Eu também sempre achei isso.

Allan: Mas você sempre apoio que ele fizesse Engenharia!

S: Ah, achava que ele seria feliz. Mas se não está, deveríamos ouvi-lo, Allan.

Allan: Conversamos mais tarde. Vamos comer, é pra isso que viemos, não?

A noite seguiu agradável, para todos, aparentemente. Aya se bastou com a presença de Chris. Yoshiki estava feliz de ver Aya contente, e seus tios também. Danny, Yoshiki e Chris conversavam bastante entre si, e tinham marcado jam sessions no estúdio de Yoshiki. Aya se animara com isso, talvez assim pudesse se reaproximar de Chris. Josh se divertiu com as batata fritas sem o controle da mãe, e com as piadas de Danny. Os pais de Aya estavam felizes também por ver a família unida, e estavam esperançosos. E Chris… estava feliz. Sentira que parara no tempo com a família. E viu que eles não eram assim tão chatos. Ainda havia uma coisa que o incomodava, mas tentava ignorar. Gostava deles, e queria se aproximar, sem dar o braço a torcer. Era um tanto orgulhoso.

Afinal de contas, o Verão não era tão ruim assim.

 

NP: Seize The Light – Yoshiki

Lilium Cruentus – Pain Of Salvation

DVORÁK’s Symphony N°9 – Allegro con fuoco (infelizmente não sei a orquestra que interpreta)