The Luckiest

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Second Love Setembro 8, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 4:24 am
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Yoshiki estava empenhado no trabalho com Alice. A banda gravou por um dia inteiro algumas faixas, nas quais Yoshiki trabalhou dias sem sair de casa. Quando tinha idéias para produzir um disco, gostava de dedicar-se exaustivamente. Acreditava que assim trabalhava da melhor forma, embora ninguém concordasse. Aya era uma delas.

 

- Você é louco. Aposto que nem está comendo direito.

- Admito que não estava. Mas hoje já estou terminando, me desligando um pouco. Senão fico louco, né? Não é bom ficar tanto tempo na mesma coisa, senão já não distinguo mais nada.

- E como foram esses dias?

- Foram produtivos. A banda é muito boa, muito criativa. As idéias fluiam facilmente, deu tudo certo. Acho que ficará bom, Aya. Precisa ouvir.

- Sim, preciso. Mas sei que, em tudo que você põe a mão fica bom, eu acredito.

- Aya, não tire o crédito da banda. Se não fossem eles… E somente eles, esse disco não teria ficado bom.

- Você diz isso porque acha que estou atacando a Alice, mas não é isso. Não tenho nada contra ela… musicalmente falando.

- Ok. Pode parar com a ironia e chegar ao ponto.

Aya se espantou porque Yoshiki foi um pouco seco ao dizer isso. Como a velocidade do pensamento é mais rápido que um piscar de olhos, em menos de 10 segundos, passou pela cabeça de Aya, a cena de Yoshiki gravando com Alice, eles se dando extremamente bem, Yoshiki feliz por estar ao lado de Alice novamente, Yoshiki se afundando, Yoshiki se cegando, ficando até mesmo contra ela.

- Calma… Não quis ofender.

- Não ofendeu. Só me fala onde quer chegar.

- Lugar nenhum, tá? Pode parar de ficar na defensiva.

- Não estou na defensiva.

Aya se aborreceu com o primo, algo que não acontecia há muito tempo para quem passa muito tempo juntos. Não queria conversar, então decidiu que iria embora. Yoshiki percebeu, e nem entendia como esse aborrecimento havia acontecido.

- Calma aí, nervosinha. Deixa eu terminar umas coisas? Já saio do estúdio. Você vai me levar pra tomar um sorvete porque deve estar um calor infernal lá fora, eu finalmente vou ver o sol depois de alguns dias, e a gente vai conversar.

Aya não respondeu, apenas saiu do estúdio e foi esperar na sala. Estava mesmo irritada, e era bem orgulhosa quando estava irritada com alguém. Ainda mais quando sabia que tinha razão. Mas, tinha razão no que nisso tudo? Sabia mesmo que estava provocando Yoshiki em relação a Alice. Mas o que a irritou mesmo foi a idéia dele possivelmente ter sido contaminado por ela em questão de dias. Mas foi só uma idéia, sabia que não tinha acontecido de fato. Começava a se preocupar.

Saíram pra tomar o tal sorvete. Aya não falava nada no caminho. Yoshiki tambem não, porque sabia que Aya estava irritada, e nem conseguia fazer um contato visual, já que Aya colocou um pesado óculos escuros. Yoshiki se sentia injustiçado, mas mesmo assim não sabia como chegar na prima, e não queria entregar-se ao orgulho. Ficou aliviado quando a caminhada terminou e eles entraram na sorveteria. Decidiu falar o que achava que Aya queria ouvir, embora soubesse que não devia explicações a ninguém. Mas com Aya era diferente.

 

- Foram dias cheio de trabalho. Nem tive tempo pra pensar em nada, o que de certa forma é bom.

- Não teve tempo pra pensar em quê? No que gostaria de ter pensado?

- Eu pensei em muitas coisas, sim. Quando descansávamos, era estranho estar ao lado de Alice. Ver uma pessoa, lembrar de outra. Eu via Alice de hoje, lembrava da Alice de ontem. Doía… Era triste. É triste sentir que perdemos alguém. Hoje ela é outra pessoa. Por tanto tempo, o que eu mais queria era um momento com ela… E quando eu finalmente tive, algo balançou aqui dentro. Algo s quebrou, como uma decepção. Algo como, ‘tarde demais’.

Aya sentia uma lágrima vindo, mas Yoshiki se conteve. Aya percebeu que aquele abatimento não era de tantos dias trabalhados sem ver o sol. Era sempre assim quando falava de Alice antigamente. A face da derrota.

- Embora isso tenha sido o que sonhei por muito tempo, percebi que esse sonho foi em vão. Como se eu tivesse criado a idéia de perfeição sem saber o que era perfeito de verdade. Alice era uma concepção, uma idéia, depois desses anos todos, sonhando. E eu não quero isso. Desde que Alice voltou, eu sempre soube. Mas acho que precisava sentir isso quebrando dentro de mim.

Yoshiki finalmente caiu em lágrimas. Aya sentiu um desespero nessas lágrimas, e sentiu-se com aquela velha sensação de impotência.

- E agora, o que eu mais quero, novamente eu não posso ter. Uma vez foi a Alice, agora vou criar o conceito Marie? Eu não quero isso de novo. Não quero sentir, quero rasgar meu peito e fazer tudo que sinto de ruim, e mesmo o que sinto de bom, que é o que cria o que me faz mal, ir embora. Não quero sonhar, planejar, imaginar como ela está, não quero tudo de novo. Mas eu não posso evitar… de novo.

Aya queria contar da conversa que teve com Marie, mas não sabia se era o certo a fazer. Ao ver o desespero de Yoshiki, parece que tudo valeria. Mas precisava pensar. Não podia criar uma expectativa que pudesse não existir.

 - Yoshiki, você ainda não lutou. Dê um tempo, você sabe que ela precisa disso. A última vez que se viram foi ruim. Deixe o tempo dizer o que vai acontecer.

- Deixar o tempo construir meus muros novamente… É isso o que vai acontecer.

- Talvez. Eu sei como é esse sentimento de desespero de que nada vai dar certo. Mas não é o fim. Acredite nisso. Você pode fazer muito ainda.

- Não sei… Não sei se quero percorrer esse caminho de novo.

 

Aya sabia que essa história realmente não teve um fim. Como havia dito a Danny, quando duas pessoas se amam de verdade, elas encontram um jeito. Isso acalentava um pouco, pois sabia que realmente se amavam. Talvez Yoshiki pudesse se acalmar também, mas não sabia como Marie ainda se sentia. Aya odiava esses desencontros do coração. Por que as coisas não poderia ser mais fáceis?

Do outro lado da rua, havia uma floricultura. Lírios brancos reluziam e chamaram a atenção de Aya. Lembrou-se então, que Lilium significa ‘amor eterno’. A beleza das flores era uma das coisas que acalmavam seu coração.

 

NP: The Marriage – Jan P. Kaczmarek

Discovery – Virgo

Somewhere Over The Rainbow/What a Wonderful World – Israel Kamakawiwo’ole

Separate Ways – Andre Matos

Second Love – Pain Of Salvation

Forever Love – X Japan

 

The Story Ain’t Over Julho 11, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 4:56 am
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Já que por enquanto não conseguia se resolver, Aya foi atrás de resolver problemas alheios. Pediu tempo à Yoshiki, para que na verdade ela pudesse conversar com Marie. E foi o que fez. Marcou um encontrou, e ao contrário do que Aya imaginava, Marie aceitou prontamente.

- Como vai, Aya? Faz tempo que não nos vemos. É até estranho.

- É verdade. É estranho quando pessoas da nossa convivência… somem.

- Eu não sumi, só me mudei. Sabe como me encontrar e aqui estamos. E então?

- Bom, Marie, primeiro, eu queria saber como você está, de verdade.  Fiquei preocupada desde que foi embora.

- Fico feliz que tenha se preocupado comigo. Senti sua falta, sabia? Mas eu estou bem, Aya. Estou melhor do que quando estava lá. Eu sentia que estava me afundando, e não sabia como me levantar. E o que mais me doía é que eu sentia que levava Yoshiki junto comigo.

- Eu entendo isso… Mas o que eu não entendo, é por que quando estava com ele não conseguia fazer nada do que faz hoje? Por que, por exemplo, não voltou a trabalhar enquanto estava com ele? Lembro de várias vezes que ele lhe falava sobre isso.

- Aya, isso é uma coisa que nem eu mesma entendo. Eu não entendo até hoje porque precisei sair de perto de Yoshiki pra me reerguer. Apesar de todo o apoio que ele me deu, eu não conseguia. Me sentia presa, de certa forma. Eu sei que vai parecer ingratidão, dessa forma. Mas acho que o que me fazia mal, de certa forma estava ligado à ele. E talvez isso não me permitisse crescer novamente. É o que eu penso, sinceramente.

Aya não sabia o que dizer. Não entendia o que Marie dizia, mas ao mesmo tempo fazia sentido. Pelo jeito que a conversa continuava, Aya temia pelo primo. Sentia que Yoshiki iria sofrer com tudo isso.

 

- Eu o amo, Aya. Eu amo muito o Yoshiki, mas não consigo. Não agora. Acho que eu preciso disso, e ele também. O dia em que nos encontramos no restaurante, eu fui uma idiota. Tentei mostrar uqe a vida continua  da pior maneira, mas ao mesmo tempo achava que era a maneira menos dolorosa pra ele, através da raiva. Não sei como pude pensar isso… é a pior maneira de dizer algo a alguém. Eu nem consegui sentir raiva da atitude dele, porque eu sabia como estava sendo idiota.

- É, Marie… Ele acha que você nem é mais a mesma.

- Eu queria que ele acreditasse nisso.

- Eu não entendo por quê…

- Pra quem sabe, ele poder se apaixonar novamente. Pela antiga Marie, pela nova Marie, ou por outra pessoa. E ser feliz. Esquecer tudo o que passou. É o que eu desejo… Há muitas coisas que eu quero esquecer.

- Marie, ele ainda te ama, e muito. Deveria conversar com ele.

- Ainda não, Aya. E por favor, não fale sobre essa conversar com ele, está bem? Confio em você.

- … Entendo.

Aya sentia-se traindo a confiança do primo, mas ao mesmo tempo era para seu bem. Aquelas palavras de Marie não faziam sentido naquele momento, mas Aya matutou e acabou entendendo, de certa forma.

 

- Sabe quando o procurou esses dias? A Alice.

-… Aquela Alice?

- É. Yoshiki vai produzir um álbum dela.

Marie ficou cabisbaixa. Aquilo a golpeou, doeu. Alice sempre foi o fantasma na vida dos dois. Aya não sabia ao certo se deveria falar, mas já tinha começado. Sentia traindo Yoshiki novamente, mas ao mesmo tempo queria ver a reação de Marie. Era óbvio que não iria gostar, já que dizia que ainda o amava.

 

- E como está Yoshiki com isso?

- Está bem. Reagiu muito bem. Fiquei com medo quando a vi no estúdio, confesso. Mas ele está bem, sabe, ele superou isso já…

- Eu acho que ele nunca vai superar…

- Não é bem assim. Ele mesmo disse que estava bem, e estava bem porque viu que as coisas são diferentes do que imaginava. Nem ele tinha idéia de que tinha superado essa história. Eu acredito que não há mais espaço para essa história na vida dele… Foi bonito, foi sofrido e tudo mais. Não está mais preocupado em enterrar tudo isso, em superar. Ele já o fez.

- E podemos ter certeza de coisas assim? Isso sempre me incomodou. Sempre.

Yoshiki sabia disso. E agora, lamentava-se, pois percebeu que às vezes não se dava na relação como Marie, exatamente por manter um pé nas más lembranças. Era feliz com Marie, sempre foi, mas aquela tristeza toda que sentia por causa da história mal resolvida com Alice sempre destoava, às vezes em maior ou menor grau. Isso o cegava, não permitia ver o que diante de si. Sentiu-se mais triste ainda, percebendo isso. Queria tanto Marie perto dele… Sentia sua falta, em tudo que fazia. E sentia que ela tinha ido embora por sua causa. Questionava se tinha sido um bom companheiro como ela merecia. E a resposta que vinha à sua cabeça era “não”. Sentia que havia tanto ainda a fazer por ela, que havia tanto pra viver ao seu lado. Sentia que aquela história não havia terminado.

 

NP: Fields Of Gold – Eva Cassidy

Salka – Sigur Rós

 

Extremos Julho 9, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 5:57 am
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 - Como vocês está?

- Bem.

Yoshiki olhou para Aya, e sorriu. Entendia a preocupação da prima, mas estava realmente bem.

- Posso perguntar?

- Claro. O que quer saber?

- Como foi vê-la depois de tanto tempo.

- Doloroso…

- Mas você disse que estava bem.

- E estou. Mas calma, não me deixou terminar de responder.

- Tá bem… continue.

- Como eu disse, foi doloroso. Ela apareceu na minha porta e eu devo ter reagido como se tivesse visto um fantasma. Ela se manteve estática, sorrindo, mas ela tinha uma vantagem, ela já sabia que me viria. Eu fui pego totalmente de surpresa. Apesar de ter sido um leve soco no estômago, também fiquei feliz quando a vi.

- E depois?

- Depois começamos a conversar e o nervoso foi passando… Ela foi falando da banda, da música, e eu tentei colocar meu lado produtor à frente. Deu certo porque fiquei mais descontraído. Conversamos muito tempo sobre música. Depois de um certo tempo, acabamos chegando no assunto que realmente queríamos chegar, acho.

- Sobre vocês?

- Sobre a vida. Como ela andou, como eu estava. Conversamos um pouco por cima, mas foi bom. Fiquei feliz de ver que ela está bem, que superou problemas que a faziam infeliz… Ou pelo menos está lidando bem melhor com eles. Porque acho que existem coisas que não superamos às vezes… Mas aprendemos a lidar de forma que… não sei, que dê pra levar adiante, não é?

- Acho que sim…

- Foi bom conversar com ela e ver que está bem.

- Mas e você? Ficou bem com isso?

- Aya, não é fácil, claro. Mas quando eu lhe disse que estava tudo bem, eu realmente quis dizer isso. Não foi fácil, doeu, dói. Não vou mentir. Mas foi bom ver aquele velho rosto aqui hoje. E ver que eu posso olhar pra ela sem querer chorar, sem querer sumir. Sem querer me despedaçar de novo… Você sabe que demorou tanto pra eu me juntar novamente. Mas eu fiquei feliz por mim, também. De ver que eu consigo viver com isso, apesar de cutucar. Eu só acho que cutucou na verdade porque… Porque foi muito tempo sem ver ou sem saber dela.

- Acho que entendo… Mas e agora? Vai produzir a banda dela?

- Acho que sim. Eles são bons. Não é só porque é a Alice… Ela sempre compôs coisas bonitas. E ela está trabalhando com pessoas competentes.  Ela já tem a gravadora, e eles vão lançar o disco primeiro na Europa, já têm tudo planejado. Então acho que produzi-los vai ser legal.

- Como acha que vai ser vê-la sempre enquanto produzir o álbum?

- Você quer me testar.

- Mais ou menos… Quero saber seu limite.

- Não acho que vá ser mal, no sentido de ser realmente mal pra mim. Não digo que não é estranho. Mas sabe o que isso tudo me fez perceber?

- O quê?

- Que eu não sinto mais falta do meu passado. Eu sinto falta do meu presente. E meu presente… ainda é Marie.

- Então, é possível mesmo enterrar tantas feridas?

- Eu acho que sim. Acho que elas não se curam totalmente… Não quando é tão profundo assim. Talvez seja como perder um rim, um pulmão, um braço, perder parte de você… Tem como substituir? Não. E você não consegue substituir o que foi perdido. E é também como aquela dor fantasma de quem perde um membro e ainda sente dor nesse mesmo membro. Não está mais lá, mas você sente. Se nosso organismo, nosso cérebro que é tão preciso, se engana, porque nosso coração, nossas emoções também não podem se enganar? Mas infelizmente algumas respostas demoram a chegar porque compreendemos isso tão pouco…

- E agora? Como vai resolver essa falta do presente?

- Não sei, Aya. E é aí que mais uma pergunta se cria: será que a Marie que amei já faz parte do meu passado? Já que a Marie de alguns dias atrás não parecia mais a mesma que conheci… Estou de novo caindo no erro de sentir falta do meu passado?

- Acho que está se precipitando. Deveria dar uma nova chance a ela, conversar com ela. Não acredito que as pessoas possam mudar tanto de repente… Digo… Não sei, acho que podem…

- Experiência própria, hum?

- Posso dizer que sim. Mas sabe que cada um é cada um. Converse com ela. Sabe que tem que tentar.

- Eu sei. Só falta coragem agora…

- Dê um tempo. Além do que, eu acho que ela deve estar muito brava com o que você fez…

- Eu sei. Eu estava com raiva. Nunca agiria assim com ela nem com ninguém… É estúpido dizer isso, mas eu só agi assim porque a amo demais. Ninguém mais me faria agir dessa forma, tão desesperada.

- Realmente soa estúpido…

- Err…

- Mas é verdade. Uma única pessoa pode nos levar ao céu e ao inferno… Pode nos levar aos extremos.

- Então é verdade que amor e ódio andam juntos.

- Talvez. Mas você sabe… não é assim… é?

- Acho que não. Mas e você? Como estão as coisas?

- Normais, acho.

- Acha? Normal? Normal não é bom.

- Não? Anormal é bom, então?

- Ah, você entendeu. Quando as coisas estão bem, ninguém responde que está normal! Aí já tem algo de errado… Normal quer dizer tédio.

- Ah, que rebelde…

- Você entendeu.

- É… talvez tenha razão. Não acho que normal seja bom. Se eu não respondi que as coisas estão bem, isso não deve ser normal. Ah, enfim…

- O que não anda bem?

- Acho que nada…

- Como assim, nada? E você não me diz nada?

- Ah, você deveria saber que eu não saio falando…

- Bem, isso é verdade. Desculpe, eu ando meio relapso.

- Não precisa se desculpar. Você não precisa ouvir o problema dos outros quando se está cheio de outros.

- Bom, não precisa me enrolar. Desembucha.

- O problema é que… Ah, o problema deve estar… O problema deve ser eu. Eu não ando bem, consequentemente nada à minha volta anda bem, nada funciona. Ando cansada, abatida, pensativa, pensando em coisas que não me fazem bem, e nem entende porquê… Espero que seja só mais uma fase… Pior que nem TPM é.

- É muito estranho como vocês têm esperança na TPM. De que isso tudo se vá com a chegada da menstruação… Ser mulher deve ser esquisito… Muito hormônio no coração…

- O pior que é assim pra muitas pessoas… Eu queria que fosse assim pra mim também. Pelo menos eu me livraria de muitos problemas com uma semana de chatice, iria valer a pena menstruar… Enfim, papo estranho.

- Você é amaldiçoada, não tem TPM…

- Engraçado, algumas diriam que eu sou sortuda.

- Eu sei, estava sendo irônico…  Bem, sendo TPM ou não, espero que passe.

- Eu também…

 

Yoshiki não quis perguntar à prima o que havia de errado. Desconfiava, e se estivesse certo, preferia não tocar no assunto, que era quase um tabu. Mas entendia, o que lhe fazia mal, realmente lhe fazia muito mal, assim como era com ele, embora percebera que não havia mais nada pra se preocupar com o passado. Estava de bem consigo mesmo, depois de muito tempo. Mas estava preocupado com Aya agora. Yoshiki se abria quando precisava, mas Aya não fazia o mesmo. Não era fácil fazê-la conversar quando estava mal, então achou melhor não pressionar. Diria quando estivesse pronta.

 

NP: Set The Fire To The Third Bar – Snow Patrol [Feat. Martha Wainwright]

Gone Too Far - Allen & Lande

I’ll Stand By You – Rod Stewart

The Forgotten Ones – Allen & Lande

Frozen – Madonna

The End Of August – Yanni

 

Perdas Junho 30, 2008

Arquivado em: Uncategorized — Eve @ 4:48 am
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Aya pensava consigo mesmo que todos deveriam ter alguma perda em suas vidas. E que isso os fazia pensar diferente. FIcou pensando sobre mudar, depois da conversa com Yoshiki. Percebia que o primo, apesar das quedas, sempre manteve-se firme no que acreditava. E aquela frase “será que vale a pena?” ficou ecoando na cabeça.

Não queria revirar-se. Haveria algum momento que teria que fazer isso, limpar o pó de memórias antigas. Mas ainda sentia que não era hora. Quando o tempo não cura, o que então iria curar? Não se sentia mais ferida por coisas antigas, mas mesmo assim não gostava de lembrar. Começou a pensar então no sofrimento alheio.

Yoshiki, por exemplo. Lembra que o primo entrou em depressão pós-Alice. Ela era seu mundo, e apesar de terem ficado pouco tempo juntos, Yoshiki sempre diz que aprendeu muito com ela. Alice tinha muitos problemas na vida, e dizem que só os maus momentos é que nos fazem aprender sobre a vida. Talvez fosse o caso de Alice. Yoshiki gostava de seu ponto de vista, mas depois de algum tempo, depois de superar isso, conseguiu ver com os próprios olhos que não era bem assim. Percebeu que Alice tinha a visão do que ele julgava errado. Por causa de seus problemas, tendia a ver tudo com pessimismo, como se o mundo não tivesse mais jeito. Yoshiki partilhou dessa visão enquanto estava com ela, e um tempo depois. Mas percebeu que pensar assim, não era seu jeito de pensar. Isso o ajudou a superar a perda.

Depois de Alice, vieram outras. E veio Marie. Aya acreditava que Yoshiki nunca superaria a dor que Alice lhe causou. Nem mesmo Yoshiki acreditava. Mas quando Marie veio, depois de tanto tempo, as coisas mudaram. Era a primeira vez que Yoshiki voltou a acreditar que poderia ser feliz. E realmente foi, por quatro anos. Ninguém sabia o que aconteceria daqui pra frente, mas Yoshiki estava sofrendo novamente. Já sabia o caminho da dor, mas mesmo assim, percorria a mesma trilha. O buraco parecia maior agora, porque com Marie era feliz em tempo integral, com Alice, era quase sempre infeliz. Com Marie, seus planos davam certo, não apenas quando dependia dele. No começo do namoro, Yoshiki tinha medo, e era cauteloso com Marie. Acreditava que nada superaria o que sentia por Alice. Mas viu que era bobagem, porque com Marie aprendeu a sorrir de verdade, a ser ele mesmo. Aprendeu a deixar a dor, embora a dor fosse inspiradora. Mas sabe da importância de Alice em sua vida. Talvez, se não tivesse conhecido o outro lado do amor, talvez nunca teria se dado tanto à Marie. Talvez nunca tivesse se esforçado tanto em momentos que foram precisos.

Aya pensou nisso, e tirou algo positivo da perda. Claro, ninguém gosta de sofrer, mas todos sofrem, e se pelo menos pode-se aprender algo da dor, que seja algo de bom.

Pensou em Danny. Antes de conhecê-lo, Danny havia namorado uma garota. Isso causava-lhe um leve mal estar. Aya nem citava seu nome. Não era um ciúmes bobo de ex namorada, aliás, não era ciúmes. Aya tinha sim, raiva, assim como tinha de Alice. Raiva por ter feito Danny sofrer. Danny e essa garota que ainda não citaremos o nome, namoraram por algum tempo. Eram novos, eram problemáticos, estavam conhecendo a vida. E nesse tempo, sofreram. Danny parecia ter sofrido mais, porque não se desvencilhava da perda. Talvez aquele ditado, “pisa que eles correm atrás”, realmente é verdade, pensou Aya. Mas Danny parecia bem. Já haviam conversado longamente sobre esse assunto, embora fosse difícil. Eram sinceros um com o outro. Isso por si só já fazia bem à Aya, que nunca conseguia ser 100% sincera com outros, ou consigo mesma quando falava de dores passadas, ou de outros sentimentos relacionados a outros tempos. Isso também fazia diferença com Danny. Era muito feliz. Por isso era hora de largar restos de outros tempos, era hora de virar a página.

 

Danny se manteve fechado por muito tempo, desde então. Não se lembrava mais como era desde que havia trancado seu coração. No fundo, lembrava-se, e tinha esperança de que pudesse entregar a chave novamente para a ex namorada, ou alguém que o amasse, alguém que ele pudesse amar. Ele não sabia se era falta dela, ou falta de alguém. Na verdade, sabia que o problema estava nele: não sabia se poderia amar tudo o que havia amado novamente, daquele jeito, naquela intensidade. Aquilo tudo era ele, e se não pudesse ser ele novamente, então não queria. E batera o pé no erro, insistindo no antigo amor.

Mas conheceu Aya, e percebeu que não valia a pena tantas defesas, tantas muralhas. Derrubou-as, talvez ainda não por completo. Algumas coisas levam tempo, talvez mais do que tempo. Aya odiava perceber que aprendia mais com erros e decepções, e também a maioria das pessoas que conhecia. Por que não aprender com os acertos, com sorrisos, com momentos felizes, com momentos epifânicos? Era preciso perder para perceber o que se tinha? Era o velho papo de “intrínseco ao ser humano”? Aya detestava teorizar tudo, mas quando percebia, já tinha uma teoria pronta na cabeça, pra tudo, das coisas mais bestas às mais importantes. Seu lado cético racionalizava tudo, mas cada vez mais percebia que algumas coisas não são feitas para se usar a razão. Existiam coisas que ninguém explicava, e que ninguém precisava se perguntar por quê.

 

NP: Anthem – Kamelot

 

 

Yoshiki & Marie Junho 26, 2008

Arquivado em: Verão — Eve @ 12:37 am
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Yoshiki e Marie não se viam há algum tempo, mas sempre tinham notícias um do outro. Marie havia aceitado a proposta de uma agência para uma campanha de próximo Outono-Inverno. Com isso, voltara para o mundo do glamour, e consequentemente conseguido outras propostas. Pela primeira vez, Yoshiki estranhou ao ver um anúncio de uma marca e ver Marie nele. Foi estranho porque foi a primeira vez, depois de muito tempo, que não acompanhou a sessão de fotos, que não estava lá. Estava feliz porque via Marie bem, mas sentia sua falta no dia-a-dia, e em todas as coisas.

Marcaram um jantar para colocar o assunto em dia. Marie era outra pessoa, diferente daquela de alguns meses atrás. Yoshiki gostou de vê-la bem, mas ao mesmo tempo sentiu-se mal, pois de certa forma, sentiu-se culpado por aquele estado em que se encontrava. Bastou a distância, para que ela voltasse a ser a Marie de antes. Pelo menos visualmente.

- Você está muito bem. Gostei das novas fotos.

- Eu deveria ter mandado o book. As fotos ficaram lindas, mesmo. Eu realmente gostei. Pude opinar nas fotos.

- Talvez por isso tenha saído tão bonita.

- Talvez. E você, como anda?

- Na mesma, produzindo. Talvez eu viaje para os EUA, para contatar algumas das bandas que produzo. De vez em quando é bom. Não gostaria de vir junto?

- Não posso. Minha próxima sessão de fotos será na França. Mamãe irá comigo, está louca para voltar para sua cidade. Tenho até medo que resolva ficar por lá. Diz que vai arrumar um marido! – riu.

- Mas eu nem lhe disse quando.

- Bem, minha agenda está bem lotada. Voltei à ativa com tudo.

- Deveria ir com calma. Como está fisicamente?

- Ir com calma? Eu estou bem. Sabe que gosto desse ritmo.

- Sim, eu sei. É que talvez fosse melhor voltar com calma antes de cair de cabeça.

- Yoshiki, eu sei me cuidar.

- Sabe?

Havia uma tensão entre os dois. Yoshiki parecia não reconhecer Marie em algumas coisas. Sua postura, a forma como falava, parecia distante. Às vezes não olhava em seus olhos enquanto conversava, com aqueles olhos de esmeralda.

- Você parece estressado. Talvez seja bom viajar pra descansar.

- Eu vou a negócios. É muito corrido, você sabe.

- É, eu bem sei…

- O que quer dizer?

- Nunca teve tempo pra mim nas viagens.

- Isso não é verdade! Sempre passeávamos, eu tinha pouco tempo, mas dedicava a você, sempre.

- Obrigada pelas migalhas.

- Marie, nunca se queixou!

- Porque eu achava que não podia te incomodar com coisas tão… bobas, como meus sentimentos. Mas tenho percebido que me sacrifiquei demais por você.

Yoshiki estava atônito. Não, aquela não era sua Marie. O que dizia não era verdade. Sabia que tinha uma vida corrida, mas sempre gabou-se de poder trabalhar a hora que quisesse, exatamente para dar importância à sua vida. E sua vida era em grande parte, Marie. Foi assim desde o início, até o último dia em que ela decidiu ir embora. Sentia-se tremendamente injustiçado.

- Não sei como pode dizer isso, Marie…

- Bem, vou pegar um drink.

- O quê? Você não bebe…

Antes mesmo de Yoshiki terminar sua frase, Marie estava no bar do restaurante. Yoshiki a olhava e via outra pessoa. Não era Marie ali. Como, em alguns meses apenas, ela poderia ter mudado tanto? Antes de se encontrarem, conversavam sempre ao telefone, e Marie sempre soou bem, mas nunca se aprofundava no que dizia. Yoshiki começou a raciocinar, e chegou à conclusão que havia deixado passar muitas coisas para que Marie não se sentisse pressionada. E talvez isso resultasse numa falsa impressão de abandono.

Um homem estava conversando com Marie. Os dois pareciam se conhecer. Talvez até demais. Yoshiki continuou a observar atentamente. Indignou-se por Marie não dar logo por encerrada a conversa com aquele sujeito, já que estava à sua espera. Remexia-se na cadeira. Mas Marie nem sequer olhava, continuava a conversar com o sujeito. Nem sequer havia apontado para Yoshiki, querendo dizer que estava acompanhada. Yoshiki então notou que Marie não estava usando aliança. Não haviam se casado oficialmente, mas é óbvio que tinham um compromisso, que era mais do que um simples namoro.

Yoshiki começou a se irritar com a espera. Marie não parecia se importar em fazê-lo esperar, parecia mesmo mais interessada na conversa. Então, o sujeito passa levemente a mão em seu cabelo. Marie não o afasta, apenas se desvencilha com um leve movimento. Aquilo bastou. Yoshiki levantou-se e foi embora, sem olhar para trás. Marie, ao ver que Yoshiki tinha ido, desculpe-se com a então companhia e foi atrás.

- Yoshiki! Espere! Aonde vai?

- Onde acha que vou?

- Yoshiki, não seja imaturo.

- Marie, acho que já tem companhia para a noite. Não era o que eu havia planejado, mas vá lá, divirta-se. Acontece que hoje encontrei a Marie errada, me desculpe.

- Sou a mesma Marie que conheceu.

- Não é. Tome, fique com o troco.

Yoshiki jogou algumas notas de dinheiro em Marie e entrou em seu carro.

 

NP: Bird Girl – Antony And The Johnsons

 

Novos rumos Junho 25, 2008

Arquivado em: Primavera — Eve @ 6:32 pm
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Yoshiki e Aya acabaram dormindo no sofá. Ficaram conversando até caírem no sono, enquanto alguns DVDs de música tocavam. Marie saiu do quarto e os encontrou na sala. Sentiu aquele ciúmes ao ver os dois dormindo. Mas não era o ciúmes de antigamente. Sentia um ciúmes por achar que havia perdido Yoshiki. Ainda o amava, apesar de não terem a melhor relação no último ano.

Marie tinha tomado uma decisão. Havia arrumado as malas, e iria morar com a mãe. Não sabia se definitivamente, ou se seria só algum tempo. Percebia o quanto prendia Yoshiki, e isso a fazia infeliz. Não conseguia mais ser forte com ele, precisava encontrar essa força sozinha. O tratamento não ajudava muito, na verdade. Achava que tinha que andar com as próprias pernas novamente, e só conseguiria sozinha. Quem sabe pudesse voltar para Yoshiki bem.

Não quis acordá-los. Sempre dizia que Aya parecia um anjo dormindo, e Yoshiki parecia bem também. Nem havia saído ainda, mas já sentia falta deles. Subiu para arrumar o restante das malas.

Yoshiki ouviu os passos de Marie na escada e levantou com cuidado para não acordar Aya. Encontrou Marie de pé, fazendo as malas.

- Marie? O que está fazendo?

Marie não se virou, continuou fazendo as malas.

- Yoshiki, tomei uma decisão. Eu vou embora.

- Embora? Pra onde?

- Vou ficar com a minha mãe. Pelo menos por enquanto. E tomei outra decisão. Vou voltar a trabalhar. Lembra daquela agência que ligou? Eles ainda me querem para um projeto. Talvez seja minha última chance de voltar ao mercado.

Marie era modelo. Marie era realmente linda: tinha cabelos castanhos bem lisos e compridos, a pele bem clara, olhos verdes como a esmeralda. Era magra por genética, não precisava fazer muitos esforços para se manter no peso exigido. Apesar de todo o glamour em que sempre viveu, era bem simples. Queria coisas simples, gostava de coisas simples. E foi essa simplicidade que chamara atenção de Yoshiki. Não era fútil como outras desse mundo. Gostava de música clássica, gostava de ler, e adorava falar francês, que aprendera com sua avó e sua mãe.

- E… Como nós ficaremos?

- Não sei, Yoshiki. Mas sinto que preciso deixar isso tudo pra trás. Preciso seguir em frente, e você também. E nesse momento, não consigo isso com você, nem você comigo.

- Marie, claro que conseguiríamos isso juntos. Bastava você querer.

- Não Yoshiki, não é simples assim. Eu preciso ir embora. Me desculpe por ser tão fraca… Minha fraqueza não pode mais atingi-lo. Eu mandarei notícias, está bem? Virei visitá-lo também, e claro, pode me visitar. Não quero perder contato com você, mon chérie.

Yoshiki não sabia o que dizer. Via Marie escapar por seus dedos, mas sabia que estava certa.

A separação, em qualquer forma que seja, sempre é dolorosa. Yoshiki observou Marie entrando no táxi, e teve a impressão de que já estava um pouco melhor. Pelo menos estava buscando melhorar. Se para isso precisava se afastar dele, que fosse. A amava demais, só queria vê-la feliz, ainda que fosse em outro lugar, com outra pessoa. Mas sentia que havia falhado, que não havia feito o suficiente. Sentia que ainda não poderia deixa-la ir. Queria ter tentado mais. Sentiu-se mais culpado pela idéia da internação. 

Mas não chorou. Sentia que não era o fim, que era apenas um recomeço. Sentiu-se feliz ao ver Marie sorrindo ao despedir-se. Voltou para a sala assim que Marie foi embora, e sentou-se ao lado de Aya, que acabara de acordar.

- Nossa, dormimos tarde ontem.

- É… apagamos, na verdade. Nem lembro que horas eram. Dormiu bem?

- Sim, apesar de ter dormido meio torta…

- É, eu também.

 

NP: The Night Is Young – The Bathers [feat. Liz Fraser]

Lost In Space (epic version) – Avantasia 

 

Revelações Junho 25, 2008

Arquivado em: Primavera — Eve @ 5:18 am
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- Hey, isso é muito bom! – exclamou Danny.

- Isso soa bem NWOHBM, bem Iron Maiden! – empolgou-se Aya.

- É por isso que queria mostrar a vocês. Sabia que iam gostar. O que acha, Marie?

- Sabe que não gosto esse tipo de música…

- Está produzindo esses caras? – perguntou Danny. Eles são bons.

- Ainda não respondi. Me mandaram essa demo, estou pensando. O que acham? Mais uma banda de metal, ou têm futuro?

- Precisaria ouvir mais, mas eu acredito que eles têm potencial. Têm bons instrumentistas.

- Também achei isso, Aya. Mas precisava da opinão de profissionais, né?

Aya e Danny riram.

- Cara, se for produzir esses caras, me chama pra ver quando eles forem gravar. Achei muito legal uma banda nova assim. – Disse Danny.

- Claro. Vou falar com o tal do produtor. Quando acertar tudo, aviso vocês. Obrigado pela opinião de vocês. Bom, vamos ver se esses sanduíches estão bons!

- Yoshiki, poderia ter me avisado que eles viriam. Nem preparei nada.

- Eu avisei de última hora. Mas com certeza eles não se importam.

- Não mesmo. E os sanduíches estão bons. – disse Danny.

- A gente podia ver um filme. – sugeriu Aya.

- Boa idéia. Yoshiki comprou alguns DVDs novos. – respondeu Marie.

- Ah, estava pensando em ir ao cinema.

- Vamos, Marie? Faz tanto tempo que não saimos.

- Não sei… Não me sinto bem.

- O que tem, Marie? – perguntou Aya.

- Eu… só não me sinto bem pra sair. Preferia ficar em casa.

- Marie, vamos. Podemos ver o filme, comer naquele restaurante que adora depois.

- Yoshiki, acabamos de comer. Já disse, não me sinto bem. Vocês podem ir se quiserem…

- Tudo bem, Marie. Podemos ver um DVD aqui mesmo. – disse Danny.

Marie levantou-se e saiu da sala.

- Marie… – chamou Yoshiki.

Marie subiu para o quarto. Yoshiki foi atrás de Marie. Aya e Danny ficaram desconcertados, era uma situação muito delicada. Era possível ouvir apenas Yoshiki, pedindo para Marie abrir a porta do quarto, enquanto ela apenas soluçava lá dentro. Depois de um tempo, Yoshiki voltou para baixo.

- Desculpe, Yoshiki. Não devia ter comentado. – disse Aya.

- Sabe que não é sua culpa. Queria mesmo que estimulasse Marie a sair de casa um pouco. Eu também não aguento ficar trancafiado aqui por causa dela… mas não se o que fazer.

- O que o psicólogo tem dito?

- Que ela nunca se recuperou daquele dia… que o trauma foi grande, desde o ataque, até a perda do bebê… que nunca existiu.

- Ainda hoje ela acha que estava grávida? Mesmo vendo exames?

- Ela nega. Ela diz que sabe o que sentia, e só ela sabia. Isso dificulta mais as coisas. Não sei o que fazer. Se é melhor aceitar a visão dela, ou se é melhor fazê-la encarar a realidade.

Aya sentia-se triste por ver Yoshiki tão derrotado. Sentia-se impotente. Yoshiki sempre a ajudou, e queria poder retribuir. Odiava vê-lo sofrer tanto, justo ele, uma das pessoas que mais importava em seu mundo. Preferia que a dor que sentia passasse pra ela mesma. Era mais fácil lidar com sua dor do que com a dos outros.

- Bom, mas vamos ver um filme então. Não quero ficar pensando nisso. Que tal um filme romântico?

- Ih, aí depende. Sem mela-cueca, hein? – descontraiu Danny.

- Cara, existe filme romântico não mela-cueca? Bom, esse tem cara de ser muito. Mas também parece bom. “PS Eu te amo”.

- Ah, queria ver esse faz tempo!! Vamos ver esse! – disse Aya.

Yoshiki tinha uma casa bem confortável. Foram para uma sala onde havia um projetor, e sofás confortáveis, mas preferiram jogar-se nos puffs no chão. O filme era realmente muito melancólico: Aya já deixara escapar lágrimas nas primeiras cenas. Yoshiki olhou para a prima enxugando as lágrimas, e pensou consigo mesmo, “ela não muda…”. O engraçado é que Danny também se emocionava durante o filme. Yoshiki pensou em tirar um sarro, mas achou aquilo interessante. Percebeu o quanto Danny era sensível também, assim como Aya. E como era difícil encontrar pessoas que conseguiar expôr fraquezas assim. Yoshiki sentia-se travado. Sentia-se sempre transbordando, mas nunca conseguia explodir. Não sabia a que atribuir isso. Eram muitas coisas do passado, e do presente, que interferiam em seu futuro. Sem que percebesse, observou Aya e Danny juntos. Sentia falta de ser feliz assim também. Sentia-se mais velho do que realmente era. Sentia que envelhecera tanto no último ano, sentia-se estagnado. Eram tantas coisas pra sentir, que não sentia mais a si próprio.

O filme acabou com muitas lágrimas. Mas com sorrisos de ter visto a um bom filme. Danny despediu-se de Yoshiki e Aya, porque enfretaria um plantão no hospital onde fazia residência. Ainda não estava na hora, mas foi voluntariamente para saber como era a rotina de um hospital, e hoje era o grande dia. Yoshiki chamou um táxi para Danny.

- Acho que vou pegar um também, está tarde. – disse Aya.

- Então fica aqui hoje. Avise a sua mãe. Já está muito tarde.

Aya iria dizer que era melhor voltar pra casa, mas percebeu que o primo estava realmente abatido. Sentia que ele não queria ficar sozinho. Ligou para a mãe, que concordou sem problemas, afinal era Yoshiki. Aliás, essa era a desculpa que Aya sempre dava quando passava a noite fora com Danny. Avisava que ia dormir na casa do primo, e a mãe nunca desconfiava, já que confiava em Yoshiki de olhos fechados.

- Que bom que resolveu ficar. Acho que preciso conversar com alguém. E que bom que esse alguém é você… Se importa? – perguntou Yoshiki, acendendo um cigarro.

- Sabe que me importo. Mas, vou fazer o quê?

- Não se importava há alguns anos.

- Enfim…

- Aya, eu quero parar.

- Parar o quê?

- Isso tudo. Você viu.

- Sim, mas seja específico.

- Isso está… me matando. Por dentro e por fora. Eu nunca mais fui o mesmo há um ano. Minha vida virou um inferno. Acordo todos os dias no meio da noite pra saber se Marie está bem, não consigo dormir. Tenho tomado calmantes, coisas pra me manter acordado, tenho feito uma bagunça com a minha saúde. Há dias que não vejo o sol. E é assim sempre. Perdi contato com muita gente. Só tenho trabalhado. Às vezes não posso receber meus clientes em casa. Me sinto triste ou revoltado todos os dias. Voltei a ser triste o tempo todo…

Aya não sabia o que dizer, enquanto Yoshiki a encarava por alguma resposta. Mas os dois não precisavam de respostas. Bastava um olhar. Aya não precisava dizer que sentia muito. Yoshiki sabia. Os dois sempre se espantavam com a ligação que tinham. Um sabia o que o outro sentia, sem dizer uma palavra. Abraçaram-se longamente enquanto Yoshiki finalmente conseguia desafogar.

 

NP: All Through The Night – Cyndi Lauper

Pressure – Anathema

Ask The Lonely – Journey

Cry With a Smile – After Forever

Run For a Fall – Epica

 

 

Scars Junho 25, 2008

Arquivado em: Primavera — Eve @ 3:55 am
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- Aya? É o Yoshiki.

- Claro que eu sabia que era você.

- Não quer vir aqui em casa? Queria que desse umas opiniões sobre um trabalho. Marie quer vê-la também.

- Ah, ótimo… Estou com saudades de vocês também. Vou, sim. Importa se eu for com o Danny?

- Aquele magrelo?

- Yoshiki…

- Just kidding. Claro, pode vir, não precisa nem pedir. Um beijo, até daqui a pouco então.

Fazia um pouco mais de um ano daquele triste incidente. Yoshiki estava melhor, já Marie, ninguém sabia. Fazia tratamento psicológico, e era difícil entender o que realmente se passava com ela. Yoshiki não saia de perto, estava sempre a vigiando. Tinha medo desde aquele dia no hospital. Isso a irritava, pois, na sua versão, nunca tentou se matar.

- Aya! Danny, entrem!

Yoshiki abraçou Aya fortemente, praticamente entrangulando-a. Os dois riram. Eram muito amigos, sentiam falta um do outro quando não estavam perto. Haviam morado juntos quando eram mais novos, quando a mãe de Yoshiki decidira ir para outro país. O pai de Yoshiki havia morrido quando ele tinha sete anos, então Yoshiki cresceu com Aya por muitos anos. Mesmo depois que a mãe de Yoshiki voltara, estavam sempre juntos, estudaram juntos no mesmo colégio, e mesmo com a diferença de idade, estavam sempre perto. As famílias também eram bem próximas. A mãe de Yoshiki era irmã do pai de Aya. Também se davam bem, na família de seis filhos.

Danny até sentia uma ponta de ciúmes. Mas procurava entender a relação fraternal dos dois, no fundo ficava feliz que Aya tinha um alguém como Yoshiki.

- E Marie, onde está?

- No quarto, descansando.

- Como ela está?

- Hoje ela está bem… Eu acho.

- Como estão as coisas?

- Um pouco mais fáceis, Aya. Há dias que são difíceis. Mas ela tem melhorado.

- Sabe que pode contar comigo, pro que precisar, não sabe?

- Claro. Bom, mas vamos falar de trabalho. Venham, quero a opinião dos dois sobre esse trabalho novo. Danny, você toca guitarra, não toca?

- Piano.

- Ah é, guitarra era o outro namorado da Aya…

- Yoshiki? – reclamou Aya.

- Danny, só estou brincando. Você é o único deles que eu gostei, só por isso eu brinco com você.

- Ahn… Tudo bem, eu não ligo não. – disse Danny, descontraído, enquanto Aya olhava pra Yoshiki com um olhar de reprovação. Ele respondia com um olhar de ‘o que foi?’

- Yoshiki? – era Marie, descendo as escadas.

- Marie!! – disse Aya, correndo para abraçá-la.

- Como vai, Aya? Faz tanto tempo que não nos vemos.

- Eu sei. Olá, Daniel.

- Olá Marie, tudo bem?

- Querida, venha, vamos ouvir aquele novo projeto do Gus.

- Eu vou fazer algo para comermos, e já vou.

- Hum… está bem.

Enquanto Marie seguiu para a cozinha, Yoshiki pediu para que Aya fosse junto. Não gostava de deixar Marie sozinha. Aya achou desnecessário, mas mesmo assim fez o que o primo pedia. Enquanto isso, Yoshiki entrou no estúdio que tinha em casa com Danny.

- Eu ajudo, Marie. Que faremos de lanche?

- Ah, obrigada Aya. Hum, podemos fazer sanduíches? Não me sinto disposta a cozinhar. Yoshiki nem me avisou que viriam, senão teria preparado alguma coisa.

- Não se incomode. Eu e o Danny trouxemos essas tortas de morango.

- Hum, estão com uma cara ótima. Vou guardar pra sobremesa.

Depois de guardar a torta, Marie pegou o pão de forma e uma faca para cortá-los ao meio. Aya se incomodou ao ver Marie com a faca, e pediu para cortar os pães.

- Deixe que corto. É que não sei onde estão os ingredientes, assim você vai adiantando.

- Está bem… Mas… Sabe Aya, eu não vou me matar com essa faca de cozinha, se é o que está pensando.

- Marie, por que diz isso?

- Nada, nada. Vou pegar os ingredientes, então.

Aya se sentia incomodada por Marie desde aquele dia. As coisas nunca mais foram a mesma. Na verdade, Marie nunca mais foi a mesma. Todos foram transformados depois daquele dia, mas Marie parecia não seguir em frente. Estava sempre apática, alheia ao mundo. Estava sem trabalhar, ficava ociosa em casa. Yoshiki acabou recluindo-se mais por causa de Marie. Deixava-a sozinha o mínimo possível. Isso o prejudicou de certa forma, perdera alguns contatos por faltar em reuniões, mas ia se virando. Ainda sentia revolta por tudo que acontecera. Acompanhava o caso de perto, sem que Marie soubesse de detalhes. O criminoso foi considerado culpado, porém com desequilíbrio mental. Yoshiki não aceitava isso. Queria que o criminoso pagasse na cadeia.

Houve um dia em que Aya fora visitá-los. Entrou sem bater, visto que a porta estava aberta. Achou que Yoshiki gostaria da surpresa. Aya entrou de mansinho, e viu Yoshiki tocando piano. Observou de longe, gostava do primo tocando. De repente, Yoshiki se transformou. Marretava as teclas do piano com agressividade, caía em desespero. Chorava com as mãos na cabeça, sem saber o que fazer. Aya segurou-se, e resolveu ir embora. Já tinha visto o primo em outras situações parecidas, mas preferiu deixá-lo.

—–

- Quer dizer então que o outro cara tocava guitarra? Eu não sabia disso.

- Eu estava brincando, Danny. Se tocava, eu nem sei. Não fazia muita questão de saber… Nunca gostei de nenhum deles. Até tentei, pela Aya, mas… Você tem sorte.

- Humm…

- Brincando de novo. Falando sério, nunca realmente achei que eles fossem os caras certos pra ela. Bem, quem sou eu pra decidir, você deve estar pensando… Mas eu a conheço bem, e sempre achei que ela merecia coisa melhor.

- Eu sou a coisa melhor, então? – brincou Danny.

- Ná vá ficar se achando.

Yoshiki brincava, mas sempre se preocupou com Aya. Até demais. Às vezes discutiam por causa da interferência. Bancava o irmão mais velho ciumento. Realmente nunca achava ninguém bom o suficiente para Aya, mas gostava de Danny. Percebia suas intenções, sabia que era um bom rapaz. Ao contrário de alguns.

 

NP: Unnamed Song – Violet UK

Heroines – Diablo Swing Orchestra

Flowers – Rozz Williams