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Why she had lose faith Junho 24, 2008

Eve @ 7:57 pm

Era Inverno. Bem rigoroso, por sinal. Seu primo Yoshiki estava muito feliz, acabara de anunciar o casamento com a então namorada, Marie. Yoshiki e Aya eram muito próximos, eram grandes amigos. Yoshiki costumava dizer que Aya era sua irmã mais nova. A diferença de idade entre eles eram de 4 anos, mas sempre se entenderam bem. Aya também o considerava um verdadeiro irmão, eram muito unidos.

Aya ficou feliz ao ser convidada pra ser a madrinha dos dois. Ao anunciarem, explicaram o porquê da escolha, e deixou Aya muito emocionada. Disseram que queriam alguém que os sempre fizeram felizes, e que sabia que sempre o apoiariam. Eles estavam certos. Se era Marie a escolhida, Aya faria de tudo por eles. Gostava de Marie também, se davam bem, parecia a pessoa certa para Yoshiki.

A família criou um certo ti-ti-ti em torno do casório, já que foi um tanto repentino. Mas Yoshiki e Marie tinham certeza do que estavam fazendo. Havia muitos rumores como ’será que ela engravidou?’ ou coisas mais graves, como ’será que é o golpe do baú?’. Comentários que familiares que não se ocupam sempre fazem.

 

Um certo dia neste mesmo Inverno, Marie desabafou com Aya que precisava ir ao médico se consultar. Aya perguntou porquê. Talve algum dos parentes estavam certos. Marie desconfiava que tinha engravidado, mas não queria fazer esses testes de farmácia, queria logo saber se estava tudo bem com ela.

- Então vamos, sim. Se quiser eu vou com você.

- Obrigada, Aya. Não diga nada pro Yoshiki, está bem? Diremos quando voltarmos.

- Bem, você que sabe. Acho que ele ficaria feliz se fosse verdade.

- E eu não sei? Na verdade, estou muito entusiasmada, se for… Só de imaginar que carrego um ser, fruto do nosso amor, eu fico muito feliz. Mas não vamos nos precipitar, não quero criar expectativas.

- Eu sei. Vamos ao médico então.

- Aonde vocês vão, já decidiram? – pergunta Yoshiki, entrando na sala.

- Já, sim, querido. Estamos de saída já. – respondeu Marie.

- Eu as levo. Aonde vão?

- Não precisa Yoshiki, a gente vai de carro. Você tá trabalhando. – respondeu Aya.

- VOCÊ vai dirigir? – perguntou Yoshiki à Aya, provocando.

- Vou, qual é o problema? Fique tranqüilo, já tirei minha licença ´há muito tempo. Não cheguei aqui inteira?

- Eu sei, eu estava brincando. Bom, então, divirtam-se, meninas. E não aprontem muito.

- Voltamos pro jantar, querido. Eu compro alguma coisa, tá? Não estou a fim de cozinhar.

- Tudo bem. Vou voltar ao trabalho.

 

Yoshiki era produtor musical. Produzia muitas bandas, internacionais e nacionais. Era importante no que fazia, pois era extremamente competente. Isso lhe dava o privilégio de trabalhar na própria casa, em seu próprio estúdio.

 

- Acho que ele não desconfiou de nada, né?

- Acho que não, Aya. Afinal, você está comigo. Acho que ele confia mais em você do que em mim.

- Por que diz isso? Que bobagem, Marie.

- …

Aya se incomodou com aquilo. Sentiu uma ponta de ciúmes por parte de Marie. Já se conheciam há tanto tempo, não havia motivos para aquilo. Aya lembrou-se de episódios passados, quando Marie tinha crises de ciúmes. Por serem muito próximos, Marie desconfiava que Aya e Yoshiki já tinham tido algo. Aya lembra de ter se afastado um pouco de Yoshiki por causa disso, mas a crise logo passou, e Marie percebeu que os dois eram apenas bons amigos, como irmãos. Mas às vezes tinha ciúmes por achar que Yoshiki considerava mais Aya do que ela. Ciúmes bobo, Aya pensava.

Aya ligou o som do rádio para quebrar um pouco o clima. Estavam presas no congestionamento.

 

-Eu deveria saber que aqui estaria parado… Me esqueci.

- Não tem problema. A consulta é só daqui a uma hora. Será que Yoshiki gostaria mais de um menino, ou de menina?

- Ah, Yoshiki sempre disse que queria uma menina primeiro!

- É mesmo? Ele nunca comentou isso comigo…

Outra bola fora, Aya pensou. Só pra melhorar o clima. Sentiu-se um pouco testada agora que havia respondido à pergunta. Maldito trânsito, pensou.

- Yoshiki é um pouco fechado às vezes… – suspirou Marie.

- Ele é… – respondeu Aya, mesmo sem concordar. Conhecia Yoshiki como a palma de sua mão. Mas preferiu não piorar as coisas.

- Às vezes é difícil conversar com ele. Não quero me sentir invadindo seu espaço. Ainda mais que moramos juntos, acho que todo mundo precisa de um tempo sozinho às vezes.

- Que bom que respeita isso. Muitas pessoas não entendem isso. Acham que, porque estão juntos, dois devem se tornar um, o que de certa forma é verdade. Mas todo temos nossas individualidades. Ah, veja, o trânsito andou! Era um carro quebrado!

- Aya, calma! Olhe o farol, está vermelho pra nós!

- Desculpe. Acho que me empolguei. Odeio ficar parada. Mas então…

De repente, um homem apareceu na janela de Aya. Não parecia pedinte, e por isso Aya ficou até mais assustada.

- Abra a janela!!- gritou o homem.

- Não abra, Aya!

- Claro que não. Que homem estranho…

O homem se mostrava irritado, e sacou um revólver.

- Aya!!! Cuidado!!!

- Saia do carro ou eu atiro!! Abra… abra a porta, devagar!!

O homem se afastou da porta, e Aya achou melhor abrir a porta. Assim que abriu, o homem puxou Aya pelo braço e a jogou na calçada. Marie estava saindo do carro também, mas o homem a segurou, e mandou que ficasse dentro do carro.

- Marie!!!

O homem saiu em disparada com o carro, passando o sinal vermelho no cruzamento. Algumas pessoas saíram do carro pra ajudar Aya, que não sabia o que fazer.

- Foi muito rápido. Não pude fazer nada, mas já chamei a polícia. - disse um homem.

Aya tremia, olhava para os lados, não conseguia pensar. Não sabia o que fazer.

- Você está bem, moça? Precisa ligar para alguém?

Yoshiki!! Pensou.

 

A polícia logo veio. Interrogou Aya rapidamente, e seguiram na perseguição. Outras viaturas já tinha visto o carro, mas estava fora de alcance agora. Aya ligou pra Yoshiki.

- Yo-yoshiki…

- Aya? O que foi?

- Yoshiki, aconteceu uma coisa horrível…

- Aya, o que está acontecendo, fale comigo!

Aya explicou mais ou menos a situação para Yoshiki. Yoshiki mal ouviu as últimas palavras de Aya, e correu para o estacionamento do prédio. Pegou sua moto e saiu em disparada. Alguns minutos depois, ficaram sabendo da localização do bandido e de Marie. Aya insistiu para que a viatura a levasse ao local também.

Chegaram lá em dez minutos. Havia uma movimentação, era um lugar um pouco afastado, sem movimento local. Os policiais ordenaram que Aya ficasse afastada, dentro do carro, até que rendessem o bandido. Viu o homem ser rendido, na verdade, ele parecia se entregar. Assim, correu até o lugar, mas foi impedida pelos policiais de se aproximar do carro.

- Marie!!! Alguém me diz se ela está bem!!!

Nesse momento, Yoshiki chegou em sua moto, e nem se preocupou em parar a moto em pé, a jogou no chão e correu para onde estava Aya. Yoshiki passou pelos policiais, que não conseguiram o segurar. Yoshiki deu de cara com Marie dentro do carro, ensanguentada, e desacordada.

- Marie!!!! Marie!!!

Yoshiki tentava alcançá-la, mas os policiais o seguravam.

- Acalme-se. Ela está viva. Está desmaiada apenas.

Yoshiki ficara mais tranquilo, mas Marie estava sangrando muito. Yoshiki se virou e viu o bandido, que olhava para Yoshikicom um certo temor. Yoshiki o encarou umas duas vezes, e na terceira, partiu pra cima dele. O bandido gritava desesperado, enquanto Yoshiki o agredia. Os policiais logo o contiveram, mas entendiam a fúria de Yoshiki.

Os paramédicos colocaram Marie dentro da ambulância. Aya pediu para Yoshiki ir junto, pois naquelas condições não poderia dirigir. Aya ligou para que alguém pudesse buscar a moto e cuidar de algumas burocracias. Correu para o hospital.

Lá encontrou Yoshiki mais contido, mas com a mesma expressão preocupada. Ainda não sabia de Marie.

- Aya! -correu para abraçá-la. Não conseguia falar com você! Nem sabia se estava bem. Como você está?

- Estou bem. Comigo não aconteceu nada.

- Me explica, o que aconteceu com vocês?

Aya contou o que lembrava. Alguma coisa poderia ter lhe escapado, porque havia sido muito rápido. Mas Aya não contou onde iam. Preferiu deixar para Marie contar.

- Me desculpa, Yoshiki.

- Desculpas por que, Aya?

- Me sinto culpada, de alguma forma. Quando vi Marie indo com aquele homem no carro, e não pude fazer nada, senti que a tinha perdido, perdido a sua Marie…

- Pare com isso, sua boba. Não teve culpa alguma. Você não tem culpa que existem loucos por aí. Fico aliviado de saber que não lhe aconteceu nada, que está aqui comigo. Agora vamos torcer para que nada tenha acontecido à Marie, está bem?

Alguns policiais vieram interrogar Aya. Explicaram que o criminoso realmente não era normal, tinha algum distúrbio, e nesse momento um psicólogo estavam o interrogando. Yoshiki ficou nervoso quando soube disso.

- Provavelmente, vai ser considerado louco, vai pra algum hospital psiquiátrico, fazendo desenhos o dia todo, e nada vai lhe acontecer.

Aya sentiu o mesmo peso. Como era ruim a sensação de impotência que sentia. Tanta coisa errada no mundo. Por que Yoshiki e Marie? Os dois nunca fizeram nada de errado a ninguém. E esse louco? Seria a loucura dele uma justificativa?

O médico finalmente apareceu. Queria que um entrasse de cada vez. Alertou para o estado frágil de Marie, que ainda estava muito traumatizada. Mas não corria risco nenhum. Porém, talvez devido ao trauma, não respondia às pessoas. Aya pediu que Yoshiki entrasse primeiro.

- Não a deixe sozinha no quarto. – pediu o médico.

- Está bem.

Yoshiki entrou, e encontrou Marie na cama. Olhava para a janela, parecia não ter notado Yoshiki entrando. Marie estava com alguns cortes na testa, o rosto um pouco inchado, mas aparentemente nada mais grave.

- Marie, estou aqui.

- …

- Marie? Sou eu, Yoshiki.

Marie virou-se para Yoshiki, que estava sentado na beira da cama, ao seu lado. Marie estava com os olhos cheio de lágrimas, e balbuciava algo que Yoshiki não conseguia entender.

- Marie, está tudo bem agora. Acabou. Estou aqui, está bem?

- Nosso bebê…

- Bebê?

- Perdi nosso bebê, Yoshiki.

- Do que está falando, Marie?

- Eu perdi, eu perdi… Ele me bateu bem aqui, e eu perdi… – chorava Marie, colocando a mão de Yoshiki em seu ventre. Yoshiki não entendia nada, só ficava mais desesperado.

- O que está dizendo, Marie? Não estou entendendo…

- Eu estava grávida, Yoshiki. O médico não me disse nada, mas eu sei. Eu sei que perdi nosso bebê…

Yoshiki se levantou da cama. Não sabia o que pensar. Sentiu mais raiva ainda. Se colocasse as mãos naquele bandido, certamente iria matá-lo.

- Por que não me disse antes?

- Eu não tinha certeza… Estava indo ao médico com a Aya, pra confimar. Só queria te contar quando tivesse certeza. Eu não cheguei a ir ao médico, mas eu sabia. Eu sabia que nosso bebê estava aqui… Mas ele se foi… Se foi por aquelas mãos terríveis…

Yoshiki abraçou Marie. Aquilo tudo parecia um pesadelo. Marie não parava de se desculpar, de dizer que tinha perdido o bebê, embora Yoshiki a consolasse dizendo que não era sua culpa. E que tudo ia ficar bem.

- E a Aya, está bem?

- Está lá fora. Quer vê-la?

- Sim, chame-a por favor.

- Fique bem aqui, está bem? Ela já vem.

- Eu te amo, Yoshiki. Eu sempre te amei.

- Eu tambem te amo Marie. Tudo vai ficar bem.

Yoshiki saiu do quarto e desabou. Aquele ‘ficar bem’ parecia tão distante. Sentia uma grande revolta, um pesar, uma dor horrível. Aya o viu no corredor desabando, e aquilo a feriu como uma faca em seu peito. Yoshiki se recompôs e pediu para que Aya entrasse.

- Aya, vocês iam mesmo ao médico?

- Sim… ela contou?

- Ela perdeu o bebê…

- Yoshiki… Sinto muito…

- Ela o quê? – disse o médico. Você disse que ela perdeu o bebê?

- Sim, ela disse que estava grávida. Você sabia disso, não sabia?

- Não, sua mulher não estava grávida. Nós fizemos muitos testes.

- Ela não tinha certeza, não fomos ao médico. – disse Aya.

- Você a deixou sozinha? Ela está muito perturbada. Deve voltar para vê-la.

Yoshiki sentiu um frio na espinha. Olhou para Aya e ambos correram até o quarto. Yoshiki não a encontrou na cama: Marie estava na janela, como se fosse pular.

- Marie!!!

Yoshiki correu e a agarrou. Marie chorava muito, e gritava que tinha perdido o bebê.

- Você queria me deixar?? Queria me deixar sozinho??

- Eu perdi, Yoshiki… não tenho mais nada… nem seu amor…

- O que está dizendo? Eu estou bem aqui!!! Marie, olhe pra mim!!

Aya estava atônita com a situação. Não sabia mais o que fazer. Os médicos trataram de Marie, a doparam para que dormisse. Yoshiki estava devastado. Os pais de Aya chegaram em seguida. O mundo girava, e Aya tinha a sensação de que seu mundo girava ao contrário.

Foi assim que Aya parou de acreditar.

 

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